Descrição
“É só encarando a dor que conseguiremos fazê-la ir embora.” Com essas palavras, bell hooks inicia sua análise meticulosa daquilo que considera um dos grandes problemas que ainda afetam o povo negro: uma autoestima ferida, persistente desde os tempos da escravidão. Por que tantas pessoas pretas — mesmo as mais belas, as mais ricas, as mais inteligentes, as mais talentosas — vivem num estado constante de ansiedade, medo e vergonha? Em Sacode a poeira, a autora propõe uma análise que busca romper com um estado coletivo de negação, defendendo a ideia de que a ausência de autoestima entre as pessoas negras tornou-se uma epidemia que precisa ser combatida, e de que nunca é tarde demais para encontrar o amor-próprio. Com seu olhar crítico e compreensão que vem da experiência, bell hooks sugere que cuidar da saúde mental e da alma pode ser a base para a cura de toda uma comunidade — e indica por onde podemos começar.
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Depois de escutar seguidas confissões de autodepreciação e autodesconfiança, fui compelida a encarar a realidade por trás desses testemunhos. Eu queria fazer alguma coisa, encontrar as explicações e as soluções. Pesquisa atrás de pesquisa, sempre caía na autoestima. Os negros tiveram de se haver coletivamente com essa questão desde a escravidão até os dias de hoje. […] Nós, pessoas pretas, temos relutado em romper com a negação e encarar o fato de que nossa baixa autoestima paralisante alcançou patamares epidêmicos. […] Temos focado tanto a maneira como os outros ferem nossa autoestima que acabamos por ignorar as feridas autoinfligidas. Para cuidar desses machucados, para aprender como abraçar o bem-estar emocional sem nos autossabotar, precisamos prestar mais atenção à questão do respeito próprio. Precisamos colocar a questão da autoestima em primeiro plano. […] nós, pessoas pretas, sabemos que nossa autoestima coletiva machucada ainda não sarou. Sabemos que estamos sofrendo. E é só encarando a dor que conseguiremos fazê-la ir embora.
— bell hooks, na introdução
SOBRE A AUTORA
bell hooks nasceu em 1952 em Hopkinsville, então uma pequena cidade segregada do Kentucky, no sul dos Estados Unidos, e morreu em 2021, em Berea, também no Kentucky, aos 69 anos, depois de uma prolífica carreira como professora, escritora e intelectual pública. Batizada como Gloria Jean Watkins, adotou o pseudônimo pelo qual ficou conhecida em homenagem à bisavó, Bell Blair Hooks, “uma mulher de língua afiada, que falava o que vinha à cabeça, que não tinha medo de erguer a voz”. Como estudante, passou pelas universidades de Wisconsin, da Califórnia e Stanford, e lecionou nas universidades Yale, do Sul da Califórnia, Oberlin College e New School, entre outras. Em 2014, fundou o bell hooks Institute. É autora de mais de trinta obras sobre questões de raça, gênero e classe, educação, crítica cultural e amor, além de poesia e livros infantis, das quais a Elefante já publicou Olhares negros, Erguer a voz e Anseios, em 2019; Ensinando pensamento crítico, em 2020; Tudo sobre o amor e Ensinando comunidade, em 2021; A gente é da hora, Escrever além da raça e Pertencimento, em 2022; Cultura fora da lei e Cinema vivido, em 2023; Salvação e Comunhão, em 2024; A vontade de mudar, em 2025; e Questões de classe, em 2026.
















