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Genealogia da mineração contemporânea

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Genealogia da mineração contemporânea
Autor: Horacio Machado Aráoz
Tradução: João Peres
Prefácio: Carlos Walter Porto-Gonçalves
Orelha: Charles Trocate
Edição: Tadeu Breda
Preparação: Letícia Féres
Capa & projeto gráfico: Bianca Oliveira
Lançamento: setembro de 2019
Páginas: 304
Dimensões: 13 x 21 cm
ISBN: 978-85-93115-46-2

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Descrição

Desde que a primeira edição deste livro foi publicada, em 2013, uma grande quantidade de acontecimentos se deu no panorama da mineração transnacional na América Latina. Fatos não apenas importantes e graves, mas fatos no sentido de toda a densidade política que esse termo expressa. É o caso evidente do incomensurável crime massivo da Samarco no vale do rio Doce, no Brasil. E de crimes dirigidos a pessoas, como o assassinato de Berta Cáceres e a tentativa contra Gustavo Castro Soto, em Honduras; ou o assédio e a perseguição policial-judicial a Máxima Acuña, no Peru. Houve ainda mortos e feridos “ao acaso”, como nas violentas repressões das greves contra a mineradora Tintaya Marquiri, no Peru. Eu poderia mencionar os sucessivos vazamentos de milhões de litros de água cianetada pela Barrick Gold, em San Juan, no leste da Argentina; os quarenta mil litros de ácido sulfúrico nos rios Baranuchi e Sonora, no México; a contaminação dos mananciais que abastecem a população de Santo Antônio do Grama, em Minas Gerais, pela ruptura de um mineroduto da Anglo American; e tantos outros crimes contra a natureza que, no jargão mineiro, são apresentados como “acidentes”. […]

Assim, na atualidade como na origem, a mineração — a mineração colonial moderna — segue como a veia aberta mais lacerante e sangrenta, em nossa entidade histórico-geopolítica chamada de “América Latina”, mas também para além, em todo o Sul global. Esta história é uma história escrita por rastros cada vez maiores de sangue. Seus grandes feitos vão de massacre em massacre. Seus “avanços tecnológicos” são, na verdade, o aperfeiçoamento da arte da guerra, o uso eficaz da violência; o incremento na intensidade e na capacidade de controle, apropriação, extração e trituração das energias vitais, de montanhas, paisagens, corpos de água, biodiversidade.

***

Não há lugar no planeta que não esteja ligado de modo mais ou menos direto ao sistema-mundo que se constituiu a partir de 1492. Não esqueçamos que a exploração mineral é a certidão de batismo do sistema-mundo capitalista moderno-colonial e seu Princípio Potosí, como bem caracterizou Horacio Machado Aráoz. Não há dúvida entre os historiadores de que a inundação de ouro e prata teve um papel decisivo no desenvolvimento comercial e no advento da sociedade capitalista propriamente dita. E, mais, de que a centralidade geopolítica e geoeconômica que a Europa passa a desempenhar só se tornou possível quando o mundo se des-orientou, isto é, quando o atual sistema-mundo se conformou, deixando de girar em torno do Oriente, depois que os turcos tomaram Constantinopla (1492) e novos caminhos para chegar ao Oriente se desenharam. Potosí, cidade localizada na atual Bolívia, chegou a reunir, ainda no século xvi, mais de sessenta mil indígenas extraindo prata e se alimentando à base de coca, antes planta sagrada, pois que tornava possível a vida no Altiplano andino. Essa foi a primeira guerra do ópio do sistema que se constituía. Desde então, a superexploração da natureza e do trabalho passou a constituir o lugar da América Profunda/Abya Yala no sistema centro-periferia que se conformou.

— Carlos Walter Porto-Gonçalves, no prefácio

 

SOBRE O autor

Horacio Machado Aráoz é professor da Universidade Nacional de Catamarca, na Argentina, doutor em Ciências Humanas e pesquisador do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso).