Descrição
O mundo caminha a passos firmes rumo ao caos. A natureza está morta e não pode mais ser separada da sociedade. Tudo não passa de uma indistinta mistura de híbridos. Os seres humanos não possuem uma agência excepcional sobre o meio ambiente — não mais que nenhum outro elemento animado ou inanimado do cosmos. Será mesmo? Andreas Malm acha que não temos tempo a perder com egotrips intelectuais e, em O progresso dessa tempestade, revela que não tem medo de se queimar na fogueira das vaidades acadêmicas. Neste planeta em acelerado aquecimento, o ecologista sueco atesta que é mais importante do que nunca distinguir os âmbitos natural e social. Afinal, foram determinados seres humanos que conduziram o planeta à beira do colapso, ninguém mais. Apenas se reconhecermos a agência única da humanidade é que conseguiremos organizar uma resistência vitoriosa às mudanças climáticas e ao completo desastre socioambiental.
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A nova obra-prima de Andreas Malm, O progresso dessa tempestade, atende a uma necessidade urgente, assim como sua influente obra Capital fóssil. Em seu livro anterior, ele demonstrou que o capitalismo fóssil não foi predeterminado por Deus, pela natureza ou pela tecnologia, e que a resposta está na mudança de sistema, e não na mudança climática. Em seu novo estudo, ele nos ensina como podemos transcender essas filosofias ecológicas da moda, que obscurecem nossa compreensão e impedem a unidade entre teoria e prática ambientais. Não existe hoje obra mais definitiva desse tipo.
— John Bellamy Foster
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A teoria não parece ser uma das ocupações mais urgentes num mundo que se aquece rapidamente. Há aquela sensação incômoda de que a única coisa significativa a fazer neste momento é deixar tudo de lado e extinguir fisicamente a queima de combustíveis fósseis, esvaziar pneus, bloquear pistas de decolagem, fazer cerco a plataformas de petróleo, invadir minas de carvão. […] Já se disse tudo o que havia para ser dito; chegou a hora do confronto. Este ensaio não apresenta nenhum argumento a favor da contenção desses impulsos. Ele foi escrito, no entanto, com a crença de que certas teorias podem esclarecer a situação, enquanto outras podem obscurecê-la. A ação ainda é mais bem acompanhada por mapas conceituais que destaquem com alguma precisão as forças em conflito, e não por diagramas borrados e pensamentos confusos — dos quais, como veremos, não faltam exemplos. A teoria pode ser parte do problema. Se tudo está aberto à contestação em um mundo em aquecimento, o mesmo deve valer para a teoria: também ela é convocada a se explicar, demonstrar sua relevância e declarar suas contribuições, mesmo que alguns de seus produtores e consumidores jamais venham a (ou considerem a possibilidade de) recorrer à ação direta contra os combustíveis fósseis.
— Andreas Malm, na Introdução












