O espelho estilhaçado — sobre ‘O massacre de Gaza’
Por Michel Gherman
Publicado na Quatro Cinco Um
A leitura de O massacre de Gaza: relatos de uma catástrofe, que compila uma década de colunas de Gideon Levy publicadas no Haaretz, foi um reencontro que tive com os textos do jornalista israelense. Sem exagero, me lembro perfeitamente da primeira vez que li uma coluna de Levy, que agora leio, pela primeira vez, em português.
Quando digo isso, me refiro a recordar não só exatamente onde eu estava, mas a sensação e os sentimentos que aquela leitura me causou. Ao ler o primeiro artigo, sentia que ele refundava, desvelava e escancarava uma Israel que, se eu já conhecia, teimava em esquecer que existia.
Por meio das páginas do jornal daquele agosto de 2002, eu era levado, de forma radical e desavisada, de uma Jerusalém ensolarada e moderna para a realidade cruel e infernal da ocupação israelense nos territórios palestinos.
Era um sábado de verão em Jerusalém quando eu, então um mestrando em sociologia da Universidade Hebraica de Jerusalém e recém-retornado a Israel, peguei a edição de shabat do Haaretz para ler sentado no famoso café Aroma da rua Emek Refaim, no sul da cidade. Esbarrei ali com seu conhecido e contundente artigo “Apenas uma pequena pancada na asa”.
No texto, Levy dissecava a reação do então comandante da Aeronáutica israelense à pergunta de um jornalista sobre sua sensação ao jogar mísseis em áreas superpopulosas da cidade de Gaza. “Sinto apenas uma pancadinha na asa direita”, foi o que disse Dan Chaluz, referindo-se ao que sentia a bordo do avião e expondo o processo de desumanização dos palestinos pelos militares israelenses.
Lembro como se fosse hoje que eu não entendia como depois daquilo as pessoas continuavam a tomar seus cafés alegremente enquanto, em Gaza, na segunda intifada, palestinos eram tratados como invisíveis, morrendo entre mísseis e bombas. Levy me ensinou, efetivamente, a enxergar a ocupação, sem máscaras ou subterfúgios. O massacre de Gaza: relatos de uma catástrofe chega ao Brasil como testemunho de alguém que acompanha, nas últimas décadas, o que acontece nos territórios palestinos ocupados por Israel, principalmente na Faixa de Gaza.
Texto completo na Quatro Cinco Um (para assinantes)
_
Foto: Escola da ONU/Palestina destruída em Gaza, 2026 | Crédito: ONU Palestina












