Só alegria no lançamento de
O Bem Viver em São Paulo

Não houve quem não tenha passado bons momentos no lançamento que organizamos no dia 26 de janeiro em São Paulo para colocar no mundo o livro O Bem Viver — Uma oportunidade para imaginar outros mundos, de Alberto Acosta. Até nós, que trabalhamos feito condenados, curtimos demais.

Tudo começou às 19h — quer dizer, um pouquinho depois — com um instigante debate sobre “O Bem Viver como horizonte para superação do desenvolvimentismo”. A conversa reuniu o autor do livro, Alberto Acosta, político e economista equatoriano; Salvador Schavelzon, professor da Unifesp; e Célio Turino, fundador do partido Raiz Cidadanista. Tudo com a mediação da jornalista Verena Glass, da Fundação Rosa Luxemburgo.

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A TV Drone registrou cada instante da discussão em vídeo. Em breve, iremos publicá-lo na íntegra para que quem não pôde comparecer fique sabendo de tudo que rolou. No mesmo dia e hora em que apresentávamos O Bem Viver, o Movimento Passe Livre convocou mais uma manifestação contra o reajuste da tarifa de transporte público em São Paulo. Muitos companheiros deixaram de ir ao lançamento para protestar — e fizeram muito bem. Acreditamos que a tarifa zero é imprescindível para o Bem Viver nas cidades.

Depois do debate, Acosta exercitou a mão direita dando autógrafos para uma fila de interessados. Enquanto isso, o bar foi atulhado de pessoas com sede de cerveja. Os sanduíches de metro sucumbiram à voracidade de quem havia passado mais de uma hora compenetrado nas discussões. E a banda Teko Porã afinou violino, violão, bandolim e acordeão para tocar as belas canções que encerraram a jornada. Bate-papo, livros e música. Não tinha como dar errado. E não deu.

A Editora Elefante está felicíssima por haver produzido mais um belo livro — e por tê-lo feito, agora, em parceria com a Autonomia Literária e com o apoio da Fundação Rosa Luxemburgo. É como disse Bianca Oliveira, nossa designer: “Ser independente é na verdade ser interdependente e contar com o envolvimento de grandes amigos e parceiros para seguir firme nas empreitadas. É um exercício de comunidade.” Sem os sorrisos que aparecem nas fotos, não teria valido a pena.

Graças à ajuda e à energia de vocês, saímos de mais esse lançamento com a certeza de que vamos pelo caminho certo. Tortuoso, cheio de dificuldades, mas muito recompensador. Por isso, vamos em frente. Devagar e em manada, como os elefantes. Adelante!

Pensador equatoriano lança livro
sobre o Bem Viver no Brasil

No final de janeiro, a Editora Autonomia Literária e a Editora Elefante lançam O Bem Viver – Uma oportunidade para imaginar outros mundos, escrito pelo político e economista equatoriano Alberto Acosta. Graças ao apoio da Fundação Rosa Luxemburgo, haverá três lançamentos: dia 26 de janeiro, em São Paulo; dia 27 de janeiro, no Rio de Janeiro; e dia 28 de janeiro, em Mariana-MG, palco da maior catástrofe socioambiental da história do país. Todos os eventos contarão com a presença do autor.

Nascido em Quito em 1948, Alberto Acosta é um dos fundadores da Alianza País, partido que chegou à Presidência do Equador em 2007 após a vitória eleitoral de Rafael Correa. Foi ministro de Energia e Minas no primeiro ano de mandato, mas deixou o cargo para dirigir a Assembleia Constituinte que incluiu pela primeira vez em um texto constitucional os conceitos de plurinacionalidade, Direitos da Natureza e Buen Vivir.

Durante o trabalho constituinte, porém, Acosta rompeu com o presidente equatoriano — e seu partido — devido a desvios nos rumos do governo. Em 2013, candidatou-se à Presidência da República por uma coalizão de movimentos políticos, sociais e indígenas denominada Unidad Plurinacional de las Izquierdas. Obteve, porém, escasso apoio popular, acabando em sexto lugar nas eleições.

Lançado originalmente em 2011, no Equador, o livro foi revisado e atualizado para a edição brasileira. Em 264 páginas, Acosta trata de conceituar o Bem Viver, filosofia nascida dos conhecimentos e práticas indígenas sul-americanas. Mas não dá espaço a romantismos. Até porque, argumenta, o Bem Viver não é uma exclusividade ameríndia: encontra correspondências na sabedoria de outros povos e culturas tradicionais ao redor do mundo, como o ubuntu, na África do Sul, e também no pensamento ocidental.

O Bem Viver – Uma oportunidade para imaginar outros mundos propõe a construção de novas realidades políticas, econômicas e sociais a partir de uma ruptura radical com as noções de “progresso” e “desenvolvimento”, que são pautadas pela acumulação de bens e capital, pelo crescimento infinito e pela exploração inclemente dos recursos naturais – o que, como demonstram os climatologistas, está colocando em risco a sobrevivência dos próprios seres humanos sobre a Terra.

Até agora não houve governo à direita ou à esquerda que não perseguisse o progresso e o desenvolvimento propagandeados pelos países centrais do capitalismo – e a grande maioria deles não conseguiu nem conseguirá alcançá-lo. De acordo com Acosta, nem mesmo as experiências socialistas do século 20 se desviaram desse caminho.

Os governos progressistas que no início do século 21 chegaram ao poder em boa parte da América Latina tampouco abandonaram a miragem do desenvolvimento. Pelo contrário, aprofundaram a dependência econômica de recursos naturais, com exportações crescentes de matéria-prima, muitas vezes às custas dos direitos dos povos tradicionais.

É o que tem ocorrido no Brasil, que, após uma série de tragédias sociais diuturnamente registradas nos rincões mais afastados do país e nas periferias das grandes cidades, assistiu em 2015 à pior catástrofe ambiental de sua história: o rompimento de uma barragem da mineradora Samarco, subsidiária da Vale, em Minas Gerais, resultando na morte do Rio Doce. A contaminação não é um acidente, mas uma mera consequência do extrativismo.

Acosta lembra que não é possível enriquecer, como apregoa a retórica desenvolvimentista, depredando o próprio patrimônio natural. E, ao reconhecer os avanços sociais obtidos pelos governos progressistas, explica que apenas repetiram as conhecidas formas de produtivismo e consumismo capitalista, sem promover mudanças estruturais nas esferas política, econômica ou social. Talvez por isso conservadorismo agora avance com força na região – como já aconteceu na Argentina, Paraguai, Chile e Venezuela, e está acontecendo no Brasil.

“Necessitamos outras formas de organização social e práticas políticas”, propõe o autor. “O Bem Viver é parte de uma longa busca de alternativas forjadas no calor das lutas indígenas e populares. São propostas invisibilizadas por muito tempo, que agora convidam a romper com conceitos assumidos como indiscutíveis. São ideias surgidas de grupos marginalizados, excluídos, explorados e até mesmo dizimados.”

Com uma linguagem simples e muitas referências a pensadores consagrados e contemporâneos, Alberto Acosta revisa a história política e econômica para explicar que o Bem Viver não se trata de mais uma alternativa de desenvolvimento – não é mais um “sobrenome” do desenvolvimento, tal qual “desenvolvimento humano”, “desenvolvimento sustentável” ou “etnodesenvolvimento”. É uma alternativa ao desenvolvimento. Uma fuga ao desenvolvimento.

“Mais do que nunca é imprescindível construir modos de vida baseados Direitos Humanos e nos Direitos da Natureza, que não sejam pautados pela acumulação do capital.”

Esse dia foi trilôko! Editora Elefante recebe primeiro prêmio

O vento minuano não impediu que nosso Elefante atravessasse os pampas para receber sua primeira condecoração. Quem esteve na última quinta-feira, 10 de dezembro, no auditório da OAB gaúcha, em Porto Alegre, jura de pés juntos que nosso paquiderme vestia bombacha. Alguns informes dão conta de que ele até arriscou uns pitos no palheiro do Gaudério, mas, pacifista que é, recusou duelos de facas. Melhor sentar-se em roda e beber um bom chimarrão.

Esse dia foi trilôko! A Editora Elefante recebeu das mãos da secretária-geral adjunta da OAB-RS, Maria Cristina Carrion Vidal de Oliveira, o Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo. Corumbiara, caso enterrado, que lançamos em julho, ficou em segundo lugar na categoria Grandes Reportagens, na companhia de Lucas Castro Figueiredo, vencedor com Lugar nenhum: militares e civis na ocultação dos arquivos da ditadura (Companhia das Letras), e de Renato Antonio Dias Batista, terceiro lugar com O menino que a ditadura matou (RD).

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Na 32ª edição, o prêmio é um dos mais importantes do país nesta seara. É organizado desde os últimos anos da ditadura pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos, que conta com a parceria da OAB e da Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio Grande do Sul. A cerimônia foi comandada por Jair Krischke, que manja muito do tema e há décadas denuncia as violações cometidas pelo Estado.

O autor do livro, João Peres, viajou a Porto Alegre no lombo de nosso estimado mascote. No auditório da OAB, ele recordou que o caso de Corumbiara, ocorrido em 1995, é um herdeiro direto do regime autoritário. Foram os militares que garantiram uma insana distribuição de terras na Amazônia, armando a bomba-relógio que há vinte anos estourou, deixando ao menos doze mortos durante reintegração de posse na fazenda Santa Elina, no sul de Rondônia.

O jornalista afirmou que as instituições do pós-ditadura continuaram a dar guarida a violações de direitos humanos, levando a uma apuração inconclusa e a um estranho julgamento ocorrido em 2000 em Porto Velho, com a condenação de três policiais e dois sem-terra. Por fim, ele recordou que este é o primeiro prêmio de uma editora sem fins lucrativos, totalmente independente e bancada na raça, com dependência do carinho e da divulgação de seus leitores.

João recebeu também o primeiro prêmio na categoria Online, ao lado de Thiago Domenici e Moriti Neto, da Agência Página Três. A turma foi agraciada pela série de reportagens Como se absolve um policial, feita para a Agência Pública de Jornalismo Investigativo.

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Já nosso Elefante, como bom respeitador das tradições locais, retirou-se ao final da noite, mateou e deitou-se no chão do galpão para apreciar umas horas de sono antes de empreender o regresso a São Paulo. Lentamente, como sempre, e com a esperança de cruzar os pampas outras vezes para receber novos agrados.

Editora Elefante ganha seu primeiro prêmio!

Chegou a galope, vestindo bombacha e mateando, uma notícia tri legal no apagar das trevas de dois mil e crises. A Editora Elefante conquistou sua primeira honraria! E o mérito é todo do livro-reportagem Corumbiara, caso enterrado, que ficou em segundo lugar na categoria Grandes Reportagens do Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo, promovido pela seccional gaúcha da Ordem dos Advogados do Brasil, pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos e pela Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio Grande do Sul.

O autor do trabalho junto com o fotógrafo Gerardo Lazzari, o repórter João Peres, ganhou também na categoria Online, ao lado de Thiago Domenici e Moriti Neto, por uma reportagem para a Agência Pública sobre julgamentos de policiais envolvidos em homicídios. Em 2010, João havia recebido menção honrosa na mesma premiação, junto com Virgínia Toledo, por uma série de reportagens para a Rede Brasil Atual e a Revista do Brasil sobre a luta de dom Paulo Evaristo Arns contra a ditadura.

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O Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo está na 32ª edição – sim, os caras começaram a reconhecer trabalhos jornalísticos em defesa da vida e da liberdade ainda durante a ditadura. O coordenador da parada é Jair Krischke, arquivo vivo de violações cometidas pelo regime autoritário, fundador do Movimento de Justiça e Direitos Humanos em 1979 e um dos primeiros a alertar para as conexões entre milicos de Brasil, Argentina, Uruguai e Chile, no que mais tarde se convencionou chamar de Operação Condor.

São justamente sobre a ditadura os outros dois trabalhos premiados na categoria Grandes Reportagens. Lucas Castro Figueiredo ficou com o primeiro lugar pelo livro Lugar nenhum: militares e civis na ocultação dos arquivos da ditadura, publicado pela Companhia das Letras. E Renato Antonio Dias Batista levou a terceira posição por O menino que a ditadura matou, da RD.

Corumbiara, caso enterrado tem um pé no regime dos generais e outro no que costumar definir como democracia. Mostra como os militares criaram condições para que terras públicas da União na Amazônia fossem regaladas a gente rica para que ficasse ainda mais rica. E como os governos do pós-ditadura não mexeram um dedinho sequer para corrigir uma série de distorções.

É este saldo que leva ao episódio que ficou conhecido como massacre de Corumbiara. Em 9 de agosto de 1995 ao menos doze pessoas morreram na fazenda Santa Elina, no sul de Rondônia – nove camponeses, dois policiais militares e um homem não identificado — durante o cumprimento de um mandado de reintegração de posse. Cinco anos mais tarde, dois sem-terra e três PMs foram condenados. Isso é um resumo por certo insuficiente: restam dúvidas, muitas dúvidas, muitas mesmo, e o livro-reportagem lançado pela Editora Elefante em julho deste ano é uma tentativa de começar a saná-las.

Uma tentativa, até agora, bem-sucedida. Em setembro, circulamos por Rondônia de cabo a rabo conversando com estudantes, jornalistas, historiadores, militantes de movimentos sociais e tudo quanto é gente – quase duas mil gentes, para ser mais claro. Para alguns, foi a primeira oportunidade de tomar contato com o episódio mais emblemático do estado. Para outros, foi uma chance de ganhar uma ferramenta com capacidade para ajudar a retirar do esquecimento esta história.

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O prêmio vem, agora, colocar a cereja de um bolo que pode não ser o mais saboroso, nem o mais belo, mas que precisamos comer para que não surjam outros e outros e outros (“um país que não conhece sua história está fadado a repeti-la em seus erros”, dizem os bons conselheiros). A despeito de cunhices, dilmices e alckimices, ou justamente porque existem cunhices, dilmices e alckimices, temos certeza de que devemos continuar a andar na contramão.

Corumbiara, caso enterrado praticamente se esgotou sem ter um mísero exemplar vendido por uma grande rede de livrarias – dessas que se parecem com cadeias de supermercado e que tratam livros como meros objetos de consumo, manja? Apostamos em uma rede que se move por interesses comuns, e não por pecúnia, dindim, bufunfa. Deu certo. Por isso, esse prêmio é dividido com todos aqueles que, do começo do ano pra cá, apostaram neste projeto. Cederam horas de trabalho para revisões, materiais de divulgação, organização de eventos. Cederam colchões em salas e quartos para que pudéssemos economizar recursos e levar nosso trabalho a mais gente. E, óbvio, com aqueles que cederam horas de lazer para ler com carinho e respeito o que fizemos.

O prêmio só faz reforçar nossa convicção de que é esta a pegada que fará da Editora Elefante uma iniciativa coletiva e cada vez mais forte. Em 2016, ninguém perde por esperar. Estamos preparando mais livros que se opõem a Belos Montes, a corporações treinadas para matar, a corporações treinadas para pilhar o país e tomar o poder. E que propõem tudo ao contrário disso, com um sistema calcado na camaradagem e na reconquista da autonomia humana. Seremos manada.

 Em tempo: a entrega do prêmio será na quinta-feira, 10/12, Dia Internacional dos Direitos Humanos, em Porto Alegre. Auditório da OAB/RS. Rua Washington Luiz, 1.110 – 2º andar

 

Há vinte anos, bispo foi interrogado após denunciar falhas em apuração sobre massacre

Ossos humanos ou de animais? Uma das muitas dúvidas em torno do caso conhecido como “massacre de Corumbiara” segue em aberto, vinte anos depois do episódio ocorrido na fazenda Santa Elina, no sul de Rondônia. À época, o bispo de Guajará-Mirim, dom Geraldo Verdier, teve de responder a um inquérito na Polícia Civil, que queria mais informações sobre os restos retirados da cena do crime.

Ao visitar o local, nos dias seguintes às mortes registradas durante reintegração de posse, dom Geraldo encontrou objetos calcinados que se assemelhavam a ossos. Separou-os em duas amostras. Uma, mais numerosa, foi encaminhada às autoridades rondonienses, que encomendaram uma análise ao Departamento de Medicina Legal da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista. E outra, menor, enviada ao perito Michel Durigon, professor da Faculdade de Medicina de Paris.

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“Vi a longa fila do pessoal que estava sendo atendido pelos médicos, constatei evidentemente o massacre. Acompanhei as famílias que queriam enterrar seus filhos e não puderam porque levaram para Vilhena e enterraram lá. Não houve nenhum respeito aos direitos humanos”, recordou o bispo, hoje com 78 anos, em conversa com o jornalista João Peres, autor de Corumbiara, caso enterrado, primeiro livro-reportagem sobre a história, lançado em julho pela Editora Elefante.

Ao deixar o acampamento, há vinte anos, dom Geraldo deu uma entrevista a repórteres locais manifestando espanto pela cena que havia presenciado. “A perícia vai dizer o que é. Se são ossos humanos ou de animais. Um sinal de barbárie total.” O resultado pericial era importante porque o grupo de sem-terras que ocupou a Santa Elina duvidava dos números oficiais de mortes – doze, sendo nove posseiros, dois policiais e um rapaz não identificado.

Os resultados vindos da Unicamp disseram que, das amostras analisadas, todas eram de bois e porcos. Já Durigon assegurou que “duas das amostras examinadas são com toda certeza de origem humana”.

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A cúpula da segurança pública de Rondônia ficou muito irritada pelo fato de existir numa análise paralela à da Unicamp, mas não se comoveu com a informação de que poderia haver um erro grave no trabalho. Em 28 de novembro, o delegado Raimundo Mendes determinou que o bispo fosse interrogado. Uma quinzena antes, dom Geraldo havia escrito uma carta na qual afirmava que sua intenção não fora desmerecer a universidade paulista, de cuja competência não duvidava.

“Por esta razão estou estranhando que em quatro saquinhos contendo a grande maioria das amostras ósseas recolhidas na fazenda Santa Elina se achasse apenas restos de um animal suíno e outro bovino. É muita coincidência o fato de, em apenas nove pedacinhos, eu ter recolhido justamente dois ossos que são de seres humanos e três que podem ser, enquanto não há rastro disso nas amostras muito mais numerosas enviadas à Unicamp”, alfinetou.

Em 30 de novembro, o responsável pelas análises feitas em São Paulo, Fortunato Badan Palhares, escreveu uma carta ao secretário estadual de Segurança Pública de Rondônia, Wanderley Martins Mosini, questionando como era possível que uma amostra não oficial de ossos houvesse saído da fazenda Santa Elina e do país. Ele se queixou de que o caso arranhava a credibilidade de sua universidade.

Em 14 de dezembro, dom Geraldo prestou depoimento à Polícia Civil basicamente com a reiteração do que havia sido dito por escrito. Nem a ideia de puni-lo, nem o pedido por um terceiro exame das ossadas acabariam levados adiante, deixando em aberto mais um capítulo da história. O passar dos anos não foi suficiente para dirimir dúvidas e impor uma versão final dos fatos.

Críticos de quadrinhos comentam
Cabuloso Suco Gástrico

Breno Ferreira e seu Cabuloso Suco Gástrico começaram a cair no gosto dos críticos de quadrinhos. Nesta semana, o livro com as cem tiras mais ácidas da internet ganhou resenhas na Universo HQ e no Vitralizado. E vem mais por aí. Cabuloso Suco Gástrico já está na mão de muita gente. É só uma questão de tempo para choverem comentários. Esperamos todos eles com os ouvidos abertos e azia no estômago.

Dos que saíram até agora, gostamos bastante do texto publicado pelo Ramon Vitral, do Vitralizado, que comparou a pegada reflexiva do trabalho do Breno Ferreira — aquelas sequências que deixam a gente pensando na vida — às tiras poéticas dos argentinos Kioskerman e Liniers, conhecido no Brasil pela série Macanudo. Vitral também pontuou o traço sujo do Cabuloso Suco Gástrico, que, avalia, guarda semelhança com o desenho de Ricardo Coimbra.

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Durante o bate-papo, Breno falou sobre um dos aspectos que mais chamam a atenção em suas tiras: as cores. “Costumo usar cores chapadas, isso porque o formato é pequeno, não acho que cabe muito floreio. Algumas combinações eu já meio que tenho na cabeça, geralmente tento definir uma cor base, que vai ser usada na maior parte do desenho e na seqüência vou adicionando e testando o resto.”

O autor também manifestou sua satisfação em ver as pirações do Cabuloso Suco Gástrico em livro. “Eu sou de uma geração onde o papel era um material importante no dia a dia, e é um tesão ver o trabalho publicado nesse formato”, disse. “A relação com a informação muda muito quando vai pro impresso. Tem cheiro, tato, você se propõe a olhar com mais cuidado e mais tempo.”

Corumbiara, caso enterrado fecha debates de 2015 em faculdade de Jornalismo

Fechando a temporada de debates em 2015, o autor de Corumbiara, caso enterrado, João Peres, compareceu na última sexta-feira ao campus Vergueiro da Uninove, no centro de São Paulo, para bater um papo com os alunos do quarto semestre do curso de Jornalismo. A molecada estava muito interessada em conhecer o caso e os bastidores da apuração, mesmo com o fim de semana batendo à porta e a iminência de um Brasil x Argentina na televisão.

Durante quase duas horas, a turma conversou sobre a importância de fazer o primeiro livro-reportagem sobre o caso de Corumbiara, ocorrido há vinte anos no sul de Rondônia. O jornalista relatou a surpresa sobre a recepção positiva do trabalho no estado, visitado no último mês de setembro para uma turnê de divulgação. “Há muitas lacunas a serem preenchidas pelo jornalismo. É fundamental que as pessoas se identifiquem com o tema que está sendo tratado, que a história tenha relação com a vida delas”, disse João Peres.

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O debate foi fruto de um convite do professor Giuliano Tosin, que elogiou o livro pela maneira como busca retratar a história com fidelidade aos fatos, e não a qualquer dos grupos envolvidos. Os alunos perguntaram sobre os momentos mais tensos no decorrer do processo de apuração, dos motivos que levaram o autor a escolher o tema e das principais descobertas trazidas por Corumbiara, caso enterrado.

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O trabalho, lançado em 20 de julho pela Editora Elefante, foi debatido e apresentado na USP, em Brasília, em Osasco, na Grande São Paulo, e em Rondônia. Depois deste bate-perna, restam uns poucos exemplares a serem vendidos. Eles podem ser encomendados em nossa lojinha virtual ou em alguma das livrarias abaixo.

Porto Velho

Loja do Livro
Rua Rogerio Weber, 1987
Centro
(69) 3211.5262

Vilhena

Banca do Zoio
Av. Capitão Castro, 3770
Centro
(69) 3322.6112

Manaus

Banca do Largo
Largo São Sebastião, ao lado do Teatro Amazonas
(92) 3234.8856

São Paulo

Livraria do Espaço
Espaço Itaú de Cinema na Rua Augusta
(11) 3141-2610

Blooks – Shopping Frei Caneca
Rua Frei Caneca, nº 569 – 3º Piso
(11) 3259-2291

Brasília

Livraria do Chiquinho
Campus UnB entrada Norte, CEUBinho
(61) 3307-3254

Rio de Janeiro

Blooks Livraria
Praia de Botafogo, 316
(21) 2237-7974

Presente de fim de ano?
Lembre-se dos elefantes

Chegou a hora daquela enxurrada de amigo secreto, festas de fim de ano, Natais e sabe-se lá o que mais. E você conhece vários sangue bão que merecem um belo presente, mas não quer ficar na zoeira tradicional de perfuminho, bijuteria, roupa, livros-que-custam-os-olhos-da-cara. Ou pior: você simplesmente não sabe o que dar…

Seus problemas acabaram: um quadrinho bacana, um livro-reportagem responsa, um material editado com carinho: dá um zói na lojinha virtual da Editora Elefante. É a chance de romper com vários vícios de uma vez só. E, além disso, agradar uma pessoa que você preza e considera.

Ao presentear com livros da Editora Elefante, você fortalece uma iniciativa independente e sem fins lucrativos. De quebra, ainda faz deste um momento culturalmente fértil para quem recebe o agrado. E o que é melhor: sem gastar os tubos, porque sempre buscamos o melhor equilíbrio entre nossos custos e o bolso de quem compra.

Ajudar a enriquecer ainda mais uma livraria que não permite que outras cresçam a seu redor? E uma editora que paga migalhas a seus autores? Bah, para com isso. A Editora Elefante não está e não quer estar nos circuitos comerciais da vida. Nosso rolê tem outra pegada. Acreditamos na proximidade entre pessoas, na criação de laços de afinidade sólidos, sem essa de usar o trabalho dos outros para enriquecer.

Por enquanto, não temos muitas opções, é verdade, já que retomamos atividades de fato neste dois mil e crises (vulgo 2015) que já se prepara para nos deixar, não sem o prenúncio de que amanhã será pior. Mas o que temos é, se nos permite o momento de nos sentirmos a última bolacha do pacote, foda. Confere aê:

 

cabuloso_3Cabuloso Suco Gástrico. Acabamos de lançar os quadrinhos ácidos de Breno Ferreira, rapaz de Limeira que não dá bobeira. Uma seleção com as melhores tirinhas, mais dez inéditas, no primeiro trampo solo de um sujeito que promete – até a Laerte, lenda viva, recomendou.

 

 

ignobil_3Ignóbil. O universo sujo de Dáblio C, um sujeito maluco de São Bernardo, no ABC paulista, só poderia sair das profundezas pelas páginas de uma editora tão biruta quanto. São mais de cem páginas de drogas, álcool, sexo (não se prenda aos padrões heteronormativos do patriarcado) e todo tipo de assunto do universo pra lá de underground.

 

 

corumbiara_3Corumbiara, caso enterrado. Este ano, um caso absurdo completou duas décadas. E fomos dos poucos a não deixar passar em branco o chamado “massacre de Corumbiara”, que ganhou finalmente seu primeiro livro-reportagem. O trabalho do repórter João Peres vai além do resumo óbvio e busca apontar acertos e erros de todos os envolvidos.

 

 

o_equador_e_verde_3 O Equador é verde. Chegou ao fim de 2015 sem um puto no bolso? De boa. A gente entende. Não estamos muito melhor, pra falar a real. Nosso primeiro livro-reportagem, lançado em 2011 e esgotado, pode ser baixado gratuitamente em PDF. Como não temos planos de reimprimi-lo, decidimos colocá-lo à disposição num momento em que o governo de Rafael Correa mostra sinais de esgotamento e inequívoca mudança de rumos.

 

Então, minha amiga, meu amigo, sem mais palavras, convidamos a entrar nessa o quanto antes. Agora, se você tiver de presentear um mala daqueles, que te atazanou o ano todo, pode dar uma autoajuda bem bobinha. Ou apostar que um de nossos livros ajude a clarear um pouco o horizonte do figura.

Baixe gratuitamente
O Equador é verde

Finalmente, disponibilizamos gratuitamente para download O Equador é verde: Rafael Correa e os paradigmas do desenvolvimento, de Tadeu Breda, livro-reportagem sobre o primeiro governo do presidente equatoriano. Lançado em maio de 2011, em São Paulo, O Equador é verde foi a primeira publicação da Editora Elefante. Os exemplares demoraram para se esgotar: foram mais de quatro anos. Mas se esgotaram.

 Baixe “O Equador é verde” gratuitamente

Como não temos planos de reimprimi-lo, decidimos colocá-lo à disposição dos leitores e leitoras num momento em que o regime equatoriano mostra sinais de esgotamento e inequívoca mudança de rumos. O momento também é propício porque chega às livrarias brasileiras Equador: Da noite neoliberal à revolução cidadã, livro escrito pelo próprio Rafael Correa e traduzido pelo sociólogo Emir Sader. É uma ótima contribuição da Boitempo Editorial.

Em seus quatro anos de vida, O Equador é verde serviu de ponto de partida para jornalistas, pesquisadores e curiosos que iniciavam estudos sobre o país andino-amazônico e a política latino-americana contemporânea. Foi o primeiro livro em português a analisar em profundidade as medidas do governo Rafael Correa, e um dos pioneiros a lançar algumas luzes sobre conceitos que apareceram na Constituição equatoriana em 2008 e que estão se firmando cada vez mais no pensamento crítico da região, como a Plurinacionalidade, os Direitos da Natureza e o Bom Viver.

A Editora Elefante tem muito orgulho de saber que o livro figura na bibliografia de várias dissertações de mestrado e teses de doutorado pelo país afora. E que tem sido citado em debates, simpósios e discussões sobre a América Latina. Agora, esperamos que o PDF possa fazer com que o livro chegue onde ainda não havia chegado. E que continue sendo alvo de comentários. Vamos em frente.

Demos umas trombadas na Feira Miolo(s) de publicações independentes

Os elefantes aqui estão muito felizes – felizes demais – com nossa primeira participação na Feira Miolo(s). Chegamos cedo à Biblioteca Mario de Andrade, enquanto o centro de São Paulo acordava com uma luz embaçada em que todo aquele concreto fica ainda mais cinza. O frenesi dos feirantes gráficos na frente da biblioteca, descarregando carros e táxis, contrastava com o sossego de uma manhã chuvosa antes dos comércios abrirem suas portas.

Era sábado, 7 de novembro. Nem os botecos mais madrugadores tinham notas miúdas no caixa para ajudar a remediar o desleixo de quem pretende vender livros sem trocado no bolso. Sorte que o japonês da banca era mais esperto que todo mundo e havia se precavido com cédulas de dez em quantidade – e simpático para dividir algumas conosco.

Deu tudo certo. E, no final, quem passeou pelas dezenas de bancas espalhadas pela Mario de Andrade usou e abusou do cartão. Crédito ou débito? Quer sua via? É curioso estar do lado de cá do balcão. E eram muitos balcões: tanta gente que todo mundo dividiu mesa. Cotovelo com cotovelo, perna encolhida. Melhor: assim dá mais contato.

A Editora Elefante levou três dos quatro títulos de seu catálogo: os quadrinhos Ignóbil, de Dáblio C., e Cabuloso Suco Gástrico, de Breno Ferreira; e o livro-reportagem Corumbiara, caso enterrado, de João Peres. O Equador é verde, de Tadeu Breda, só não foi porque já está esgotado. Em compensação, carregamos conosco a primeira publicação dos camaradas da Editora Autonomia Literária: A Origem do Estado Islâmico, de Patrick Cockburn.

No início, estávamos meio tensos em meio a tanta boniteza: a galera capricha bagaray nas artes gráficas. Mas fomos muito bem recebidos – pelos colegas expositores e pelo público. Cada gravura, aquarela, serigrafia, cartaz, fotografia e livro de arte que vimos em cima das mesas ou dependurados em varais serviram de inspiração pra melhorar mais e mais. E os sorrisos silenciosos de quem passava, pegava, folheava, devolvia e seguia seu caminho também serviram de motivação. Isso sem falar, claro, nos que levaram pra casa um pedaço do nosso trampo.

Para além das vendas, que não foram ruins, o barato da Feira Miolo(s) foi saber que existe gente ligada nas mesmas coisas que nós: galera que não quer nem saber e publica meeeeeesmo. Nada de ficar esperando grandes corporações, grana, investimentos. Tem que fazer. Do jeito que dá. E dá cada coisa linda…

“Fazer a própria publicação, ir atrás de modelos gráficos, é uma das maiores libertações que existem. Você coloca aquilo no mundo, mostra pra outras pessoas, vê se aquilo funciona ou não para depois, enfim, ver o que vai fazer com aquilo”, disse, em seu podcast, a escritora Ana Rüsche, para quem a Miolo(s) deveria ter como subtítulo “chega de preguiça”. Concordamos. “Lá tem sete mil ideias maravilhosas de como você pode colocar um texto no papel, papel no papel, uma arte no papel, e é muito inspirador.”

Um puta prazer conhecer e dividir espaço com essa galera: olhar nos olhos, trocar ideia e apreciar o trabalho alheio para além das fotos embaçadas tiradas com celular que circulam pelo Facebook — como essa aí de cima. Tato, minha gente, tato. É importante. Cada vez mais importante.

No final, doamos um exemplar de cada um de nossos títulos à Biblioteca Mario de Andrade. A gente espera que os responsáveis pelo acervo sejam generosos com os elefantes e coloquem todos eles nas prateleiras. Assim, eles poderão chegar a ainda mais gente. Manadas, manadas. Vamos caminhando.

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