Sonho libertário de Foucault com LSD está soterrado no Vale da Morte na era Trump

Por Marcelo Leite
Publicado na Folha de S.Paulo

Michel Foucault, cujo centenário de nascimento foi celebrado na quinta-feira (15), tem uma obra estabelecida. Nem sempre, porém, seu pensamento abrasador, mais presente em outros tempos, é lembrado por uma passagem singular de sua biografia: o fim de semana, em maio de 1975, em que ele tomou LSD num deserto da Califórnia e viveu momentos transformadores. Em abril passado, fui buscar ecos daquela experiência em dois dias de viagem solitária de carro pela paisagem de outro mundo.

“Foi uma grande experiência, uma das mais importantes da minha vida. E não me refiro apenas à noite no Zabriskie Point, mas ao nosso encontro e aos dois dias que passamos juntos”, escreveu Foucault dias depois a Simeon Wade, o anfitrião.

A carta está no livro Foucault na Califórnia: filosofia e LSD no Vale da Morte (288 págs., editoras Elefante/Grafatório), que reúne o relato de Wade e comentários de Heather Dundas, Júlio Delmanto, Felipe Melhado, Antonio Pele e Tony Hara.

Ao lado de Michael Stoneman, Wade recebera Foucault em Claremont, cidadezinha onde dava aulas na escola de pós-graduação local após doutorar-se em história na Universidade Harvard.

Aficionado pela obra do francês, teve um “delírio de grandeza” e o convidou para um experimento em que seria o alquimista e relator, com a fórmula Michel Foucault + Pedra Filosofal + Vale da Morte + Michael Stoneman. Foucault topou.

(…)

Texto completo na Folha de S. Paulo.

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