A HQ Xondaro foi apresentada a seus protagonistas na última terça-feira, 13 de setembro, durante uma assembleia da Comissão Guarani Yvyrupa que reuniu mais de duzentas lideranças guarani do Sul e Sudeste do Brasil na Terra Indígena Tenondé Porã, em Parelheiros, zona sul da cidade.

O dia foi marcado por uma longa reunião com um representante da Fundação Nacional do Índio (Funai). Na ocasião, os caciques exigiram a demarcação de suas terras espalhadas por vários pontos da região mais industrializada do país: algumas sequer começaram a ser estudadas pelo poder público, colocando seus ocupantes sob permanente risco de reintegração de posse.

Quando caiu a noite, Jaxy, brilhando no céu, ofuscava as estrelas. E algumas cadeiras se perfilaram para um rápido debate com os Guarani e os juruá que se envolveram na produção do livro. Depois da prosa, uma imensa fila se estendeu, curiosa, em busca de exemplares.

Escrita e desenhada por Vitor Flynn Paciornik, com patrocínio da Fundação Rosa Luxemburgo e o apoio da Comissão Guarani Yvyrupa, Xondaro é uma história em quadrinhos sobre a luta recente dos Guarani Mbya pela demarcação de suas terras na cidade de São Paulo.

As aquarelas passeiam pelas manifestações realizadas pelos indígenas em 2013 e 2014, desde o fechamento da Rodovia dos Bandeirantes até a ocupação do Monumento às Bandeiras, culminando com a intervenção de um jovem xondaro, Werá Jeguaká Mirim, que, convidado para representar o mito das três raças durante a cerimônia de abertura da Copa do Mundo, no estádio do Itaquerão, arrancou da cueca uma faixa pedindo “Demarcação” e mostrou à imprensa internacional uma das muitas faces da opressão brasileira aos povos indígenas.

Durante a apresentação da HQ na aldeia Tenondé Porã, Werá lembrou junto com parentes, amigos e lideranças como ocorreu a preparação para aquela tarde de protesto que lhe rendeu o apelido de “Werá Fifa” — e também lhe possibilitou um encontro com Mano Brown, do Racionais MCs, seu ídolo. Além de xondaro, Werá é rapper.

Lançaremos Xondaro em São Paulo na primeira quinzena de outubro, com debate sobre a luta dos povos indígenas e a violência de que sistematicamente são vítimas. Enquanto isso, ficamos com as imagens da calorosa recepção à HQ no lugar onde mais queríamos que fosse acolhida.

Aguyjevete pra quem luta!

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