Ética do amor livre

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Ética do amor livre: guia prático para poliamor, relacionamentos abertos e outras liberdades afetivas
Autoras: Janet W. Hardy & Dossie Easton
Tradução: Christiane M. T. Kokubo
Ilustrações: Ariádine Menezes
Capa & projeto gráfico: Luciana Facchini
Edição: Tadeu Breda
Preparação: Paula Carvalho
Lançamento: setembro de 2019
Páginas: 362
ISBN: 978-85-93115-36-3
Dimensões: 15 x 23 cm

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Descrição

Compreender que a monogamia é uma construção ideológica não é tão difícil quanto romper com esse conceito na prática. Desde crianças, somos programados para o amor romântico. Por isso, se você decide pautar suas relações por padrões que escapam à tradição do “felizes para sempre”, pode enfrentar dificuldades: primeiro, para encontrar parceiros que compartilhem dos seus pensamentos sobre amor e sexo; depois, mesmo quando encontra alguém, porque você talvez se torne alvo da incompreensão de colegas de trabalho, vizinhos, familiares e amigos — e alguns deles não hesitarão em julgar suas opções, dedicando-lhe vocativos como “puta”, “galinha”, “vadia” etc. Mas, afinal, perguntam as autoras deste livro, qual o problema em ser promíscuo? Pautando-se por uma grande preocupação com o cuidado, o diálogo, a sinceridade e, claro, o consentimento das relações humanas, Ética do amor livre foi lançado em 1997 e ajudou muita gente a buscar o tipo de relacionamento que mais se aproxima dos próprios desejos e necessidades afetivas. Esta edição brasileira, atualizada pelas autoras e com texto de orelha da psicóloga Regina Navarro Lins, pode ser exatamente o que você estava precisando para compreender que os seres humanos desenvolveram múltiplas maneiras de se relacionar, e que a monogamia é apenas uma delas — e que não é nem melhor nem pior que todas as demais, desde que você possa escolher livremente o que deseja viver com a(s) pessoa(s) que ama.

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É comum se pensar no amor e no sexo como se eles nunca mudassem. A forma como amamos e nos relacionamos sexualmente é construída socialmente, e em cada época e lugar se apresenta de uma forma. Crenças, valores, expectativas determinam a conduta íntima de homens e mulheres. O amor romântico, que povoa as mentalidades, e é tão valorizado na nossa cultura, está com os dias contados. Esse modelo imposto de felicidade, além de não corresponder à vida real, gera sofrimento por induzir as pessoas à busca incessante do parceiro idealizado. Ocorre que estamos no meio de um processo de profunda mudança de mentalidades. A busca da individualidade caracteriza a época em que vivemos. O amor romântico propõe o oposto disso; prega que duas pessoas se transformem numa só. Na medida em que preservar a própria individualidade começa a ser fundamental, a ideia básica de fusão deixa de ser atraente porque vai no caminho inverso dos anseios contemporâneos. O amor romântico está saindo de cena, levando com ele a sua principal característica: a exigência de exclusividade. Com isso, aumenta o número dos que aceitam viver sem parceiro estável, recusando-se a se fechar em uma vida a dois. Sem a crença de que é necessário encontrar alguém que lhe complete, surge a possibilidade de variadas opções amorosas e sexuais. A corajosa obra de Janet W. Hardy e Dossie Easton, que agora chega a nós, brasileiros, é mais um sinal da revolução cultural que vivemos desde os anos 1960. Essa revolução ainda tem um longo caminho a percorrer, como se pode notar observando a realidade à nossa volta. As palavras que se referem a sexo ainda são “palavrões”, como o livro observa, ou termos médicos derivados do latim.

— Regina Navarro Lins, na orelha

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Muita gente sonha em viver em abundância de amor, sexo e amizade. Alguns acreditam que é impossível ter uma vida assim, se contentam com menos do que gostariam e acabam de certa forma se sentindo solitários e insatisfeitos. Outras pessoas tentam alcançar seus sonhos, mas pressões sociais externas ou seus próprios sentimentos acabam por interromper essa busca, e decidem manter esses sonhos no mundo da fantasia. No entanto, algumas poucas pessoas persistem e descobrem que amar, ter intimidade e fazer sexo abertamente com muita gente não só é possível como também pode ser recompensador de um jeito que jamais podiam imaginar. O amor livre tem sido realizado com sucesso há séculos — com frequência, sem muito alarde. Neste livro, vamos compartilhar técnicas, habilidades e ideais que funcionaram por quem seguiu por esse caminho.

Quem, afinal, pratica amor livre com ética? Nós. Assim como muitas outras pessoas. Talvez você também possa ser uma delas. Se você sonha com liberdade, com uma intimidade tanto erótica quanto com profundidade, com abundância de amizade, flerte e afeto, ou com a possibilidade de seguir os seus desejos para ver até onde eles chegarão, então você já deu o primeiro passo.

Por que escolhemos certas palavras?

A partir do momento em que você viu ou ouviu falar deste livro, provavelmente imaginou que alguns dos termos usados não fossem ter o mesmo significado a que você está acostumado. Que tipo de pessoa ficaria animada em se autodenominar promíscua? E por que insistiria em ser reconhecida pela sua ética? Na maior parte do mundo, promíscua é uma palavra altamente ofensiva para descrever uma mulher cuja sexualidade é voraz, indiscriminada e infame. É interessante notar que os termos análogos, garanhão ou pegador, usados para descrever homens altamente sexuais, são em geral usados para indicar aprovação e inveja. Se questionamos a respeito da moral de um homem, provavelmente escutaremos sobre a sua honestidade, lealdade, integridade e princípios elevados. Se perguntamos sobre a moral de uma mulher, é mais provável recebermos informações sobre sua vida sexual. Para nós, isso é um problema.

Então, temos orgulho em reivindicar a palavra promíscua como um termo de aprovação, até mesmo de afeto. Para nós, promíscua é uma pessoa de qualquer gênero que celebra sua sexualidade de acordo com a proposta radical de que sexo é bom e que é benéfico sentir prazer. Pessoas promíscuas podem escolher não fazer sexo algum, ou ficar à vontade para encarar um batalhão inteiro. Podem ser heterossexuais, homossexuais, assexuais ou bissexuais, ativistas radicais ou gente pacata.

— Dossie Easton & Janet W. Hardy, na introdução

 

SOBRE as autoras

Dossie Easton é uma terapeuta especializada em sexualidades alternativas, relacionamentos não tradicionais e tratamento para sobreviventes de trauma num consultório particular em São Francisco, na Califórnia. Foi em 1969, quando sua filha era recém-nascida, que ela se comprometeu com um estilo de vida sexualmente aberto. Realizou sua primeira oficina sobre como desaprender a ter ciúmes em 1973. Passou cerca de metade de sua vida adulta solteira, ou quase isso, com amantes, famílias de pessoas com quem dividia um teto e outras pessoas de seu círculo íntimo. Hoje vive nas montanhas ao norte de São Francisco.

Janet W. Hardy foi uma jovem promíscua durante a faculdade, mas depois, por mais de uma década, ensaiou um casamento tradicional heterossexual e monogâmico. Desde o fim desse casamento, a monogamia deixou de ser uma opção. Mesmo que a maioria das pessoas a considerem bissexual, ela se vê como alguém que transgride gêneros e não consegue entender como a orientação sexual deve funcionar se algumas vezes se é homem, outras vezes, mulher. É casada com uma pessoa que é biologicamente homem mas cujo gênero é tão flexível quanto o dela, o que é menos complicado do que parece. Ela ganha a vida como escritora, editora e professora, e vive em Eugene, Oregon.