Descrição
Em uma época em que o capitalismo aparece para a consciência geral como o destino último da humanidade, inclusive para aqueles que fantasiam superá-lo com truques terminológicos (como “socialismo de mercado” etc.), é natural que o senso comum, inclusive ou sobretudo à esquerda, precisa ignorar ou recalcar o fato de que a crítica da economia política de Marx significa algo a mais do que a mera denúncia de falta de intervenção estatal e da má distribuição de renda e mercadorias. Ao recuperar uma tradição de leitura que vai da teoria crítica frankfurtiana aos críticos do valor-dissociação, passando pelas Novas Leituras de Marx, os textos apresentados neste livro abordam aspectos da teoria marxiana tais como o significado e a extensão da lógica dialética, o conceito de valor e sua crítica, a especificidade histórica do trabalho e a possibilidade de sua superação. Esses aspectos, por um lado, exigem fôlego intelectual, uma vez que tratam da intrincada trama conceitual que constitui o modo de produção capitalista, tornado apreensível por um pensamento que ultrapasse os estreitos limites do positivismo; por outro, essa mesma aridez (assim se espera) possui seu momento político na medida em que ela busca insuflar o espírito “do contra” e aquela negatividade intransigente do que Marx defendia como a “crítica impiedosa de todo o existente”.


















