Presente de fim de ano?
Lembre-se dos elefantes

Chegou a hora daquela enxurrada de amigo secreto, festas de fim de ano, Natais e sabe-se lá o que mais. E você conhece vários sangue bão que merecem um belo presente, mas não quer ficar na zoeira tradicional de perfuminho, bijuteria, roupa, livros-que-custam-os-olhos-da-cara. Ou pior: você simplesmente não sabe o que dar…

Seus problemas acabaram: um quadrinho bacana, um livro-reportagem responsa, um material editado com carinho: dá um zói na lojinha virtual da Editora Elefante. É a chance de romper com vários vícios de uma vez só. E, além disso, agradar uma pessoa que você preza e considera.

Ao presentear com livros da Editora Elefante, você fortalece uma iniciativa independente e sem fins lucrativos. De quebra, ainda faz deste um momento culturalmente fértil para quem recebe o agrado. E o que é melhor: sem gastar os tubos, porque sempre buscamos o melhor equilíbrio entre nossos custos e o bolso de quem compra.

Ajudar a enriquecer ainda mais uma livraria que não permite que outras cresçam a seu redor? E uma editora que paga migalhas a seus autores? Bah, para com isso. A Editora Elefante não está e não quer estar nos circuitos comerciais da vida. Nosso rolê tem outra pegada. Acreditamos na proximidade entre pessoas, na criação de laços de afinidade sólidos, sem essa de usar o trabalho dos outros para enriquecer.

Por enquanto, não temos muitas opções, é verdade, já que retomamos atividades de fato neste dois mil e crises (vulgo 2015) que já se prepara para nos deixar, não sem o prenúncio de que amanhã será pior. Mas o que temos é, se nos permite o momento de nos sentirmos a última bolacha do pacote, foda. Confere aê:

 

cabuloso_3Cabuloso Suco Gástrico. Acabamos de lançar os quadrinhos ácidos de Breno Ferreira, rapaz de Limeira que não dá bobeira. Uma seleção com as melhores tirinhas, mais dez inéditas, no primeiro trampo solo de um sujeito que promete – até a Laerte, lenda viva, recomendou.

 

 

ignobil_3Ignóbil. O universo sujo de Dáblio C, um sujeito maluco de São Bernardo, no ABC paulista, só poderia sair das profundezas pelas páginas de uma editora tão biruta quanto. São mais de cem páginas de drogas, álcool, sexo (não se prenda aos padrões heteronormativos do patriarcado) e todo tipo de assunto do universo pra lá de underground.

 

 

corumbiara_3Corumbiara, caso enterrado. Este ano, um caso absurdo completou duas décadas. E fomos dos poucos a não deixar passar em branco o chamado “massacre de Corumbiara”, que ganhou finalmente seu primeiro livro-reportagem. O trabalho do repórter João Peres vai além do resumo óbvio e busca apontar acertos e erros de todos os envolvidos.

 

 

o_equador_e_verde_3 O Equador é verde. Chegou ao fim de 2015 sem um puto no bolso? De boa. A gente entende. Não estamos muito melhor, pra falar a real. Nosso primeiro livro-reportagem, lançado em 2011 e esgotado, pode ser baixado gratuitamente em PDF. Como não temos planos de reimprimi-lo, decidimos colocá-lo à disposição num momento em que o governo de Rafael Correa mostra sinais de esgotamento e inequívoca mudança de rumos.

 

Então, minha amiga, meu amigo, sem mais palavras, convidamos a entrar nessa o quanto antes. Agora, se você tiver de presentear um mala daqueles, que te atazanou o ano todo, pode dar uma autoajuda bem bobinha. Ou apostar que um de nossos livros ajude a clarear um pouco o horizonte do figura.

Demos umas trombadas na Feira Miolo(s) de publicações independentes

Os elefantes aqui estão muito felizes – felizes demais – com nossa primeira participação na Feira Miolo(s). Chegamos cedo à Biblioteca Mario de Andrade, enquanto o centro de São Paulo acordava com uma luz embaçada em que todo aquele concreto fica ainda mais cinza. O frenesi dos feirantes gráficos na frente da biblioteca, descarregando carros e táxis, contrastava com o sossego de uma manhã chuvosa antes dos comércios abrirem suas portas.

Era sábado, 7 de novembro. Nem os botecos mais madrugadores tinham notas miúdas no caixa para ajudar a remediar o desleixo de quem pretende vender livros sem trocado no bolso. Sorte que o japonês da banca era mais esperto que todo mundo e havia se precavido com cédulas de dez em quantidade – e simpático para dividir algumas conosco.

Deu tudo certo. E, no final, quem passeou pelas dezenas de bancas espalhadas pela Mario de Andrade usou e abusou do cartão. Crédito ou débito? Quer sua via? É curioso estar do lado de cá do balcão. E eram muitos balcões: tanta gente que todo mundo dividiu mesa. Cotovelo com cotovelo, perna encolhida. Melhor: assim dá mais contato.

A Editora Elefante levou três dos quatro títulos de seu catálogo: os quadrinhos Ignóbil, de Dáblio C., e Cabuloso Suco Gástrico, de Breno Ferreira; e o livro-reportagem Corumbiara, caso enterrado, de João Peres. O Equador é verde, de Tadeu Breda, só não foi porque já está esgotado. Em compensação, carregamos conosco a primeira publicação dos camaradas da Editora Autonomia Literária: A Origem do Estado Islâmico, de Patrick Cockburn.

No início, estávamos meio tensos em meio a tanta boniteza: a galera capricha bagaray nas artes gráficas. Mas fomos muito bem recebidos – pelos colegas expositores e pelo público. Cada gravura, aquarela, serigrafia, cartaz, fotografia e livro de arte que vimos em cima das mesas ou dependurados em varais serviram de inspiração pra melhorar mais e mais. E os sorrisos silenciosos de quem passava, pegava, folheava, devolvia e seguia seu caminho também serviram de motivação. Isso sem falar, claro, nos que levaram pra casa um pedaço do nosso trampo.

Para além das vendas, que não foram ruins, o barato da Feira Miolo(s) foi saber que existe gente ligada nas mesmas coisas que nós: galera que não quer nem saber e publica meeeeeesmo. Nada de ficar esperando grandes corporações, grana, investimentos. Tem que fazer. Do jeito que dá. E dá cada coisa linda…

“Fazer a própria publicação, ir atrás de modelos gráficos, é uma das maiores libertações que existem. Você coloca aquilo no mundo, mostra pra outras pessoas, vê se aquilo funciona ou não para depois, enfim, ver o que vai fazer com aquilo”, disse, em seu podcast, a escritora Ana Rüsche, para quem a Miolo(s) deveria ter como subtítulo “chega de preguiça”. Concordamos. “Lá tem sete mil ideias maravilhosas de como você pode colocar um texto no papel, papel no papel, uma arte no papel, e é muito inspirador.”

Um puta prazer conhecer e dividir espaço com essa galera: olhar nos olhos, trocar ideia e apreciar o trabalho alheio para além das fotos embaçadas tiradas com celular que circulam pelo Facebook — como essa aí de cima. Tato, minha gente, tato. É importante. Cada vez mais importante.

No final, doamos um exemplar de cada um de nossos títulos à Biblioteca Mario de Andrade. A gente espera que os responsáveis pelo acervo sejam generosos com os elefantes e coloquem todos eles nas prateleiras. Assim, eles poderão chegar a ainda mais gente. Manadas, manadas. Vamos caminhando.

Ignóbil: Dáblio C. começa a sair da toca

O autor da primeira publicação da Elefante em Quadrinhos começou a sair da toca. Depois de ser colocado junto à fina flor da podreira brasileira pelo crítico de HQs Daniel Lopes, no Vlog da Pipoca e Nanquim, Dáblio C. foi convidado pelo pessoal da Subpraxis para estrelar um dos programas que o saite mantém no YouTube.

No SubTube Perfil 3, Dáblio C. conta um pouquinho – só um pouquinho – de sua trajetória como quadrinista underground de São Bernardo do Campo. “Acho que faço quadrinhos desde quando aprendi a ler e escrever”, relata. “Aprendi a ler lendo quadrinhos.” No vídeo, ficamos sabendo que o jovem Dáblio C., ainda sem essa barbicha imensa nem a cabeleira desgrenhada, acreditava que os quadrinhos se resumia ao mundo colorido de Maurício de Sousa e aos super heróis norte-americanos.

“Conheci Angeli, Laerte, Glauco. Pirei”, diz. “Antes, pra mim, quadrinho era só Turma da Mônica e os caras de roupa colada combatendo o mal.” A primeira grande influência de Dáblio foi uma revistinha de Angeli com a personagem Mara Tara. Então, pensou com seus neurônios: “Porra, posso falar o que eu quiser em quadrinhos.” Era um caminho sem volta. “Comecei a desenhar coisas que eu via nas ruas, nos bares, maluquices.”

Uma ótima seleção das observações cotidianas de Dáblio C. está no livro que a Elefante em Quadrinhos lançou em dezembro de 2014. Ignóbil é uma coletânea de histórias “quase-inéditas”, como define o próprio autor. “É minha primeira publicação mais profissional.” Até então, só era possível conhecer os desenhos de Dáblio C. em fanzines encardidos e algumas exposições coletivas – ou dividindo uma mesa de bar com o autor. “Depois do álbum, deu ânimo. Voltei a fazer histórias longas.”

Está em preparação “As Aventuras do Bebê Diabo”, ao estilo Goonies, aquele clássico da Sessão da Tarde, mas com doses de subversão e loucura. Vamos ver o que aparece. Quem leu Ignóbil certamente estará ansioso para conhecer a próxima criação de Dáblio. Se ainda não conhece, não perca tempo. A vida é curta, e as tiragens da Elefante, pequenas.

Ignóbil bem recomendado por aí

O editor e crítico de quadrinhos Daniel Lopes fez um vídeo recomendando Ignóbil, de Dáblio C., que a Editora Elefante publicou em dezembro de 2014. Saca só no vídeo abaixo, a partir dos 3’45”.

Daniel começou elogiando o cuidado gráfico que tivemos com nossa primeiro título em quadrinhos: “Gostei muito do acabamento. Eles capricharam, fizeram um trabalho bem legal.” Só faltou dizer que toda essa belezura se deve ao talento de nossa designer, Bianca Oliveira, que manda benzasso.

“O livro compila histórias produzidas pelo Dáblio C. da década de 1990 até hoje. Ele faz quadrinhos underground no esquema zapcomic: quadrinho sujo, honesto, direto, sem frescura, muitas vezes abordando temas pesados.”

Daniel citou as histórias “Suelem”, que abre o Ignóbil contando as desventuras de um rapaz que acaba se apaixonando por um travesti de programa, e “Ne me quitt pas”, que revela o amor de um funcionário de necrotério por uma defunta.

“Também tem tiração de sarro com o Batman e histórias biográficas do Dáblio C.”, completa. “É uma parada que vale a pena conhecer. Legal e inusitado esse lançamento: bem diferente.”

Daniel Lopes é editor do selo Vertigo/Panini. Além disso, mantém um blogue sobre quadrinhos bastante visitado: Pipoca e Nanquim. Gostou dos elogios ao Ignóbil? Então passa na nossa lojinha virtual e encomenda um, dois, quatro, dez. Despachamos para todo Brasil!