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Introdução à teoria social latino-americana

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Introdução à teoria social latino-americana
Organização: Raphael Lana Seabra & Fabricio Pereira da Silva
Edição: André Albert & Tadeu Breda
Revisão: Luiza Brandino, Carolina Kuhn Facchin & Érico Melo
Capa: Gustavo Piqueira / Casa Rex
Diagramação: Fernando Zanardo & Daniela Miwa Taira
Assistência de arte: Carol Vapsys
Direção de arte: Bianca Oliveira
Lançamento: setembro de 2026
Páginas: 416
Dimensões: 13,5 x 21 cm
ISBN: 9786560081451

Descrição

Introdução à teoria social latino-americana apresenta a trajetória intelectual de pensadores e pensadoras que, na América Latina dos séculos XIX e XX, produziram leituras sobre o seu entorno social, geográfico, histórico ou cultural, alcançando profunda repercussão nos projetos políticos e nos discursos identitários em disputa nos contextos de formação nacional de seus respectivos países e de toda a região. Os ensaios aqui reunidos nos conduzem pela vida e pela obra desses “clássicos”, tensionando a pergunta central que os alinhava, sobre a organicidade de suas ideias. Leitoras e leitores são convidados a mergulhar em cada um deles, ou ainda, a partir deles, refletir sobre a tese da formação e do desenvolvimento de um campo teórico notadamente latino-americano.

— Gabriela Pellegrino Soares

 

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Introdução à teoria social latino-americana trata da relação entre ideias e um espaço e um tempo específicos, analisando como a periferia latino-americana produz, se apropria, transforma e ressignifica teorias, numa relação complexa com o centro capitalista euro-estadunidense, do final do século XVIII até aos nossos dias. Os processos de independência funcionam como fio condutor do livro e, portanto, da própria teoria social latino-americana — nem que seja como meta, até porque, desde o século XIX, se percebe como a América Latina está longe de realizar sua emancipação, que pode assumir significados variados e até contraditórios, pressionando a realidade.

Os ensaios aqui reunidos abordam a vida e a obra de dezessete escritores e escritoras, que vão dos venezuelanos Francisco de Miranda e Armando Córdova ao argentino Domingo Faustino Sarmiento e à chilena Gabriela Mistral. Entre eles, aparecem o prócer da independência, Simón Bolívar, e um autor cujo radicalismo destoa de sua época, José Martí, além do principal formulador do indianismo que tem agitado os Andes, o boliviano Fausto Reinaga, e da aristocrata argentina Victoria Ocampo. Ou seja, estão aqui nossos “clássicos”, condição do portorriquenho Eugenio María de Hostos, do mexicano José Vasconcelos, dos argentinos Manuel Ugarte e Ezequiel Martínez Estrada, do peruano José Carlos Mariátegui e do cubano Roberto Fernández Retamar.

— Bernardo Ricupero

 

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Este livro foi concebido como uma introdução ao que defendemos ser uma “teoria social latino-americana”. Partimos do pressuposto de que essa teoria existe e se constituiu na periferia do sistema-mundo ao menos desde os processos de autonomização política da região. Desde então, tem se desenvolvido de forma própria, constituindo-se como uma reflexão sobre o lugar periférico e a formação de seus países e da região como um todo, mas também refletindo sobre problemas globais, da modernidade, do capitalismo, das ideologias e das escolas teóricas de circulação mundial, das alternativas e dos projetos de futuro colocados diante da humanidade. Nesse sentido, essa produção é “teoria”, mas não “pura” ou “abstrata”, e sim condicionada desde o princípio por nossa condição periférica e atravessada pelo dilema da intelectualidade periférica entre “ser como o centro” e “ser nós mesmos”. […]

A dificuldade em estabelecer quem e quais seriam nossos clássicos ajuda, aliás, a explicar a desvalorização da produção intelectual da região. Se não determinamos quem nos confere a referência e a linguagem comum de nosso discurso e nossa prática científica, ficamos reféns de fórmulas estrangeiras. Portanto, considerado o dinamismo da produção nas ciências sociais, entre continuidades e descontinuidades intelectuais, políticas, culturais e econômicas, a própria delimitação de autorias e obras clássicas variará com o tempo. A exegese e a reinterpretação dos clássicos são uma prática importante nas ciências sociais. Essa prática em movimento — e constante disputa — gera descobertas, redescobertas, e deixa antever o que será mais ou menos representativo no momento em que essa história estiver sendo redigida.

— Raphael Lana Seabra & Fabricio Pereira da Silva, na Apresentação

 

SOBRE OS ORGANIZADORES

Raphael Lana Seabra é professor no Departamento de Estudos Latino-Americanos (ELA) e do programa de pós-graduação em estudos comparados sobre as Américas da Universidade de Brasília (UnB). Doutor em sociologia pela mesma universidade, desenvolve pesquisa sobre a formação e o desenvolvimento da sociologia latino-americana no século XIX, com ênfase nas obras de Simón Bolívar, Domingo F. Sarmiento e José Martí. Proprietário e desenvolvedor do Canal no Youtube Teoria Social Latino-Americana.

Fabricio Pereira da Silva é professor da graduação em ciência política e do programa de pós-graduação em ciência política na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), e do mestrado em estudos contemporâneos da América Latina da Universidade da República (Udelar) do Uruguai. Doutor em ciência política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) com pós-doutorado pelo Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Santiago do Chile (USACh).