Elefante vs. Amazon

Se você está com a Editora Elefante há mais tempo, certamente já recebeu e-mails explicando como é importante para nós o gesto de pessoas que, como você, compram livros diretamente em nosso saite. Assim driblamos o pedágio das livrarias — sobretudo das grandes redes — e conseguimos valorizar cada um de nossos exemplares, o que possibilita o financiamento de novos títulos sem que leitores e leitoras paguem um centavo a mais por isso.

Com esta nova mensagem, pedimos licença para reforçar o argumento. O jornal duplamente golpista (1964 e 2016, não esqueçamos) Folha de S. Paulo publicou neste domingo, 15 de abril de 2018, em seu caderno “Ilustríssima”, o artigo “Contra a Amazon: razões para não gostar da gigante americana”, em que o escritor catalão Jorge Carrión elenca sete motivos para que não compremos livros neste hipermercado virtual globalizado e globalizante.

O texto reforça — e muito — o entendimento da Editora Elefante sobre a espinhosa questão da venda e distribuição de livros. Não, não somos contra a internet. Óbvio que não, né? Tampouco somos contra o comércio online. E muito menos contra as livrarias, sobretudo as pequenas. Quer prazer mais simples e delicioso do que passear por prateleiras, bater um papo com o livreiro (espécie em extinção), selecionar alguns títulos, pedir um café e demoradamente sentar-se em um sofá para folheá-los, escolhendo então essa boa companhia para dias chuvosos, pesquisas e fomes intelectuais em geral?

Devido à pequenez da Editora Elefante e à nossa incapacidade de entregar livros com a extrema agilidade que a pressa dos dias e das redes impõe a nossas vontades e desejos, temos enfrentado muitas queixas sobre a “demora” dos Correios em entregar os livros que vocês adquirem em nosso saite. Sim, lamentamos muito que essa empresa orgulhosamente pública, que foi um verdadeiro xodó dos brasileiros durante anos, esteja sendo submetida a um processo de sucateamento com vistas à privatização, com prejuízos a seus clientes: tanto aos remetentes (nós) quanto aos destinatários (vocês).

Nossa impossibilidade, minúsculos que somos, de atender imediatamente os pedidos de livros em nosso saite e o recente desleixo dos Correios podem alimentar desejos de encontrar formas mais ágeis de compra e envio. E aqui entra a Amazon, que promete entregar produtos em até uma hora depois da compra em mais de quarenta cidades do mundo — entre elas, Barcelona, de onde escreve Jorge Carrión. Mas, claro, isso tem um preço, um preço humano, que nós não temos condições nem vontade de pagar, nem de incentivar.

“Atualmente os ‘amazonians’ [trabalhadores da Amazon] são auxiliados por robôs Kiva, capazes de levantar 340 kg e de se mover na velocidade de 1,5 m por segundo. Sincronizados com os trabalhadores humanos através de um algoritmo, se ocupam de erguer e movimentar as estantes para facilitar a recolha dos produtos”, explica Carrión. “Uma vez reunidos os produtos que um cliente tenha comprado, outra máquina, chamada Slam, com sua enorme esteira, se encarrega de escaneá-los e embalá-los.”

Imaginem vocês nosso estarrecimento ao ficar sabendo disso. Nós, que somos duas pessoas na lida diária, que processamos os pedidos, empacotamos os livros e enviamos e-mails de agradecimento manualmente… “Para a Amazon, não existe diferença substancial entre patinhos de borracha, pacotes de bolachas, cachorrinhos de pelúcia e livros. São mercadorias de classe semelhante. Mas não para nós”, continua Carrión, ecoando nossa visão das coisas. “Para nós, um livro é um livro, é um livro. E a leitura dos livros — atenção e júbilo — é um ritual, o eco do eco do eco do que foi sagrado.”

Não iremos nos estender em citações. Vale a pena ler o artigo todo.

Queremos apenas reiterar a importância de vocês para a Editora Elefante. Cada livro que vocês compram diretamente conosco, ou cada livro nosso que vocês adquirem em pequenas livrarias — nas que estão resistindo ou nas que, contra todos os prognósticos, como as pequenas editoras, estão sendo corajosamente abertas nestes dias de ultraconectividade –, é uma ode à humanidade, às pequenas iniciativas literárias, ao cuidado não apenas com o objeto-livro mas com a ideia-livro. E também desconcentra renda.

Os preços e as condições de entrega da Amazon podem ser tentadores, mas é sempre bom saber o que existe por trás de cada desconto. Megacorporações que roubam seus dados, por exemplo, robotização indiscriminada, ritmos frenéticos de trabalho, empregados estressados. Por trás da Editora Elefante, em compensação, há uma rede de cabeças pensantes, profissionais talentosos, gente esforçada, pessoas imbuídas de uma paixão meio inexplicável por produzir livros bons, bonitos e baratos. E vocês, claro. Porque, sem querer parecer repetitivo, não seríamos nada sem vocês.

Continuem conosco, em manada.

Grande abraço,

Os paquidermes

Um olhar ‘equilibrado’ sobre Cuba

Na segunda-feira, 16 de outubro, a Editora Elefante lança seu décimo-sexto título retornando ao tema da América Latina, que marcou o início de suas publicações. Cuba no século XXI: dilemas da revolução, organizado por Fabio Luis Barbosa dos Santos, Joana Salém Vasconcelos e Fabiana Rita Dessoti, traz 22 artigos que procuram responder a perguntas-chave sobre a vida, a política, a economia e a sociedade cubanas, motivos de intensos debates quando se trata da ilha:

Por que a Revolução Cubana não caiu depois da ruína da União Soviética e dos regimes do Leste Europeu? Como a juventude se relaciona com a revolução? Cuba é uma democracia? Há censura na ilha? Os cubanos têm acesso e podem navegar livremente pela internet? Há machismo, homofobia e racismo no úncio país socialista das Américas? O empreendedorismo está crescendo em Cuba? Para onde levará as tentativas de reaproximação com os Estados Unidos? Há desemprego na ilha?

Trata-se de um livro escrito por pesquisadores que simpatizam com as conquistas do movimento liderado por Fidel Castro em 1959, mas que nem por isso fecham os olhos para os problemas do processo. “Este é o melhor texto sobre Cuba ao alcance do leitor brasileiro na virada dos anos 2017-2018”, escreve Frei Betto, no prefácio, “leitura obrigatória para quem, frente a Cuba, reage com equilíbrio, sem o reacionarismo anticomunista dos que veneram o capitalismo nem o esquerdismo infantil e dogmático de quem considera a Revolução Cubana o paraíso na Terra.”

Cuba no século XXI: dilemas da revolução é resultado de uma parceria entre Editora Elefante e o projeto de extensão “Realidade Latino-Americana” da Universidade Federal de São Paulo, que reuniu 33 investigadores de várias universidades brasileiras (Unifesp, USP, Unicamp, Unirio, UFRR e Unila) e de diferentes áreas do conhecimento (Relações Internacionais, História, Economia) em estudos coletivos, leituras e palestras, ocorridas no Memorial da América Latina, em São Paulo, ao longo de 2016. A jornada culminou com uma viagem à ilha em dezembro de 2016, para pesquisas de campo e entrevistas com pesquisadores, movimentos, dirigentes políticos e instituições especializadas.

Os autores formam um grupo politicamente diverso, mas que encontra pontos em comum na defesa do pensamento crítico, no compromisso com a transformação social e na rejeição aos dogmatismos. A partir desta perspectiva, entregam ao leitor um material de formação política e histórica, visando estimular o debate e a reflexão fraterna, em sintonia com quem encontra na experiência cubana um ponto inescapável para o estudo da América Latina. Não pretendem apresentar a Revolução Cubana como “modelo” ou “contra-modelo”, mas sim analisar as lições que sua história pode nos oferecer para o presente e o futuro.

CUBA NO SÉCULO XXI
Organização: Fabio Luis Barbosa dos Santos, Joana Salém & Fabiana Dessotti
Fotos: Matheus Paschoal & Ellen Elsie
Prefácio: Frei Betto
Capa: Ana Carolina Soman
Projeto gráfico: Bianca Oliveira
Editora Elefante
Páginas: 256
Publicação: Outubro de 2017
Dimensões: 13,7 x 21​ cm

LANÇAMENTO
Dia 16/10, às 19h
Debate com Frei Betto
Memorial da América Latina
Auditório da Biblioteca
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664
Barra Funda
São Paulo-SP
Entrada franca