Chegamos a Vilhena! Começa turnê de Corumbiara, caso enterrado em Rondônia

Gentes de Rondônia, chegamos! A viagem de São Paulo a Vilhena foi longa que só. Não bastassem as muitas conexões previstas, uma delas não foi realizada e tivemos de tomar um ônibus de Cuiabá até o Portal da Amazônia. Chegamos há uns poucos minutos. Mas aqui estamos. Nada que não se resolva com um belo prato de arroz e feijão e um dedo de prosa.

Já estamos de saída para o primeiro de quinze eventos sobre Corumbiara, caso enterrado com a presença do autor, João Peres. Em Colorado do Oeste, temos um encontro com estudantes e professores do Instituto Federal de Rondônia (Ifro). Foi essa galera que articulou muitas forças para garantir nossa vinda ao estado. Sem eles, com certeza, não estaríamos aqui.

Lá atrás, enquanto ainda editávamos Corumbiara, caso enterrado, passamos a quebrar a cabeça diariamente para saber como faríamos para voltar a Rondônia, agora com o livro em mãos. Como a Editora Elefante não tem fins lucrativos, um gasto como este é proibitivo. Inviável. Tínhamos de encontrar soluções criativas ou descobrir parceiros que tivessem soluções criativas. E, graças ao imenso carinho que nosso trabalho despertou, estes parceiros apareceram, no Ifro de Colorado e de várias outras cidades, na Universidade Federal de Rondônia (Unir) e em várias instituições acadêmicas que organizam uma série de eventos muito interessantes. Passaremos nas próximas semanas por Cacoal, Rolim de Moura, Ji-Paraná, Ouro Preto do Oeste, Ariquemes e Porto Velho.

Mas, antes, temos um compromisso firme e forte com a turma do Cone Sul, onde ocorreram, há vinte anos, os fatos narrados em Corumbiara, caso enterrado. Não víamos a hora de retornar a Vilhena para dialogar com a galera que mais conhece sobre os fatos ocorridos em 9 de agosto de 1995 na fazenda Santa Elina — e que resultaram em pelo menos doze mortes. Ouviremos com toda a atenção tudo o que o povo rondoniense tem a dizer.

Os debates no Ifro de Colorado durarão um dia inteiro e contarão com a presença de representantes de movimentos sociais e acadêmicos envolvidos no estudo da questão agrária. Na sexta-feira, 11 de setembro, começamos o dia numa prosa com os alunos da Cooperativa Educacional de Vilhena, participamos do Encontro dos Comunicadores da Região Sul de Rondônia e fechamos com um debate com alunos do curso de Jornalismo da Unir. No sábado, 12 de setembro, lançamos o livro-reportagem na Livraria Café e Letras, agora em novo endereço.

Durante todos os eventos em Rondônia, Corumbiara, caso enterrado estará à venda por um preço camarada. A Editora Elefante decidiu cortar o frete dos exemplares de São Paulo a Vilhena. Com isso, o valor cai de R$ 37 para R$ 30. Esta é uma das maneiras de retribuir o imenso carinho que muitas pessoas vêm demonstrando nas redes sociais, nos e-mails, nas conversas por telefone. Valeu por tudo, pessoal! O melhor começa agora.

lancamentos_setembro_ro

Corumbiara, caso enterrado será vendido com descontão em Rondônia

Amigas e amigos de Rondônia, vocês têm sido tão gente boa conosco que resolvemos dar uma boiada. Esta semana, pousamos no estado para uma série de debates, entrevistas, palestras. Durante estes eventos, Corumbiara, caso enterrado será vendido sem o preço de frete. Nós, da Editora Elefante, decidimos retirar o custo do transporte dos livros de São Paulo a Vilhena para garantir que o trabalho seja acessível a ainda mais gente. Com isso, o valor cai de R$ 37 para R$ 30 – e com direito a uma dedicatória do autor.

Esta é uma das maneiras que encontramos para retribuir o imenso carinho, interesse e engajamento que muitas pessoas vêm demonstrando nas redes sociais, nos e-mails, nas conversas por telefone. Há um tantão de gente mobilizada para garantir belos momentos em nossa passagem pelo estado – e para difundir o livro entre os leitores e as leitoras rondonienses.

Não faltarão oportunidades para adquirir um exemplar economizando uns caraminguás. Ao longo dos próximos quinze dias, serão 15 eventos espalhados por oito cidades: Vilhena, Colorado do Oeste, Cacoal, Rolim de Moura, Ji-Paraná, Ouro Preto do Oeste, Ariquemes e Porto Velho. Debateremos o livro-reportagem sobre o chamado “massacre de Corumbiara” com professores, estudantes, advogados, historiadores, jornalistas e quem mais se interesse por esse trabalho: o mais completo já publicado sobre o conflito agrário que entristeceu o Cone Sul de Rondônia em agosto de 1995.

Sempre haverá quem diga que R$ 30 ainda é muito caro. Se dependesse apenas de nós, presentearíamos com este livro todo mundo que quisesse. Mas, infelizmente, há prejuízos a saldar. Como calculamos o preço de Corumbiara, caso enterrado? Somamos o valor da impressão aos gastos que tivemos até o primeiro lançamento, em 20 de julho, em São Paulo. Desconsideramos totalmente aquilo que investimos no processo de apuração porque isso deixaria o preço muito mais alto. E chegamos à conclusão de que R$ 30 seria razoável para equilibrar a necessidade de pagar os custos da tiragem de mil exemplares e as possibilidades econômicas dos leitores.

Comprar nosso livro-reportagem não é apenas um ato individual de quem tem interesse em saber mais sobre o chamado “massacre de Corumbiara”. Trata-se também de ajudar a sustentar coletivamente uma iniciativa voltada ao fortalecimento do mercado editorial independente brasileiro. Se cada um coloca R$ 30 nessa história, não fica pesado pra ninguém e garantimos o lançamento de outros títulos sobre temas tão relevantes e tão esquecidos quanto este. E a Editora Elefante já está trabalhando em novos livros.

É certo que nossas iniciativas não têm o apelo comercial de um Paulo Coelho, de um Harry Potter, de um 50 tons de cinza. Ainda bem que é assim. Mas tudo o que publicamos tem um inegável valor cultural, artístico, jornalístico e de defesa do interesse público. Vender um livro-reportagem deste tipo a R$ 60 seria, portanto, contraditório com nosso objetivo de fazer com que as ideias voem longe, com que nosso trabalho seja usado, abusado e reproduzido, com que cada vez mais gente desperte para o desapegar de estruturas envelhecidas, que já não dizem nada sobre nossas verdadeiras necessidades.

Aproveite que estamos bonzim demais. Esta semana, encontramos vocês em Vilhena e em Colorado do Oeste. Bora lá!

Corumbiara, caso enterrado é recebido na ECA-USP com debate sobre jornalismo independente

O livro-reportagem Corumbiara, caso enterrado foi apresentado na noite de ontem, 3 de setembro, a estudantes de Jornalismo da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Foi o último evento realizado em São Paulo antes da sequência de debates e lançamentos em Rondônia, palco do conflito agrário conhecido como “massacre de Corumbiara”, cuja história e desdobramentos são destrinchados pela obra de maneira inédita. O périplo se inicia na próxima quinta-feira, 10 de setembro, em Colorado do Oeste.

O autor João Peres foi à ECA-USP a convite dos professores Dennis Oliveira e Luciano Maluly. Cerca de trinta estudantes participaram do debate, formulando perguntas principalmente sobre as dificuldades de produção de Corumbiara, caso enterrado – o que rendeu uma longa discussão sobre os desafios do jornalismo e de publicações independentes, além de reflexões sobre a importância de abordar, em profundidade, episódios mal explicados da história recente do país amplamente ignorados pelos meios de comunicação.

Compre agora!

“Foi uma conversa muito produtiva. Os estudantes demonstraram bastante interesse em debater o livro e, para além dele, os desafios frente ao jornalismo neste momento complicado”, explica João Peres, ressaltando que as empresas de comunicação passam por uma de suas maiores crises, com demissões em massa, redução de circulação e perda de relevância. O autor sublinhou ainda a importância de trocar experiências com a universidade – e com a ECA, em particular, onde se gradou e onde nasceu a Editora Elefante.

“O diálogo com o mundo acadêmico é sempre muito importante. Até agora, temos visto que está nas faculdades um dos públicos que mais teve interesse pelo livro”, afirmou, ao citar que a série de debates e lançamentos em Rondônia só será possível graças ao engajamento da comunidade universitária local. “No caso da ECA, pela ligação afetiva, havia a expectativa de saber qual seria o grau de envolvimento dos alunos com um tema que, a princípio, nos parece tão distante. O resultado da conversa foi surpreendente nesse sentido porque várias das perguntas demonstraram uma vontade grande de saber mais.”

Livro sobre ‘massacre de Corumbiara’ será lançado na próxima semana no Cone Sul de Rondônia

Rondônia, aí vamos nós!

Já está mais que confirmado: João Peres, autor de Corumbiara, caso enterrado, desembarca em Vilhena na próxima quarta-feira, 9 de setembro, para uma temporada de lançamentos e debates por oito cidades de Rondônia. A turnê começará pelo Cone Sul, palco do conflito agrário que, há vinte anos, deixou um rastro de medo e violência na região. Além de Vilhena, o autor apresentará seu livro em Colorado do Oeste, Cacoal, Rolim de Moura, Ji-Paraná, Ouro Preto do Oeste, Ariquemes e Porto Velho.

“É muito importante retornar a Rondônia para entender de que maneira aqueles que mais conhecem o assunto – os rondonienses – têm recebido o livro”, afirma João Peres, lembrando que muitos leitores do estado já adquiriram exemplares pela internet, no saite da Editora Elefante, ou em livrarias locais. “Até agora, o retorno que tivemos é positivo.”

Em julho de 1995, famílias do sul de Rondônia ocuparam a fazenda Santa Elina, em Corumbiara, um gigante de 18 mil hectares. No cumprimento do mandado de reintegração de posse, em 9 de agosto, ocorreu um conflito – e doze mortes. Cinco anos mais tarde, três policiais e dois sem-terra foram condenados. Esse resumo pode ser encontrado em qualquer narrativa sobre os fatos. O essencial de Corumbiara, caso enterrado é cavocar além das aparências, dos números, da superfície – o que ninguém havia feito até agora.

O livro será apresentado em Rondônia graças aos esforços de profissionais do Instituto Federal de Rondônia (Ifro), que viabilizaram as passagens aéreas, além de uma rede de apoiadores dentro da Universidade Federal de Rondônia (Unir) e do Centro Universitário Luterano de Ji-Paraná, que se desdobrou em esforços e articulações para que o autor, João Peres, pudesse discutir Corumbiara, caso enterrado com os leitores rondonienses.

 

Compre agora!

Na próxima quinta-feira, 10 de setembro, o Ifro de Colorado do Oeste sediará uma série de debates sobre o livro e da questão agrária em Rondônia. Está prevista a participação de representantes de movimentos sociais e de pesquisadores do tema, com sessão de autógrafos no final da tarde.

No dia seguinte, 11 de setembro, os alunos do curso de Jornalismo da Unir, em Vilhena, conversarão com o autor a respeito da cobertura de temas relacionados a reivindicações e conflitos, com a presença de camponeses que participaram da ocupação da fazenda Santa Elina, em 1995.

Encerrando a agenda no Cone Sul, a livraria Café e Letras, em nova sede, no centro de Vilhena, receberá João Peres para uma tarde de lançamento no sábado, 12 de setembro. Será mais uma oportunidade para conversar com os leitores e colher impressões a respeito do livro, publicado em São Paulo pela Editora Elefante em 20 de julho.

Depois, Corumbiara, caso enterrado pega a estrada para uma série de debates organizados por acadêmicos e representantes de movimentos sociais interessados no tema em outras cidades de Rondônia ao longo da BR-364. A turnê termina em Porto Velho, com encontros promovidos pelo curso de Jornalismo da União das Escolas Superiores de Rondônia (Uniron) e por representantes do curso de História da Unir e da Associação Nacional de História. Há ainda outros eventos a serem confirmados. Aguardem!

lancamentos_setembro_ro

Estão sentindo a azia?

Nós aqui da Elefante em Quadrinhos estamos ansiosos pelo lançamento do nosso próximo título: Cabuloso Suco Gástrico, uma compilação das melhores tiras publicadas por Breno Ferreira no blogue de quadrinhos mais digestivo da internet brasileira. Estão sentindo a azia?

O projeto gráfico já está pronto – e está lindo. Agora, estamos trabalhando duro na diagramação, enquanto o autor finaliza algumas tiras inéditas para dar aquele tchans no livro. Será a primeira HQ solo de Breno Ferreira – então, tem que caprichar. E o rapaz está caprichando. Aqui vai um pedacinho da capa pra vocês darem uma espiada:

rascunho-capa

Estamos bem felizes com a expectativa de colocar no mundo mais uma HQ que até então só existia no turbilhão de algoritmos da internet – ou em gavetas engorduradas por aí. Foi o que fizemos com Ignóbil, de Dáblio C., quadrinista de São Bernardo do Campo. Conhece? Não! Ô, minha gente, ficou demais. Como já disseram por aí, “Dáblio C. faz quadrinhos underground no esquema zapcomic: quadrinho sujo, honesto, direto, sem frescura, muitas vezes abordando temas pesados.”

Onde comprar Corumbiara, caso enterrado

Corumbiara, caso enterrado está à venda pela internet e também em livrarias e espaços culturais. Na última semana, fechamos acordo com a Blooks, que tem lojas no Rio de Janeiro e em São Paulo. O trabalho está disponível também na Loja do Livro, em Porto Velho, capital do estado em que ocorreu a história narrada em nosso livro-reportagem. Perto do local das doze mortes registrada na fazenda Santa Elina, no chamado ‘massacre de Corumbiara’, Vilhena foi a primeira a receber exemplares.

Em Manaus, ao lado do Teatro Amazonas, a charmosa Banca do Largo também oferece esta leitura fundamental sobre o Brasil contemporâneo. Em São Paulo, a Livraria do Espaço, no antigo Espaço Unibanco da Rua Augusta, atual Espaço Itaú, encarregou-se de levar adiante este trabalho.

Continuamos em contato com outros espaços interessados em receber o livro-reportagem. Buscamos sempre garantir o equilíbrio entre os anseios de quem vende, a necessidade de garantir o pagamento das investimentos feitos pela Editora Elefante, que não tem fins lucrativos, e o oferecimento de um preço acessível ao leitor. Se tiver interesse em oferecer Corumbiara, caso enterrado na sua cidade, entre em contato pelo editoraelefante@gmail.com.

Se não está em nenhuma dessas cidades, não há motivo para se preocupar: as vendas continuam pela internet. Pode encomendar seu exemplar em nossa página ou com nossos parceiros do Outros Livros. O preço (R$ 37) é o mesmo para qualquer parte do Brasil, com frete fixo.

Onde comprar

Porto Velho

Loja do Livro
Rua Rogerio Weber, 1987
Centro
(69) 3211.5262

Vilhena

Banca do Zoio
Av. Capitão Castro, 3770
Centro
(69) 3322.6112

Manaus

Banca do Largo
Largo São Sebastião, ao lado do Teatro Amazonas
(92) 3234.8856

São Paulo

Livraria do Espaço
Espaço Itaú de Cinema na Rua Augusta
(11) 3141-2610

Shopping Frei Caneca
Rua Frei Caneca, nº 569 – 3º Piso
(11) 3259-2291

Brasília

Livraria do Chiquinho
Campus UnB entrada Norte, CEUBinho
(61) 3307-3254

Rio de Janeiro

Blooks Livraria
Praia de Botafogo, 316
(21) 2237-7974

Livro-reportagem sobre massacre de Corumbiara será debatido esta semana na USP

O autor de Corumbiara, caso enterrado, João Peres, o fotógrafo Gerardo Lazzari e o coordenador editorial da Editora Elefante, Tadeu Breda, conversam esta semana com alunos do curso de Jornalismo da Universidade de São Paulo. Na quinta-feira à noite, o livro-reportagem sobre o episódio conhecido como ‘massacre de Corumbiara’ será debatido na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, na zona oeste da capital paulista. O encontro é aberto ao público.

Este será o primeiro evento sobre o trabalho no âmbito acadêmico. Antes, em julho e agosto, lançamentos foram realizados em São Paulo, Osasco e Brasília, sempre com boa repercussão. Agora, os professores Luciano Maluly e Dennis Oliveira se dispuseram a organizar uma conversa entre os futuros jornalistas e os autores do trabalho.

João Peres se formou em 2007 na ECA. O trabalho de conclusão de curso foi sobre os trabalhadores bolivianos em São Paulo, tema que tem despertado cada vez mais atenção. De lá para cá, cobriu eleições, consultas populares e momentos de crise no Brasil, na Argentina, na Venezuela, na Colômbia e na Bolívia. No interior do país, fez reportagens sobre direitos humanos, agricultura, agrotóxicos e relações de trabalho.

Também o coordenador editorial é formado no curso de Jornalismo da USP. O primeiro trabalho no catálogo da Editora Elefante é O Equador é verde – Rafael Correa e os paradigmas do desenvolvimento, de Tadeu Breda, publicado em 2010.

Compre agora!

Corumbiara, caso enterrado é o primeiro livro-reportagem sobre o chamado ‘massacre de Corumbiara’, ocorrido em 9 de agosto de 1995 no sul de Rondônia. Durante operação de reintegração de posse na fazenda Santa Elina, ao menos doze pessoas morreram – nove policiais, dois sem-terra e um rapaz não identificado. O caso resultou em processos contra PMs e posseiros e, em 2000, cinco pessoas foram condenadas no júri popular realizado em Porto Velho, num desfecho até hoje contestado por várias organizações e pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

O lançamento da Editora Elefante entrevista sem-terra, policiais, políticos, advogados, integrantes de movimentos sociais, promotores e juiz. Revisa processos e documentos. Promove o cruzamento de dados para tentar oferecer ao leitor um conjunto que permita formar a própria opinião. Busca romper a dicotomia empobrecedora que tenta a tudo enquadrar: bons e maus, amigos e inimigos.

 

 Debate sobre Corumbiara, caso enterrado
Auditório Freitas Nobre – Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA-USP
Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443 – Cidade Universitária – São Paulo Quinta-feira, 3 de setembro, 19h30

 

Corumbiara, caso enterrado
será debatido e lançado em Rondônia

O autor de Corumbiara, caso enterrado, João Peres, e o coordenador editorial da Editora Elefante, Tadeu Breda, vão a Rondônia em setembro para lançar e debater o livro-reportagem. Ao longo de quinze dias, o trabalho sobre o chamado “massacre de Corumbiara” será discutido com estudantes, professores, assentados, representantes de movimentos sociais e com o público em geral.

A visita ao estado onde se passou o caso, há vinte anos, será possível graças aos esforços de grupos do Instituto Federal de Rondônia (Ifro) e da Universidade Federal de Rondônia (Unir). A agenda de compromissos ainda está sendo fechada e será tornada pública em breve, aqui, no saite da Editora Elefante, e em espaços públicos das cidades nas quais os eventos serão realizados.

Já há lançamentos e debates programados em Vilhena, Colorado do Oeste, Rolim de Moura, Ji-Paraná e Porto Velho. Ainda estamos conversando sobre a possibilidade de organizar encontros em outras cidades. Por isso, se tiver interesse em nos ajudar na organização e na divulgação de eventos, entre em contato pelo e-mail editoraelefante@gmail.com. Além do livro-reportagem, estão previstas discussões sobre os desafios e a importância de se manter uma editora independente no Brasil.

Compre agora!

Para nós, voltar a Rondônia com Corumbiara, caso enterrado debaixo do braço é um imenso prazer. Estamos ansiosos e felizes por poder debater este trabalho com a população que melhor conhece os fatos ocorridos em 9 de agosto de 1995 na fazenda Santa Elina, no Cone Sul rondoniense. Durante operação de reintegração de posse, doze pessoas morreram – nove sem-terra, dois policiais militares e um rapaz não identificado. Na passagem pelo estado, esperamos ouvir sugestões sobre como melhorar este trabalho, que tem nos surpreendido com o interesse que despertou pelo resgate de um episódio esquecido da história do Brasil.

Personagem de Corumbiara, caso enterrado
é preso pela Polícia Federal em Rondônia

O advogado Carlos Eduardo Pietrobon está preso em Porto Velho sob acusação de participação em esquema de desvio de recursos da prefeitura de Vilhena, no sul de Rondônia. Pietrobon foi detido pela Polícia Federal no último dia 15 de agosto na esteira da Operação Stigma, que apura corrupção envolvendo verbas da União enviadas ao município.

Pietrobon, que não fazia parte da administração do prefeito Zé Rover, é suspeito de montar um “governo paralelo” em seu escritório de advocacia, segundo noticiou a imprensa local. O Ministério Público Federal diz que Zé Rover e alguns secretários chegavam a despachar diretamente no espaço. O advogado sempre fez questão de ressaltar publicamente as boas relações que mantinha com o prefeito.

O filho dele, Bruno Pietrobon, foi chefe de gabinete de Zé Rover e também está preso no Centro de Correição da Polícia Militar em Porto Velho, para onde os dois foram levados, já que em Vilhena não há celas de prisão especial — privilégio a que advogados têm direito. Ambos apresentaram pedido de habeas corpus à Justiça Federal para que possam responder ao processo em liberdade. Além deles, foi detido Gustavo Valmórbida, ex-secretário de Governo.

A Operação Stigma teve início em julho com a apreensão de documentos em uma empresa que presta serviços à prefeitura. Nas últimas semanas, foram descobertas conexões ilegais entre a administração pública e outras duas pessoas jurídicas. Antes da prisão dos Pietrobon e de Valmórbida, a Polícia Federal prendeu Nicolau Júnior de Souza, assessor de Zé Rover, visto como a conexão entre as várias pontas do esquema de desvio.

Histórico

Pietrobon foi advogado da maior parte dos policiais militares levados a julgamento pelo caso conhecido como “massacre de Corumbiara”. Ele dividiu a defesa com Cícero Dantas e Lídio Luís Chaves Barbosa, que também atuam na região. Em entrevista concedida em abril de 2014 a João Peres, autor de Corumbiara, caso enterrado, Pietrobon afirmou ser injusta a condenação dos soldados Airton Ramos de Morais e Daniel da Silva Furtado. A leitura é de que não havia provas da autoria dos crimes cometidos em 9 de agosto de 1995 durante reintegração de posse na fazenda Santa Elina, no sul de Rondônia, que resultou em doze mortes.

Pietrobon é integrante da velha guarda da advocacia rondoniense. Está entre os profissionais liberais que se mudaram ao estado nos anos 1970, com a explosão migratória provocada pela ditadura, que acabou por desembocar na emancipação territorial no começo da década de 1980. “Você vem de lá, vende tudo o que tem. Vem para cá e fica maravilhado. Se instala aqui. Você não vai mais embora. Os desafios são outros. Em São Paulo a concorrência é pesada, só sobrevive quem é rei. Aqui é diferente. Você tem relações mais próximas, é um troço pequeno. É melhor para trabalhar”, contou.

“Eu não defendo bandido. Eu defendo o direito à mais ampla defesa. Não defendo a criminalidade”, acrescentou. “Isso você vai observar em advogado antigo. Matou a mulher, é bandido. Não, espera aí. Por que você matou a mulher? Você tem que explorar o que aconteceu. Matou a mulher porque estava na cama com outro. Opa, aí é violenta emoção. Não estou defendendo o fato de você matar sua mulher, mas temos que ver o que aconteceu para saber se é inocente, se é culpado. Quem vai julgar é o juiz, é o jurado, não somos nós.”

Após lançamento em Brasília, Corumbiara, caso enterrado será debatido na USP

Corumbiara, caso enterrado cumpriu mais uma importante etapa: o lançamento em Brasília, na última terça-feira, 18 de agosto, foi o terceiro neste primeiro mês de vida do livro-reportagem que conta a história do chamado “massacre de Corumbiara”. O Balaio Café, na Asa Norte, recebeu pessoas de diferentes áreas de atuação interessadas em saber mais sobre o conflito agrário ocorrido há vinte anos no sul de Rondônia.

Exatamente 30 dias depois do evento de lançamento em São Paulo, já se pode dizer que o trabalho tem cumprido um papel importante no resgate histórico de um capítulo esquecido do Brasil pós-ditadura. Enquanto a maior parte da imprensa decidiu ignorar o “aniversário” de duas décadas do caso, no último 9 de agosto, o livro-reportagem foi um instrumento importante para quem não quis deixar a data passar em branco. Leitores de todo o país têm enviado mensagens de apreço por Corumbiara, caso enterrado, enaltecendo a tentativa de mostrar a complexidade das diferentes versões sobre o caso.

Em julho de 1995, famílias sem-terra ocuparam um pedaço da fazenda Santa Elina, de 18 mil hectares, localizada entre Corumbiara e Chupinguaia, em Rondônia. Durante operação de reintegração de posse iniciada na madrugada de 9 de agosto, doze pessoas morreram – nove posseiros, dois policiais e uma pessoa não identificada. Cinco anos mais tarde, foram condenados três PMs e dois líderes da ocupação. O resumo desta história em um parágrafo é insuficiente. Por entendermos que é preciso ir muito mais a fundo, lançamos Corumbiara, caso enterrado.

Agora, vamos à próxima etapa. O livro será debatido no dia 3 de setembro, às 19h30, na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). Os professores Dennis de Oliveira e Luciano Maluly, do Departamento de Jornalismo e Editoração, reunirão os alunos para uma conversa com o autor, João Peres, e com o coordenador editorial da Editora Elefante, Tadeu Breda. O evento é aberto ao público. Esperamos vocês!

cover_eca

Página 11 de 14« Primeira...910111213...Última »