O eclipse do progressismo

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O eclipse do progressismo: a esquerda latino-americana em debate
Organizadores: José Correa Leite, Janaina Uemura & Filomena Siqueira
Projeto gráfico: Bianca Oliveira
Tradução: Sandro Ruggeri Dulcet
Lançamento: março 2018
Páginas: 248
ISBN: 978-85-93115-12-7
Dimensões: 13 x 21​ cm

Categoria

Descrição

O eclipse do progressismo começa com um artigo de Emilio Horacio Taddei sobre a restauração neoliberal na Argentina, iniciada com a vitória eleitoral de Mauricio Macri, em 2015. Depois, Pablo Solón, ex-embaixador da Bolívia nas Nações Unidas, elenca suas críticas ao processo de mudança liderado por Evo Morales. José Correa Leite discute as razões que levaram ao golpe parlamentar contra Dilma Rousseff . No Chile, Giovanna Roa comenta os desafios da transição da luta popular: das ruas às instituições. O ex-ministro de Rafael Correa, Alberto Acosta, descreve, com John Cajas Guijarro, os motivos pelos quais o governo da “revolução cidadã” não transformou as estruturas de poder do Equador. A cooptação do sandinismo por Daniel Ortega, na Nicarágua, é objeto da análise de Alejandro Bendaña. A uruguaia Lilian Celiberti discute os conceitos de esquerda a partir da perspectiva feminista. E Edgardo Lander expõe as razões pelas quais acredita que a Venezuela rentista está a ponto de implodir.

 

Quase duas décadas depois, a onda de governos progressistas na América Latina está sendo revertida. Já vai longe na memória o tempo em que as cúpulas de chefes de Estado da região se transformavam em verdadeiras odes à integração, com direito a ponchos e canções revolucionárias, e em que George W. Bush e a Área de Livre Comércio das Américas foram rechaçados pela maioria dos presidentes latino-americanos. Nesse período, a União de Nações Sul-Americanas se fortaleceu como espaço de concertação política continental; o Mercosul ganhou corpo com a entrada da Venezuela; e criou-se o primeiro organismo de diálogo hemisférico com a participação de Cuba e sem a presença dos Estados Unidos e do Canadá, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos.

A virada do século havia inundado de esperança os movimentos sociais e os partidos de esquerda. A vitória de Hugo Chávez, a potência aglutinadora do Fórum Social Mundial e, logo depois, os sucessivos triunfos eleitorais em praticamente toda a América do Sul e em alguns países centro-americanos sinalizavam que chegara o momento da “grande transformação”. Os artigos compilados neste livro, porém, mostram que, depois de tudo, o processo deixou muito a desejar àqueles que reivindicavam mudanças estruturais na realidade política, social, econômica e cultural da região.

Pouco a pouco, as forças conservadoras — que jamais deixaram de exercer o poder de fato em áreas que dominam historicamente, como a mídia, a Justiça e as finanças — vêm retomando os espaços que haviam perdido. Após anos de uma oposição inclemente e de uma incessante campanha difamatória, que floresceu a partir de numerosas denúncias de corrupção, já recuperaram alguns governos, seja pela via eleitoral, como na Argentina, seja por meio de golpes de Estado jurídico-parlamentares: primeiro em Honduras, em 2009, depois no Paraguai, em 2012, e então no Brasil, em 2016. E rapidamente vêm desfazendo avanços das últimas décadas. Com a exceção do Uruguai, os governos progressistas que se mantêm no poder enfrentam crises agudas, como na Venezuela, ou acumulam reveses, caso da Bolívia.

O eclipse do progressismo reúne contribuições de pensadores e ativistas latino-americanos que outrora apoiaram os governos de esquerda, mas agora fazem balanços críticos dessas experiências, percebendo que suas medidas não acumularam para o esperado — e necessário — cambio. As críticas aqui expostas miram os pecados capitais de tais governos, com destaque para a persistência do modelo extrativista primário-exportador, que concentra renda, destrói o meio ambiente e atropela os direitos dos povos tradicionais, e para os pactos estabelecidos com as elites em troca da “governabilidade”, além da cooptação — e enfraquecimento — das organizações populares e sindicais.

Se o “fim de ciclo” é inegável, porém, não há razões para esmorecer. Os erros abrem espaço para o debate, com vistas à construção de um novo projeto que restabeleça a conexão entre esquerda e justiça social. Assim, quiçá, tal como o sol após a passagem da lua, e mais cedo do que o cenário desolador anuncia, as forças progressistas possam voltar a ser uma luminosa alternativa para os povos de Nossa América.

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