Escuta, cuidado e ética amorosa: a psicologia com bell hooks
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Por Paulo Silva Junior
Elefante na Sala
bell hooks e o Brasil é mais uma temporada especial do Elefante na Sala, o podcast da Editora Elefante; aqui na nossa estante temos 14 livros da autora, publicados desde 2019 — e tem muito mais para chegar em breve (Questões de classe: o lugar que ocupamos está em pré-venda). Esse podcast então conversa com pesquisadoras e pesquisadores cujo trabalho é influenciado por hooks, em diversas áreas.
Neste quarto episódio falamos com Luciana Rodrigues, doutora em psicologia social e institucional pela Federal do Rio Grande do Sul, onde é professora; uma das organizadoras do e-book Cartas para bell hooks (publicado pelo Instituto Federal do Sertão Pernambucano, em chamada realizada no Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as); e também coordenadora do grupo de pesquisa e extensão baseado na obra de bell hooks — coletivo bell hooks: formação e políticas do cuidado.
Começamos com Luciana nos levando para a chegada de bell hooks em seus estudos dentro da Psicologia.
Fico muito pensando no quanto a chegada da bell hooks no campo da psicologia, na academia, se dá muito pelo compromisso da leitura de outras mulheres negras nesse tensionamento com uma academia que ainda é, de modo geral, sustentada nesses alicerces ainda tão brancos e patriarcais, de um certo conservadorismo em relação às referências.
Então acho que o primeiro ponto é esse, pensar que essa partilha entre mulheres negras vai trazendo textos de intelectuais, pesquisadoras, estudiosas, entre elas, a bell hooks. E nessa partilha, esse interesse pela bell hooks, sendo eu do campo da psicologia, se deu muito para pensar o meu exercício da docência nesse campo de formação no qual eu atuo.
O primeiro contato que eu tive com textos da bell hooks foi a partir desse encontro com o livro Ensinando a transgredir, justamente para pensar a minha atuação na docência. Me tocou muito profundamente, principalmente as conexões que a bell hooks vai trazendo enquanto pensamento crítico, enquanto a posse de uma educação como prática de liberdade. Essa conexão entre vida, experiências, conteúdos e informações, que é o que dá sustentação ao que ela vai chamar de pedagogia engajada, essa aposta da educação como prática de liberdade, e o compromisso dessa pedagogia engajada com o crescimento mútuo nos processos de ensino-aprendizagem.
São questões que me colocaram a pensar nas relações em sala de aula, em relações de modo geral na universidade, pensar nas questões interseccionais e na centralidade da raça nesses processos. Me convocou a um pensar-sentir criticamente as relações. Me convocou a pensar nas minhas ações, nas minhas práticas, nas minhas posturas, em como eu vim me constituindo como professora e no modo que eu gostaria de ser, no desejo de ser uma docente que pudesse estar comprometida com práticas e políticas do cuidado. Que pudesse se colocar no enfrentamento às políticas de dominação, como a bell hooks vai trazendo ao longo da obra dela. Essa possibilidade de uma comunidade de aprendizado, como a bell hooks também vai discutir em outros livros.
Logo em seguida, eu me encontrei com o Erguer a voz, que foi e segue sendo um livro muito importante no sentido do exercício da docência e de pensar possibilidades de atuação no campo da psicologia. Pensar a formação em psicologia, onde a escuta, as relações, o cuidado e a produção de saúde são elementos fundamentais.
Tudo o que a bell hooks vai trazendo nessa construção crítica do pensamento sobre as relações, sobre esse mundo que a gente vive, sobre o enfrentamento a todas as políticas de dominação, eles têm muito a ensinar no campo da psicologia. A gente trabalha o tempo inteiro com relações, com escuta, com histórias: então pensar como é que a gente escuta, como a gente se coloca diante do outro, como é que a gente constrói com o outro possibilidades de trabalho, de melhoria da qualidade de vida, de produção de saúde que estejam sustentadas em políticas do cuidado e não da dominação…
No já citado trabalho ‘Cartas para bell hooks’, Luciana traz sua experiência pessoal e fala em determinado momento que ‘como uma mulher cisgênero negra nascida numa cidade do interior do estado do Rio Grande do Sul, marcada pelos valores supremacistas brancos e pela heterossexualidade compulsória, aprendeu a autodesvalorização muito cedo’. Perguntei então como bell hooks ajuda a articular essa relação entre as origens e o pensamento crítico.
Para mim é impossível, mas enfim, vou colocar que é praticamente impossível a gente ler a bell hooks sem pensar nas nossas próprias experiências, naquilo que nos atravessa e que nos constitui. Porque o tempo inteiro ela está tecendo o pensamento crítico em relação aos processos sócio-históricos, políticos e culturais da sociedade que a gente vive; e são esses mesmos processos que também nos constituem no subjetivo, nos tornam os sujeitos que somos hoje. Penso que um ponto nodal nessa articulação entre as origens, a experiência e o pensamento crítico é pensar a partir e junto com a nossa posicionalidade no mundo, com tudo que ela traz.
O exercício crítico do pensamento é justamente operar com a relação que a bell hooks está o tempo inteiro colocando para a gente, às vezes nomeando assim, às vezes implícita nas análises, que é a relação entre o pessoal e o político. É o que nos permite partir das nossas experiências, das nossas histórias de relações, de vivências no nosso cotidiano, tomando esses aspectos como materiais de análise para uma compreensão dos processos que constituem nossos modos de ser, de se relacionar. Os processos que têm implicação na produção de subjetividade.
E nesse caminho, inevitavelmente, pensar em como olhar para essas questões nos ajuda a compreender como é que operam as políticas de dominação, como é que se interconectam sistemas de opressão que, por vezes, nos afetam e, por outras, a gente acaba reproduzindo — porque a gente vive numa sociedade que é racista, é sexista, é capacitista, capitalista, e a gente também aprende a partir do que esses sistemas nos impõem quanto possibilidades de relação.
Vejo que esse movimento de conexão entre o pessoal e o político é fundamental para que a gente possa reconhecer as lógicas e as práticas que sustentam processos de violência, que sustentam a violência em relação aos outros e em relação a nós mesmas, nós mesmos. É essencial que a gente possa ir produzindo exercícios de ruptura com a reprodução dessa violência e, nesse sentido, seguir apostando em políticas de cuidado que têm a ver com uma política amorosa, no sentido do que a bell hooks também nos convida constantemente a exercitar, né?
Entramos agora no ponto da prática amorosa, que Luciana traz como algo a ser levado na sala de aula. Como é então esse exercício do ensino, tão presente em bell hooks? Esse olhar de uma escrita tão generosa que bell hooks tem inclusive diante dos homens (mesmo ressaltando as mazelas do patriarcado e do machismo).
Eu gosto muito da palavra exercício no sentido de pensar que trabalhar a partir de uma ética amorosa é um movimento constante, que exige muito trabalho da gente. Não é uma coisa que a gente vai ler uma vez e se dá conta e aí isso está posto nas nossas práticas… A gente tem que estar sempre tentando exercitar, assim como um músculo: para que o músculo possa crescer, a gente precisa fazer o exercício, e se a gente parar de fazer o exercício, o músculo também vai parar de se desenvolver.
Em relação a esse exercício da prática amorosa na sala de aula e pensando a formação em psicologia, eu sempre penso no quanto a bell hooks traz, no Tudo sobre o amor e na trilogia que tem a ver com pensar o amor, do quanto há um desentendimento e pouca discussão sobre o que a gente tem aprendido sobre o que é o amor. As compreensões e os sentidos que a gente atribui em torno da temática. Volta e meia, em sala de aula, eu lanço uma pergunta para os alunos e para as alunas que é: quando é que a gente discute sobre o que é o amor, o que ele nos faz fazer no campo da formação em psicologia?
Se eu pensar para a minha própria formação, isso nunca foi uma questão, e no sentido do que a bell hooks está trazendo, pensar o amor tem a ver com pensar naquilo que é prático, não numa abstração, num olhar romantizado, não em coisas que a gente tem aprendido que permitem juntar abuso e amor, enfim, tem muito desentendimento em relação a isso. Então, eu compreendo que pensar as nossas práticas e as nossas relações a partir de uma ética amorosa, no caso da minha atuação profissional no campo da formação em psicologia, na perspectiva da bell hooks é algo que me coloca constantemente no compromisso com a transformação social. E essa transformação social inclui a transformação de nós mesmas, de nós mesmos e da sociedade em que vivemos, e coloca o imperativo do enfrentamento aos sistemas de dominação.
Quando a bell hooks está trazendo a questão de uma ética amorosa, ela está falando de uma ética enquanto uma aposta em um outro projeto de mundo, de um projeto de mundo que não esteja assentado em políticas de dominação que estão em curso na sociedade que a gente vive. Se a gente for pensar, a nossa localização no mundo, a nossa territorialidade, o fato de sermos brasileiras e brasileiros, ainda que o Brasil tenha uma pluriversidade de modos de estar nesse território, a gente tem algo que é comum, que é o que foi posto em prática, os ensinamentos, os aprendizados, desde uma violência colonial. Nesse sentido, é importante a gente lembrar que essa compreensão do amor, como eu falei antes, é uma prática que inclui diferentes aspectos a serem exercitados, sempre em relação — estou falando aqui aspectos, mas a bell hooks vai lá dizer no Tudo sobre o amor que são ingredientes, como carinho, afeição, reconhecimento, respeito, compromisso, confiança, honestidade, uma comunicação aberta. E que são essas práticas que precisam estar implicadas com o crescimento integral de todos, todas e todes nós. Então é o exercício da combinação dessas práticas que sustentam uma ética amorosa, que, por sua vez, vai cultivar essa possibilidade de um crescimento mútuo e integral das pessoas envolvidas. E isso constitui possibilidades da gente respeitar a diversidade, de exercitar o cuidado, de convidar o pensamento crítico…
Porque se a gente não começar a exercitar todas essas práticas nas nossas relações, no próprio espaço da formação (e aí aqui eu estou falando desde o meu lugar enquanto docente do campo da psicologia, mas pensando a formação em outros campos também), como é que a gente vai instantaneamente, de repente, no estalar de dedos, depois de subir lá da colação de grau, de pegar o diploma na mão, a gente, pronto, a partir de agora eu vou exercitar essas práticas?
A bell hooks o tempo inteiro tece a teoria dela nos convidando e por vezes nos convocando a não separar a teoria e prática e, portanto, não separar a vida do trabalho, da pesquisa e da escrita, de modo que a gente possa ter um exercício coerente das nossas ações com aquilo que a gente produz de pensamento crítico. Se isso não é exercitado na própria formação, em sala de aula, entre a gente que está ali nesse processo de aprendizado, onde vai ser possível produzir cuidado, produzir e promover saúde junto com as pessoas, aprender a escutar e a cuidar depois, sempre num certo além? Então, o convite que eu sempre faço a partir dessa base, dessa leitura, dessa aproximação com a bell hooks, tanto da pedagogia engajada como Tudo sobre o amor, é que a gente possa ir exercitando isso em sala de aula, a partir do chão da sala de aula. Porque não é possível que a gente só vá falar sobre coisas e exercitar elas em outro espaço-tempo, que não esse do agora. E, pra mim, tudo isso está imerso na sustentação dessa ética amorosa que a bell hooks nos convida, que é uma ética que está interessada e comprometida, em última instância, com a vida, com a justiça social, com a transformação social assentada no cotidiano das nossas próprias relações.
Nas ‘Cartas para bell hooks’, em que Luciana é uma das organizadoras, a gente vê textos muito emotivos, muito pessoais, de pura admiração, de devoção mesmo à figura da autora. Faz pensar como é que a gente traz bell hooks para a academia — seja na psicologia, na educação, em diversas áreas — dando conta de conversar com a complexidade de sua teoria e com seu olhar crítico.
Acho que é uma ótima questão, que a gente precisa colocar em roda para que a gente possa dialogar de modo geral entre quem tem pensado, estudado, produzido a partir da obra da bell hooks. E acho que a bell hooks, a partir de tudo que ela escreve, ficaria muito contente de pensar no quanto a gente tem aprendido a partir das ofertas que ela nos traz, mas também com a produção de outros diálogos a partir da obra dela, com outras autoras e autores, com o movimento, com seguir no pensamento crítico, inclusive em relação às questões que ela mesmo coloca.
Mas antes de falar um pouquinho mais sobre isso, eu acho que um ponto importante que essa questão que tu traz abre — e que acho que, pelo menos a partir de onde eu me situo, da minha área, da região onde eu estou, dos debates que têm se produzido em termos da formação em psicologia – é uma questão que se coloca que tem a ver com a academia ser um espaço de disputa.
Trazer a bell hooks para dialogar na academia é também entrar nessa disputa do que é considerado científico, do que é considerado produção acadêmica, do que não é, dos embates que isso gera. E pensar criticamente do porquê que isso acontece. Quando a gente pensou na produção desse e-book, que tem as cartas interessadas a bell hooks, a gente entende a constituição desse e-book como um conteúdo e um produto acadêmico. Que acredita e aposta num princípio que está posto nas produções feministas e, portanto, na da bell hooks, que eu já mencionei anteriormente, que é a questão do pessoal e do político. Que está em consonância com o que a bell hooks nos coloca ao longo da obra dela toda.
Esse pessoal e político é um fundamento para que a gente possa, a partir do que a gente experiencia, colaborar e produzir conhecimento engajado com a transformação social e com o próprio modo de entender e de tensionar as hegemonias dessa produção de conhecimento e do conhecimento crítico social. Se a gente pegar os textos, como os textos que compõem o livro o Erguer a voz: pensar como feminista, pensar como negra, assim como a triologia sobre a educação — Ensinando a transgredir, Ensinando o pensamento crítico e Ensinando comunidade —, ela vai sustentar que o compromisso com a transformação social é, inicialmente, um compromisso de transformação de cada pessoa que se engaja nesse processo.
Tem a ver com algo que a bell hooks traz no livro Ensinando comunidade, que é uma discussão que ela vai tecendo sobre a ideia de objetividade científica, que é quando ela está mencionando essa objetividade da academia que a gente toma como uma norma de produção de conhecimento. Então, lá no Ensinando comunidade, ela vai dizer que essa objetividade científica é colocada, é tomada como a verdade, frente às práticas que tensionam um certo regime de opressão que vem silenciando produções de conhecimento que tentam romper com a supremacia branca, cis, hétero e patriarcal. Esse discurso da objetividade é pactuado com formas específicas de opressão e dominação. E o contraponto que a gente tenta colocar em prática a partir desses convites, como esse dos textos para compor cartas para a bell hooks, é justamente a gente poder pensar na produção de conhecimento pactuada com o amor.
O conhecimento, nesse sentido, é aliançado com a inteireza das nossas relações preocupadas com o que afeta a vida das pessoas. A gente precisa ir aprendendo, a partir do convite que a bell hooks nos faz, essa não separação entre vida e escrita, sobre não separar corpo e mente, razão e emoção. A gente pode se emocionar e produzir conhecimento.
A sensibilidade não precisa estar separada num cantinho e o que produz teoria e conhecimento é a razão, é o pensamento, isso que a modernidade colonial sustenta com tanto orgulho. E eu acho que a bell hooks o tempo inteiro está produzindo conhecimento falando também a partir de suas experiências de emoção, de sensibilidade. Tem textos onde ela fala do quanto ela mesma foi interpelada por pessoas que diziam que ela tinha que ser menos emotiva. Mas, de modo algum, a gente pode descolar essa emoção, o nosso corpo, do exercício crítico do pensamento. A gente tem que conseguir fazer essa articulação entre todas as coisas que nos compõem sempre com o horizonte do exercício crítico do pensamento, do por que as coisas são como são, por que elas acontecem como acontecem.
Penso que, a partir do que a bell hooks nos trouxe, ela ficaria feliz de saber que os seus escritos estão produzindo conexões. Também ficaria feliz de saber que os textos também são tomados criticamente, junto com a emoção, com o respeito, com essa admiração que muitas pessoas têm em relação à obra dela.
Por fim, pegando aqui as publicações disponibilizadas pelo coletivo bell hooks, encontramos uma chamada Práticas de enfrentamento à branquitude. Queria então saber dentro desse ambiente da psicologia, o que pensar sobre como as ideias de bell hooks têm impactado na hora de olhar para o que se produz, seja de referências, de ideias, enfim, da ideia do epistemicídio também, do apagamento de outros saberes…
É importante dizer, porque às vezes tem um entendimento meio torto em relação a essa crítica de que a gente precisa diversificar os conhecimentos.
Não é entender que esses autores que foram tomados como cânones do conhecimento não têm nada a ofertar para a gente. É simplesmente entender que eles não têm como ofertar sobre tudo e sobre todos, em todos os contextos. A gente precisa ter um número sempre múltiplo e diverso de referências que nos ajudam a pensar a constituição do que somos, quantos sujeitos da sociedade que vivemos.
Então são vários elementos que o encontro da bell hooks nos traz e contribui para pensar o campo da psico, a partir dessa leitura crítica dos processos que constituem as relações do nosso território. Território que se a gente for pensar em diálogo com a Lélia Gonzalez, ela vai chamar de território amefricano, marcando a importância das culturas africanas para a constituição sociocultural do Brasil. E nesse nosso território, historicamente, se constituem relações que vão se dando pela hierarquia racial e por relações que são assimétricas, produzindo efeitos no modo como a gente constrói o conhecimento. Portanto, quem é que a gente escolhe ou não escolhe colocar nos nossos currículos, quem a gente escolhe dialogar para pensar intervenções, para pensar sustentação das pesquisas, quem a gente escolhe para aprender a estar diante do outro, enquanto uma postura ético-política?
Acho que o diálogo com a bell hooks nos coloca muitas questões, mais talvez do que ter respostas. Nos convoca a pensar sobre o que a gente tem produzido, a pensar como é que a gente aprende a estar com o outro, com que produções a gente aprende a escutar as pessoas, a construir práticas de cuidado com elas. Como é que a gente pode atuar com tudo isso, pensando no diálogo com o que a bell hooks nos coloca, sem que a gente vá atentar para o modo como a gente mesmo se constitui no mundo, para aquilo que a gente aprende, e da onde vem esse aprendizado… Com quem a gente tem aprendido sem esse exercício crítico em relação às nossas práticas, e as relações dessas práticas com sistemas de opressão como racismo, sexismo, as violências de classe. Sem examinar o potencial dominador e a potencial vítima em nós, que é algo que a bell hooks escreve em um dos textos de Erguer a voz.
Nesse caminho, importa a gente poder problematizar junto com a bell hooks o que ela vai nos trazer em relação a como é que vai operando a supremacia branca, do quanto ela impacta a experiência, tanto de pessoas brancas como de pessoas negras, no sentido de produzir privilégios para um grupo, e desvantagens, opressão e discriminação para um outro grupo.
O quanto é necessário a gente enfrentar a nossa possível implicação com a potencial opressora que nos habita, para que a gente tenha condições de exercitar práticas antirracistas de fato.
Acho que a obra da bell hooks nos convoca a tudo isso, questões essenciais para a gente pensar a formação em psicologia. Porque a gente está o tempo inteiro pensando e trabalhando com relações, com pessoas, com histórias, com escuta. Então, a bell hooks vai nos mostrando o quanto a história negra e a memória cultural negra são importantes, e que o modo como a gente trabalha com elas na universidade é fundamental para o enfrentamento ao epistemicídio e todas as formas de dominação.
Não é nesse sentido em que várias vezes acontece de as pessoas citarem diferentes autoras em seus textos, em suas falas. Mas é como que a gente se aprofunda com muito respeito aos trabalhos e às ideias da bell hooks, tecendo proposições e críticas ético-políticas.












