Gideon Levy: Israel é ‘Estado de apartheid’ e comete genocídio sistemático em Gaza

Por Opera Mundi
Gideon Levy, autor de ‘O massacre de Gaza’, foi entrevistado por Breno Altman no programa 20 minutos

O jornalista israelense Gideon Levy, colunista do jornal Haaretz, declarou que a destruição da Faixa de Gaza foi “planejada e executada sistematicamente” pelo regime sionista, assim como o deslocamento forçado da população palestina. “Isso só pode ser chamado de genocídio”, apontou, enfatizando que o governo de Israel é um “Estado de apartheid”.

“Se parece com apartheid, se age como apartheid, se fala como apartheid, então é apartheid”, denunciou Levy, comparando-o ao apartheid sul-africano, porém, ressaltando que o regime israelense impõe uma segregação ainda mais sangrenta e brutal.

Ainda em sua avaliação, a administração do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, apoiado por ministros de extrema direita, tais como Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, leva a ocupação israelense a extremos “nunca antes vistos”, legitimando figuras que seriam consideradas neonazistas na Europa.

“Netanyahu será lembrado como alguém que destruiu muitas coisas em Israel: a posição internacional de Israel, a estrutura política, o sistema jurídico. Ele destruiu muita coisa, mas não começou nada”, disse.

A posição foi dada durante uma entrevista concedida ao fundador de Opera Mundi, Breno Altman, no programa 20 Minutos, nesta terça-feira (04/08). Levy, que por mais de quatro décadas cobre a ocupação israelense nos territórios palestinos da Cisjordânia e de Gaza, além de ter trabalhado para o ex-premiê israelense Shimon Peres, descreveu sua trajetória pessoal como um processo de desconstrução do sionismo, que hoje ele não compactua e o define como “supremacia judaica”.

“Libertar-se do sionismo é, para um israelense, um processo bastante doloroso e longo, porque é algo impensável em Israel”, afirmou. “Se você quer ser um Estado democrático, não pode ser um Estado judeu. […] Você precisa fazer sua escolha. Não pode ser sionista e liberal”.

Sobre o ataque promovido pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, Levy atribuiu o ocorrido à “arrogância israelense”, sendo esta uma herança da Guerra dos Seis Dias de 1967. Apesar de classificar o movimento de resistência palestino como uma organização “terrorista”, Levy destacou que Israel atua como um “Estado terrorista em uma escala muito, muito maior”, e que a reação palestina era “previsível” e inevitável perante as décadas de uma ocupação ilegal.

“A maioria dos israelenses não tem ideia do que significa viver sob ocupação israelense. Quem acha que isso pode durar para sempre não sabe nada sobre a natureza humana, nem sobre história. A história nos ensinou repetidamente que sempre haverá resistência e, quanto mais brutal for a ocupação, mais brutal será a resistência”, afirmou, destacando as condições desumanas e brutais aos quais os palestinos são submetidos sob o regime sionista.

Israel comete genocídio

O jornalista do Haaretz explicou que a destruição sistemática de hospitais, escolas, abrigos e infraestrutura civil, somada ao deslocamento forçado da população para o sul e seu confinamento em condições desumanas, não pode ser chamada de outra forma além de “genocídio”.

“Quando você destrói todos os hospitais, todas as escolas, todos os abrigos, você quer destruir a sociedade. E o que Israel queria era destruir a sociedade palestina”, disse.

Levy também critica a cobertura feita pela mídia israelense, ao afirmar que o jornalismo foi trocado a uma propaganda do Estado que se recusa a mostrar a realidade da Faixa de Gaza. De acordo com ele, o governo israelense adotou medidas restritivas e sanções contra o jornal de oposição Haaretz, como a suspensão de anúncios e banimentos para que figuras como ele mesmo não apareçam na televisão.

Para Levy, a solução de dois Estados está “morta há muito tempo”, enterrada pelos 700 mil colonos israelenses ilegais na Cisjordânia ocupada. De acordo com ele, restam apenas duas opções: “apartheid para sempre ou democracia” em um único Estado laico e multiétnico.

Levy pontuou que defende movimentos como o Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS), sendo estes ferramentas legítimas contra a continuidade da máquina sionista. Sustentou também que o mundo deve impor um acordo a Israel, uma vez que as mudanças não virão de sua política interna. Além disso, ele prevê que o apoio incondicional do governo dos Estados Unidos, que deu carta branca para que o regime sionista aja com impunidade contra os palestinos, está em seus “dias finais”, especialmente com a crescente rejeição de judeus norte-americanos mais jovens.

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