‘Um caso alarmante para a
liberdade de expressão no Brasil’

Por Camila Marques
ONG Artigo 19

 

O caso de Sérgio Silva é alarmante para a luta pela liberdade de expressão no Brasil. Primeiramente, porque a violência sofrida por Sérgio é um forte atestado do uso abusivo de armamento menos letal pela polícia em protestos, prática que teve em junho de 2013 um expoente.

Na ocasião, e nos anos que passaram desde então, comunicadores foram atingidos pelo uso indiscriminado deste tipo de instrumento e, em certos casos, foram alvos diretos da violência policial, com o objetivo de coibir a cobertura de protestos e a disseminação da informação para a sociedade.

Os desdobramentos do caso, da mesma forma, são muito emblemáticos, pois demonstram uma segunda faceta da restrição ao direito de protesto e ao trabalho dos comunicadores — a falta de responsabilização. Ao negar qualquer tipo de reparação a Sérgio pelos graves danos sofridos devido à atuação abusiva do Estado, o caso revela a omissão das instâncias de controle da atividade policial, que contribui diretamente para a continuidade deste ciclo de violações.

Por fim, o caso também aponta uma tendência preocupante de culpabilização explícita das vítimas, responsabilizando os comunicadores pelos eventuais prejuízos (físicos ou de outra natureza) que possam sofrer ao realizar seu trabalho na cobertura de manifestações.

A fundamentação da sentença que negou a indenização a Sérgio é direta ao afirmar que o fotógrafo ”assumiu a responsabilidade” de se ferir ao se colocar ”na linha do tiro”, o que, a um só tempo, demonstra a naturalização do cenário de violência em protestos sociais e contribui para a criminalização da atividade do comunicador, colocando a própria democracia em cheque.

 

LANÇAMENTO
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Na rua!
13 de junho de 2018, às 18h
Esquina da Rua da Consolação com Rua Maria Antonia
São Paulo-SP
Evento no Facebook

Sarau com
Roberta Estrela D’Alva, Emerson Alcalde, Patrícia Meira, Deusa Poetisa, Natasha Felix, Cleyton Mendes, Caetano Romão, Felipe Marinho, Victor Rodrigues, Luiza Romão & Daniel Minchoni

Microfone aberto com
Conselho Nacional de Direitos Humanos, Artigo 19, Conectas Direitos Humanos, Repórteres sem fronteiras, Anistia Internacional Brasil, Instituto Vladimir Herzog &tc.

13 de junho,
cinco anos de injustiça

Em 13 de junho de 2013, enquanto cobria um protesto pela redução da tarifa do transporte público no centro de São Paulo, o fotógrafo Sérgio Silva foi alvejado no olho esquerdo por uma das mais de quinhentas balas de borracha disparadas pela Polícia Militar naquela noite. Perdeu a visão na mesma hora. No hospital, passaria por uma cirurgia para extração do órgão. Algumas semanas mais tarde, outra operação: desta vez, para implantar uma prótese.

Cinco anos depois, Sérgio coleciona momentos de superação e depressão. Reinventou-se profissionalmente como cinegrafista, e segue a vida, mas o pedido de indenização que moveu na justiça já foi negado em primeira e segunda instâncias. Além disso, as bombas e os projéteis da PM alcançaram a vista de pelo menos mais cinco pessoas durante manifestações nas ruas da cidade. Uma das vítimas foi uma criança de apenas 12 anos.

Em edição revista, ampliada e atualizada, Memória ocular: cenas de um Estado que cega acompanha a trajetória do fotógrafo em cinco textos, escritos a cada ano de sua recuperação, e aborda também o drama de outros cidadãos cegados — ou quase — pela polícia paulista, como Vitor Araújo e Deborah Fabri, que perderam a visão graças a estilhaços de bomba.

O livro traz ainda fotos inéditas de Sérgio Silva — inclusive as últimas imagens que produziu antes de perder a capacidade de enxergar com os dois olhos, e que comprovam onde estava quando foi atingido pelo tiro da PM, contrariando as decisões altamente politizadas de juízes e desembargadores.

Trata-se de uma tentativa de entender em profundidade como a violência se expressa e se multiplica na vida de quem foi atingido pelas armas oficiais, abrindo cicatrizes psicológicas que aumentam ainda mais a dor das marcas que permanecem no corpo. Afinal, o que significa ser uma vítima do Estado hoje, depois de mais de trinta anos de “redemocratização”?

 

LANÇAMENTO
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Na rua!
13 de junho de 2018, às 18h
Esquina da Rua da Consolação com Rua Maria Antonia
São Paulo-SP
Evento no Facebook

Sarau com
Roberta Estrela D’Alva, Emerson Alcalde, Patrícia Meira, Deusa Poetisa, Natasha Felix, Cleyton Mendes, Caetano Romão, Felipe Marinho, Victor Rodrigues, Luiza Romão & Daniel Minchoni

Microfone aberto com
Conselho Nacional de Direitos Humanos, Artigo 19, Conectas Direitos Humanos, Repórteres sem fronteiras, Anistia Internacional Brasil, Instituto Vladimir Herzog &tc.

Apocalipse canavial

Por Samuel Barbosa
Professor do Departamento de Filosofia e Teoria do Geral do Direito da USP e pesquisador do Cebrap

 

“Deixei o acampamento ainda atordoado pela cena do rapaz me estendendo o osso. Suas palavras ecoavam em mim: ‘Eu queria ir lá em Brasília me esclarecer: por que a gente passa massacre?’, ‘Será que o osso do meu irmão não presta?’”. O antropólogo e advogado Bruno Martins Morais ficou sem reação diante do jovem índio em um dos acampamentos no Mato Grosso do Sul.

A resposta veio no livro Do corpo ao pó, no qual autor apresenta os resultados de sua pesquisa entre os guarani kaiowá, que recebeu o prêmio de melhor dissertação de mestrado em ciências sociais de 2016 pela Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs). Em uma edição primorosa, com várias fotografias impactantes, o livro apresenta a percepção dos índios sobre a violência nos conflitos fundiários e suas formas de resistência.

Acossados por verdadeiras milícias que agem impunemente à luz do dia, sabemos desses povos pelos números de homicídio e suicídio, por uma ou outra reportagem jornalística que desperta nossa atenção à distância.

O livro, no entanto, é uma oportunidade única para ganharmos proximidade e nos surpreendermos com a perspectiva dos guarani kaiowá. Em meio à extrema vulnerabilidade, eles cantam, rezam e narram a associação entre a ocupação da terra e seu sentido sagrado, as noções de pessoa e corpo, os ritos funerários e as concepções cosmológicas sobre o começo e o fim do mundo. Para eles, o mundo não acaba em fogo ou água, mas em cana.

Muito além de denúncia e protesto, o livro nos oferece a tradução dessa fina e densa interpretação indígena que nos dá o que pensar e fazer.

Como chegamos até aqui?

Por Fabio Luis Barbosa dos Santos
Autor de Além do PTCuba no século XXI

 

O que aconteceu? Como chegamos até aqui?

Esta indagação, presente no livro O eclipse do progressismo, mais precisamente na abertura do capítulo sobre a Bolívia, ronda a militância da Nossa América. É preciso enfrentá-la para que a história avance, em lugar de repetir-se como farsa. O primeiro passo é informar-se, para refletir. Pois, como dizia José Martí, “conhecer é resolver”.

Este livro é uma excelente contribuição nesta direção. Primeiro, porque recolhe textos de intelectuais que são militantes, e vice-versa. Portanto, é gente que tem uma vivência orgânica sobre o que fala. Os processos são analisados desde dentro, sem lugar para abstrações sobre o imperialismo ou para o discurso vitimizador da “reação da direita”, encobrindo corresponsabilidades. Embora alguns autores tenham servido em altos postos nestes governos, predomina o espírito crítico, mas nunca o rancor.

O resultado de O eclipse do progressismo é um conjunto de artigos reveladores sobre o progressismo, particularmente onde este subsiste: Bolívia, Equador, Venezuela, Nicarágua. Aos familiarizados com a crítica pela esquerda, o livro a atualiza. Por exemplo, Edgardo Lander elenca dados e fatos aterradores sobre a Venezuela de Nicolás Maduro. Sabendo que não há saída pela esquerda à vista, o autor deixa que as informações falem por si. É leitura obrigatória para quem deseja informar-se, como premissa para tomar uma posição.

Aos que ainda veem a onda progressista com lentes cor-de-rosa, o livro é um colírio necessário. Só a análise da realidade concreta nos salvará, ao mesmo tempo, da histeria da Rede Globo e de delírios à la Emir Sader ou García Linera.

Pablo Solón explicita, por meio de um ensaio franco e informado, como “a lógica do poder capturou o processo de mudança” na Bolívia. Alberto Acosta e John Cajas Guijarro apresentam, com riqueza de elementos, o processo por meio do qual o governo Correa forjou “um Estado que criminaliza e impõe sua ordem” no Equador.

O eclipse do progressismo inclui um excelente capítulo sobre a Nicarágua, uma situação menos conhecida entre os sul-americanos. Alejandro Bendaña apresenta uma análise devastadora sobre o sandinismo, travestido em orteguismo, imprescindível para entender os conflitos que explodiram recentemente no país.

Como toda coletânea, o livro é heterogêneo: há textos de diferentes tamanhos e enfoques. Emilio Taddei apresenta um panorama abrangente do governo Macri na Argentina, descrito como uma “virada neoliberal”. Entretanto, o kirchnerismo não é analisado, e ficamos sem entender porque a maioria dos senadores que apoiou o seu candidato, votou em seguida com Macri a favor dos fundos abutres.

Já a jovem Giovanna Roa revela, inclusive nas entrelinhas, os impasses da esquerda chilena: ao culpar os aliados pelo imobilismo do governo Bachelet, evidencia-se que, para que a esquerda possa renascer, ainda há contas a acertar com o Partido Socialista. Mas este é o único episódio de vitimização no livro.

O multifacetado texto de José Correa Leite abordando o Brasil faz uma avaliação destemida sobre “o PT e a construção de uma sociedade neoliberal”. Ao resgatar a trajetória do partido, para depois explorar seus governos à luz de temáticas como meio ambiente e gênero, o texto me parece particularmente instrutivo aos jovens. Importante, a reflexão reconhece a farsa do golpe, sem comprar o discurso de que era necessário para impor o projeto da direita — como se o PT fosse o oposto e não o complemento do vice golpista.

Finalmente, O eclipse do progressismo traz uma reflexão da uruguaia Lilian Celiberti sob a ótica do feminismo.

Da leitura de conjunto dos artigos, sobressaem alguns elementos. Todos os governos se apoiaram na exportação de matérias-primas, enfrentando necessariamente quem a isso se opôs. Crescimento e assistencialismo andaram de mãos dadas com cooptação e alienação, enquanto o vento das commodities soprou à favor.

Na economia política do progressismo, o poder converteu-se em um fim, derivando em práticas antidemocráticas onde ainda subsiste. No conjunto evidenciam-se, pela esquerda, os nexos entre o conteúdo cíclico da economia dependente e as formas repressivas da política que lhe corresponde, sustentando desigualdades e privilégios desde a Colônia.

Será preciso fazer muito e tudo diferente para que as coisas mudem. Não por gosto, mas por necessidade. Esperamos que o eclipse do progressismo seja, enfim, um ocaso. E, quando o movimento da história gravitar para a esquerda, tanto faz a revolução dos astros, desde que ilumine novamente a revolução na Terra.

Frei Henri continua vivo
na luta pela reforma agrária

Por Carolina Motoki

 

No acampamento Frei Henri des Roziers havia uma enorme castanheira. Aos seus pés, o frade dominicano que empresta nome à comunidade comemorou seu último aniversário no Brasil. Ali gostaria de ser enterrado. Um dia depois que as famílias acampadas receberam a notícia de que Henri havia morrido na França, no final de novembro passado, aos 87 anos, a castanheira tombou. Sobrevivente do desmatamento que transformou a floresta em capim, no sul-sudeste paraense, a árvore de tronco comprido e copa alta não sabe viver só.

Uma outra árvore frondosa Henri avistava pela janela do seu quarto no convento de Saint-Jacques, em Paris, onde passou seus últimos anos, cabeça sã, corpo quase imóvel. A árvore lhe indicava as estações do ano, tão marcadas na França. Seu amigo Didier Laurent escreveu que ela “era natureza viva, feito relógio de sol na parede da igreja, marcando o tempo longo e lento”. Dizia que a árvore cuidava dele.

Memorial em homenagem a Frei Henri construído em assentamento que leva seu nome, em Curionópolis (Foto: Idelma Santiago)

Estou no carro com Didier. De Marabá a Xinguara, onde Henri viveu mais da metade dos quase quarenta anos que passou no Brasil, quase não há mais castanheiras. Somos conduzidos por Frei Xavier Plassat, companheiro de Henri de origem, de fé e de batalhas travadas. Percorremos a estrada da região banhada de luta, conhecida pelos assentamentos e acampamentos de trabalhadores sem-terra, mas também pelos latifúndios sem fim.

Paramos onde houve banho de sangue: na curva do S, a juventude do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se reunia para estudar, em memória ao massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido 22 anos antes. Paramos também no “acampamento de Henri” em Curionópolis, onde um mutirão terminava de construir a capela: no sábado, 14 de abril, as cinzas de Frei Henri seriam depositadas ali, atendendo a um pedido dele mesmo.

“Apaixonado por justiça”: o título do livro lançado em seu funeral resume bem a história desse frade dominicano, advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), defensor de camponeses, trabalhadores sem-terra e daqueles que foram escravizados em busca de vida digna. Frei Henri era um obstáculo aos fazendeiros que pretendem se fazer donos do mundo e reis do gado a qualquer custo. E assim era, pois caminhava ao lado do povo.

Por conta disso, recebeu a homenagem do MST ainda vivo: o acampamento Frei Henri existe há oito anos. Marcada pela transitoriedade e pela incerteza, a vida das famílias acampadas é feita de respirar diariamente o conflito concreto, ora pelos tiros dos pistoleiros, ora pela dificuldade de se resistir de sol a sol. Nas mãos que secam o suor, a esperança é sedimento de superação da condição de pobreza, de superação da escravidão reiterada. É a transformação da fome em alimento. É a construção de uma nova possibilidade de vida, das plantações e paredes da escola à árdua tarefa de reaprender a conviver em comunidade.

Da castanheira que caiu após a morte de Henri, as famílias acampadas fizeram uma ponte, que hoje é caminho entre as moradias e as roças, antes separadas por um igarapé.

Sepultar ali, em um símbolo de eternidade, quem esteve boa parte da vida jurado de morte por fazendeiros e grileiros é como ocupar novamente o território, fincar a bandeira da reforma agrária, quando esta parece tremular cada vez menos no debate nacional. No ano passado, nem uma só família foi assentada no Brasil. Pelo menos 65 pessoas foram assassinadas em conflitos no campo.

Violência contínua

Na região, a disputa territorial não dá trégua. Os constantes ataques ao acampamento Frei Henri são marca disso. A terra, pertencente à União, foi retomada de um grileiro pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), mas as famílias ainda não foram assentadas e continuam sofrendo ameaças e violências.

Os casos se multiplicam e compõem uma estatística doída, colocando o estado do Pará entre os campeões de mortes no campo. Em sua vida, Henri se empenhou pessoalmente no combate à impunidade dos mandantes de muitos desses assassinatos.

No ano passado, quando já estava de volta a Paris, doente, Henri soube do maior massacre dos últimos anos, ocorrido bem na região onde vivia: dez pessoas foram assassinadas por policiais militares e civis na fazenda Santa Lúcia, no município de Pau D’Arco. Mais uma morreu dias depois, aumentando o número para onze mortos.

Frei Xavier Plassat e o livro Apaixonado por justiça, sobre Frei Henri, traduzido por ele (Foto: Thomas Bauer)

Na semana das cerimônias do sepultamento de Henri, entre os dias 12 e 16 de abril de 2018, o cheiro de violência ainda pairava no ar: policiais civis envolvidos no massacre declararam, em audiências de instrução e julgamento, que foram coagidos por PMs a apertar o gatilho. Um policial descreveu como atirou em trabalhadores sem-terra já rendidos: um deles pediu para morrer em pé. Como as árvores.

Reunião de ódio

Os policiais civis também disseram no depoimento que pecuaristas fizeram uma “vaquinha” para pagar os envolvidos. Revestidos dos símbolos da modernidade de um agronegócio pujante e “pop”, os crimes perenes ao longo dos anos — além de assassinatos, grilagem de terras, degradação ambiental e trabalho escravo — mostram que são muitos os fazendeiros que não abrem mão da violência. Ainda assim, organizados, com ampla representação no Congresso e com força de incidir na disputa eleitoral, tentam mudar o estatuto do desarmamento para enfrentar, armados, a violência da qual se dizem vítimas.

Como narrado pelos policiais e denunciado por entidades ligadas aos trabalhadores rurais e à defesa dos direitos humanos, os fazendeiros da região são conhecidos pela ação em conjunto, os chamados “consórcios”. Teria sido tomada em “consórcio” a resolução de matar lideranças conhecidas, entre elas duas pessoas que trabalharam ao lado de Henri: o padre Josimo, morto nos anos 1980 por sua atuação no norte do estado do Tocantins, e a missionária Dorothy Stang, executada em 2005, no Pará.

O ódio que Josimo e Dorothy ainda suscitam entre grileiros e latifundiários não se esconde. Seus rostos estampavam o convite de um evento que aconteceria no Maranhão, na mesma semana do funeral de Henri, intitulado “Os falsos mártires da teologia da libertação”. Quando Dorothy foi executada, fogos de artifício foram ouvidos em Anapu, onde sofreu o atentado.

Fogos de artifício também foram ouvidos na mesma cidade para comemorar outro feito, neste ano: a prisão de padre Amaro, também da CPT, e apontado como um dos sucessores de Dorothy no apoio às famílias que lutam por um pedaço de chão. Em nota divulgada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), a entidade patronal descreve as inúmeras denúncias protocoladas desde 2015 contra padre Amaro, assim como as “provas” apresentadas, sem receio de atacar de forma raivosa o religioso, a CPT, a própria irmã Dorothy e até o ex-ouvidor agrário nacional, Gercino da Silva Filho, classificados como incitadores das “invasões no campo”. Exemplo de expressões atribuídas a padre Amaro são “diatribes”, “embusteiro” e “subversivo”, reveladoras do ódio que fazendeiros manifestam contra os que denunciam seus crimes.

A assessoria jurídica da CPT produziu um documento que contesta as acusações contra Amaro que, dia após dia, denunciava irregularidades constatadas pelo Ministério Público Federal em visita recente a Anapu. Padre Amaro continua no presídio de Altamira. Por enquanto, os fazendeiros seguem vitoriosos.

O sonho possível

De quantas vidas é construída a memória de um lugar? De quantas mortes? Em que territórios se assentam sonhos em roças? Em quais deles se alongam as clareiras de gente, expulsas pelas cercas dos pastos sem fim, adubados pelo sangue derramado e pelo suor de quem foi explorado?

Fogos de artifício também foram ouvidos diversas vezes em Xinguara, quando fazendeiros achavam — erroneamente — que Henri havia morrido. Diz-se que um churrasco foi feito para comemorar sua morte, quando efetivamente ocorreu, na França. No acampamento, no dia em que as suas cinzas ocuparam a capelinha, não houve uma cerimônia de morte. Não se tratou de um enterro. Ao contrário, presenciamos uma celebração da vida.

“Frei Henri está presente, e a gente até sente o pulsar de seu coração”. Foi essa frase, repetida inúmeras vezes por quem estava no acampamento, que acompanhou as cinzas de Henri do palco onde aconteceu a celebração até o lugar onde hoje repousa, em “seu” acampamento.

Henri está presente, como nunca, na luta que segue, ainda necessária. Ali, mesmo pequenino, transformado em pó, ele reuniu muita gente em torno de um só sonho. Sob o céu do sul-sudeste paraense, encontraram-se muitas pessoas — vindas de diversos lugares — que acreditam que o campo deve ser um lugar onde é possível retomar a esperança e construir pontes a partir das árvores tombadas. Porque, definitivamente, elas não vivem sozinhas.

Elefante vs. Amazon

Se você está com a Editora Elefante há mais tempo, certamente já recebeu e-mails explicando como é importante para nós o gesto de pessoas que, como você, compram livros diretamente em nosso saite. Assim driblamos o pedágio das livrarias — sobretudo das grandes redes — e conseguimos valorizar cada um de nossos exemplares, o que possibilita o financiamento de novos títulos sem que leitores e leitoras paguem um centavo a mais por isso.

Com esta nova mensagem, pedimos licença para reforçar o argumento. O jornal duplamente golpista (1964 e 2016, não esqueçamos) Folha de S. Paulo publicou neste domingo, 15 de abril de 2018, em seu caderno “Ilustríssima”, o artigo “Contra a Amazon: razões para não gostar da gigante americana”, em que o escritor catalão Jorge Carrión elenca sete motivos para que não compremos livros neste hipermercado virtual globalizado e globalizante.

O texto reforça — e muito — o entendimento da Editora Elefante sobre a espinhosa questão da venda e distribuição de livros. Não, não somos contra a internet. Óbvio que não, né? Tampouco somos contra o comércio online. E muito menos contra as livrarias, sobretudo as pequenas. Quer prazer mais simples e delicioso do que passear por prateleiras, bater um papo com o livreiro (espécie em extinção), selecionar alguns títulos, pedir um café e demoradamente sentar-se em um sofá para folheá-los, escolhendo então essa boa companhia para dias chuvosos, pesquisas e fomes intelectuais em geral?

Devido à pequenez da Editora Elefante e à nossa incapacidade de entregar livros com a extrema agilidade que a pressa dos dias e das redes impõe a nossas vontades e desejos, temos enfrentado muitas queixas sobre a “demora” dos Correios em entregar os livros que vocês adquirem em nosso saite. Sim, lamentamos muito que essa empresa orgulhosamente pública, que foi um verdadeiro xodó dos brasileiros durante anos, esteja sendo submetida a um processo de sucateamento com vistas à privatização, com prejuízos a seus clientes: tanto aos remetentes (nós) quanto aos destinatários (vocês).

Nossa impossibilidade, minúsculos que somos, de atender imediatamente os pedidos de livros em nosso saite e o recente desleixo dos Correios podem alimentar desejos de encontrar formas mais ágeis de compra e envio. E aqui entra a Amazon, que promete entregar produtos em até uma hora depois da compra em mais de quarenta cidades do mundo — entre elas, Barcelona, de onde escreve Jorge Carrión. Mas, claro, isso tem um preço, um preço humano, que nós não temos condições nem vontade de pagar, nem de incentivar.

“Atualmente os ‘amazonians’ [trabalhadores da Amazon] são auxiliados por robôs Kiva, capazes de levantar 340 kg e de se mover na velocidade de 1,5 m por segundo. Sincronizados com os trabalhadores humanos através de um algoritmo, se ocupam de erguer e movimentar as estantes para facilitar a recolha dos produtos”, explica Carrión. “Uma vez reunidos os produtos que um cliente tenha comprado, outra máquina, chamada Slam, com sua enorme esteira, se encarrega de escaneá-los e embalá-los.”

Imaginem vocês nosso estarrecimento ao ficar sabendo disso. Nós, que somos duas pessoas na lida diária, que processamos os pedidos, empacotamos os livros e enviamos e-mails de agradecimento manualmente… “Para a Amazon, não existe diferença substancial entre patinhos de borracha, pacotes de bolachas, cachorrinhos de pelúcia e livros. São mercadorias de classe semelhante. Mas não para nós”, continua Carrión, ecoando nossa visão das coisas. “Para nós, um livro é um livro, é um livro. E a leitura dos livros — atenção e júbilo — é um ritual, o eco do eco do eco do que foi sagrado.”

Não iremos nos estender em citações. Vale a pena ler o artigo todo.

Queremos apenas reiterar a importância de vocês para a Editora Elefante. Cada livro que vocês compram diretamente conosco, ou cada livro nosso que vocês adquirem em pequenas livrarias — nas que estão resistindo ou nas que, contra todos os prognósticos, como as pequenas editoras, estão sendo corajosamente abertas nestes dias de ultraconectividade –, é uma ode à humanidade, às pequenas iniciativas literárias, ao cuidado não apenas com o objeto-livro mas com a ideia-livro. E também desconcentra renda.

Os preços e as condições de entrega da Amazon podem ser tentadores, mas é sempre bom saber o que existe por trás de cada desconto. Megacorporações que roubam seus dados, por exemplo, robotização indiscriminada, ritmos frenéticos de trabalho, empregados estressados. Por trás da Editora Elefante, em compensação, há uma rede de cabeças pensantes, profissionais talentosos, gente esforçada, pessoas imbuídas de uma paixão meio inexplicável por produzir livros bons, bonitos e baratos. E vocês, claro. Porque, sem querer parecer repetitivo, não seríamos nada sem vocês.

Continuem conosco, em manada.

Grande abraço,

Os paquidermes

O pensamento especulativo dos Guarani,
segundo Eduardo Viveiros de Castro

Em texto publicado no livro Povos indígenas do Brasil 2011-2016, lançado pelo Instituto Socioambiental em 2017, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, professor do Museu Nacional do Rio de Janeiro, analisa o trabalho de outro antropólogo, Daniel Calazans Pierri, autor de O perecível e o imperecível: reflexões guarani mbya sobre a existência, que chega em abril pela coleção Fundo & Forma da Editora Elefante.

O texto de Viveiros de Castro versa sobre o “fim do mundo” sob a ótica dos Guarani, um dos pontos centrais do trabalho acadêmico de Pierri. Por que os Guarani? “Em primeiro lugar”, escreve, “porque os Guarani, hoje mais do que nunca, estão se tornando um símbolo concreto da ofensiva final em curso contra os povos indígenas brasileiros. O seu mundo […], o mundo de criação e destruição, está de fato, sendo destruído.”

Para Viveiros de Castro, “o fato é que, se alguma coisa nos interpela hoje, é a ligação entre a expressão ‘destruição do mundo’ e o etnônimo ‘Guarani’ — o que vemos acontecer hoje no Mato Grosso do Sul em particular”. E aqui abrimos espaço para o livro que lançamos em novembro de 2017, Do corpo ao pó: crônicas da territorialidade kaiowá e guarani nas adjacências da morte, de Bruno Martins Morais, que Viveiros não cita, mas que trata exatamente — e também — disso.

“O mundo deles está, de fato, acabando — ou melhor, sendo acabado — pelos brancos, escusado dizer. Por uma espécie muito particular de brancos. E é também um certo mundo, um certo Brasil que vai se acabando junto com esse mundo. Assim, escolho os Guarani para falar sobre destruição do mundo por eles serem hoje um símbolo particularmente pungente e ultrajante desse massacre físico, jurídico e político de que são alvo os povos indígenas.”

E aqui começam as referências ao trabalho de Daniel Calazans Pierri, que, diz o renomado antropólogo, “restaura os direitos especulativos [do] pensamento [guarani], contra a voga hipercriticista e ‘materialista’ que recusou qualquer tipo de fundamento religioso aos deslocamentos territoriais [desse povo], em nome de considerações ecológicas[, e] mostrou que a especulação cosmológica, escatológica e filosófica dos Guarani não é separável e menos ainda excludente de uma reflexão sobre as condições materiais de existência desses povos.”

E continua: “Essa oposição simplista que, na verdade, dominou nas últimas décadas um debate acadêmico entre os que defendiam a motivação puramente religiosa ou a motivação puramente material da busca da Terra sem Males é uma oposição insubsistente. O pensamento especulativo guarani, como todo pensamento especulativo, é necessariamente correlacionado a determinadas condições materiais de existência. Mas uma reflexão não é um reflexo. Esse pensamento é uma reflexão filosófica feita a partir das condições históricas de opressão e de dominação que os povos guarani sofreram ao longo de cinco séculos.”

Nos três capítulos de O perecível e o imperecível, Pierri descreve e analisa as visões de mundo coletadas junto após longas conversas e anos de pesquisas junto aos Guarani Mbya em aldeias do Sul e Sudeste do país. A maioria das entrevistas é apresentada em versão bilíngue: português e guarani. No livro, o leitor poderá conhecer mais sobre como os Mbya enxergam a criação do mundo dos índios e do mundo dos brancos, além de sua interpretação sobre a vinda de Jesus, filho de Tupã, morto pelos brancos — que por isso, como castigo, vivem em um mundo onde tudo é perecível, estraga.

Uma vida dedicada à reforma agrária e ao combate do trabalho escravo

Sabemos da extrema violência que acomete os camponeses que lutam pela terra nas paragens mais distantes dos grandes centros urbanos brasileiros, sobretudo na região amazônica. Mas existe pouquíssima informação disponível sobre as pessoas que levam consigo a bandeira da reforma agrária — e menos ainda sobre as dificuldades e alegrias que colhem na aridez cotidiana de ameaças, mobilizações e decisões judiciais.

Eis uma das principais contribuições do livro Apaixonado por justiça: conversas com Sabine Rousseau e outros escritos, de Henri Burin des Roziers, publicado pela Editora Elefante em parceria com a Comissão Pastoral da Terra e a Comissão Dominicana de Justiça e Paz no Brasil. Conhecido no país como Frei Henri, o religioso francês chegou ao Bico do Papagaio, região entre Tocantins, Pará e Maranhão, e reconhecida pelos índices de violência no campo, nos anos 1980. Antes, na França, havia participado ativamente do Maio de 1968 e de lutas sindicais.

Formado em Direito em Paris, Frei Henri começou a atuar como advogado dos camponeses que lutavam pela terra na região. Viu amigos e companheiros serem perseguidos e brutalmente assassinados, como Gabriel Pimenta, jovem advogado da CPT, e Paulo Fonteles, deputado estadual paraense. O próprio Henri foi alvo de inúmeras ameaças de morte, e viu sua cabeça valer milhares de reais na mesma época em que pistoleiros acabaram com a vida da irmã norte-americana Dorothy Stang em Anapu, no Pará, em 2005.

Apaixonado por justiça está dividido em três partes. A primeira consiste em uma longa entrevista, no formato de perguntas e respostas, concedida por Frei Henri à historiadora Sabine Rousseau. A segunda parte traz textos do próprio religioso. Na terceira é possível conhecer a repercussão ocorrida no Brasil e na França pela morte de Frei Henri, que faleceu em Paris em novembro de 2017 devido a complicações de uma miopatia congênita.

“Esse homem magro, de fala mansa e andar compassado, tornou-se referência no acolhimento de vítimas do combate ao trabalho escravo e na denúncia desse crime à Justiça e ao mundo. Mas também se tornou um dos principais atores na luta pela reforma agrária, contra a impunidade dos ricos detentores de terras e pelo fim das arbitrariedades policiais”, escreveu Leonardo Sakamoto em seu blogue por ocasião da morte do frade francês.

“O falecimento de Henri por causas naturais, e não provocada por algum dos muitos que queriam sua morte, foi uma vitória, apesar de trazer um vazio a todos seus amigos — grupo ao qual, orgulhosamente, me incluo”, continua o jornalista. “Pois nenhuma das várias ameaças que recebeu e nenhuma das tentativas de assassinato que sofreu conseguiram impedir seu trabalho.”

A origem dos brancos, o mundo celeste dos Guarani e Jesus, filho de Tupã

Na terça-feira, 17 de abril, a Editora Elefante lança O perecível e o imperecível: reflexões guarani mbya sobre a existência, de Daniel Calazans Pierri, segundo título da coleção Fundo & Forma, que publica obras contemporâneas de antropologia. Na ocasião, o autor debaterá sua obra com Jera Poty Miri e Tiago Karai, lideranças indígenas da cidade de São Paulo. O bate-papo contará ainda com a presença de Dominique Tilkin Gallois, professora do Departamento de Antropologia da USP.

Em três capítulos, Pierri descreve e analisa as visões de mundo coletadas junto após longas conversas e anos de pesquisas junto aos Guarani Mbya em aldeias do Sul e Sudeste do país. A maioria das entrevistas são apresentadas em versão bilíngue português e guarani. No livro, o leitor poderá conhecer mais sobre como os mbya enxergam a criação do mundo dos índios e do mundo dos brancos, além de sua interpretação sobre a vinda de Jesus, filho de Tupã.

O perecível e o imperecível é resultado de pesquisa que ‘finalizei’ em 2013, e tive com essa publicação a intenção de valorizar o pensamento filosófico dos anciãos e anciãs guarani com quem tenho convivido, além de apresentar um ponto de vista sobre o mundo guarani que permita trazer mais empatia e respeito por parte dos jurua, os não indígenas”, explica Daniel Calazans Pierri.

“Considero especialmente relevante no livro as transcrições de conversas que tive com esses pensadores e pensadoras guarani mbya, e que traduzi junto com meu amigo Werá Alexandre: são reflexões sobre nossa existência nessa terra perecível que vivemos; sobre os guarani, as divindades e seus belos modos de existência; e sobre os jurua e seu avassalador modo de vida capitalista, inaugurado quando os próprios jurua decidiram assassinar o filho de Tupã, que veio a terra para ensiná-los”, complementa o autor.

“Daniel Pierri, em trabalhos recentes, restaura os direitos especulativos do pensamento guarani contra a voga hipercriticista e ‘materialista’ que recusou qualquer tipo de fundamento religioso aos deslocamentos territoriais dos Guarani em nome de considerações ecológicas”, afirma o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, do Museu Nacional do Rio de Janeiro.

“Pierri mostrou que a especulação cosmológica, escatológica e filosófica dos Guarani não é separável e menos ainda excludente de uma reflexão sobre as condições materiais de existência desses povos”, continua. “Mas uma reflexão não é um reflexo. Esse pensamento é uma reflexão filosófica feita a partir das condições históricas de opressão e de dominação que os povos guarani sofreram ao longo de cinco séculos.”

 

Lançamento

Terça-feira, 17 de abril, às 19h
Ateliê do Bixiga
Rua Conselheiro Ramalho, 945, Bela Vista, São Paulo-SP
Próximo às estações de metrô Brigadeiro e São Joaquim
Debate com
Jera Poty Miri, liderança guarani mbya
Daniel Pierri, autor
Dominique Tilkin Gallois, professora USP
Tiago Karai, liderança guarani mbya
Entrada franca!

Livro analisa ‘ciclo progressista’ e aponta caminhos para a esquerda latino-americana

A América Latina atravessa atualmente um período de impasse e turbulência, em parte pela dinâmica interna de seus países, mas também como consequência de sua forma particular de inserção no mercado mundial. Para refletir sobre essas questões, o livro O eclipse do progressismo: a esquerda latino-americana em debate reúne oito artigos de diversos autores, como Alberto Acosta, Edgardo Lander e Pablo Solón, com o objetivo de pensar criticamente a conjuntura que atravessa o continente e seus países, além das perspectivas políticas da região. A publicação será lançada em São Paulo na segunda-feira, 12 de março, às 17h, e em Salvador, durante o Fórum Social Mundial, em 15 de março.

Tais artigos surgiram a partir de apresentações realizadas no seminário “A América Latina hoje: uma avaliação crítica sobre a esquerda e os governos progressistas”, que ocorreu durante o Fórum Social Mundial de 2016, em Montreal, e que teve continuidade em Porto Alegre, durante o Fórum Social das Resistências, em janeiro de 2017.

ENCOMENDE SEU EXEMPLAR

O livro aborda e analisa o ciclo de governos progressistas na região, que chegaram à frente de seus Estados entre 1999 e 2008 a partir das lutas populares anteriores contra as políticas de ajuste fiscal. As economias cresceram e garantiram recursos para importantes políticas distributivas, integrando parcelas da população, antes excluídas, aos mercados de consumo.

“A estratégia aplicada foi, de conjunto, correta e os problemas foram mais localizados ou, ao contrário, tratou-se de uma estratégia equivocada? Quais são os pontos de apoio para as lutas de resistência contra a aplicação de políticas ultraliberais que a direita está tentando aplicar? Quais alternativas propomos? Como combinar as lutas de resistência em curso e a experimentação dessas alternativas?”.

Esses são alguns dos questionamentos que direcionam as análises da publicação. Os autores acreditam que com os efeitos da crise global de 2008, o crescimento do nacionalismo xenófobo e do pensamento conservador, a esquerda latino-americana vive um período de recomposição, em que o balanço da experiência dos governos progressistas ocupa um lugar central.

O evento de lançamento questiona o Fórum Econômico Mundial para a América Latina (WEF), também conhecido como Mini Davos, que será realizado este ano na cidade de São Paulo, entre os dias 13 e 15 de março, e o livro é uma publicação da Editora Elefante, com o apoio da Ação Educativa.

Serviço

Lançamentos do livro O eclipse do progressismo

São Paulo
Data: 12/03, a partir das 17h
Local: Auditório da reitoria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) – R. Sena Madureira, 1500, Vila Clementino, São Paulo/SP.

Salvador
Data: 15/03, a partir das 17h
Local: Fórum Social Mundial, Salvador/BA.

Conheça os autores:

José Correa Leite – paulista, é professor universitário com doutorado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2005) e pós-doutorado pela Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (2015). Foi editor do jornal Em Tempo e organizou, com Isabel Loureiro e Maria Elisa Cevasco, o livro O espírito de Porto Alegre.

Emilio Horacio Taddei – portenho, é professor da Universidade de Buenos Aires, com mestrado e doutorado pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris da Fondation Nationale de Sciences Politiques. Foi coordenador acadêmico da CLACSO (Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais) e organizou, com José Seoane, o livro Resistencias mundiales: de Seattle a Porto Alegre.

Giovanna Roa – ativista chilena, comunicadora e colaboradora em projetos culturais e políticos, públicos e privados. Designer e co-diretora do festival feminista Ruidosa. Foi vice-presidente da Federação Estudantil da Universidade Católica em 2010 e diretora criativa em campanhas políticas.

Lilian Celiberti – é professora e feminista uruguaia. Começou sua militância no centro dos professores estudantis e foi prisioneira política da ditadura militar em seu país aos 21 anos. É coordenadora da Cotidiano Mujer e participa da Articulação Feminista Marcosur(AFM), promovendo o desenvolvimento de um campo político feminista a nível regional e mundial.

Alberto Acosta – economista e político equatoriano. Professor da FLACSO – Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais, foi um dos redatores do plano do governo da Aliança PAIS – Pátria Altiva e Soberana. Foi ministro da Energia e Minas e Presidente da Assembleia Nacional Constituinte.

John Cajas Guijarro – economista equatoriano graduado da Escola Politécnica Nacional. Tem mestrado em Economia do Desenvolvimento pela FLACSO – Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais. É professor de Economia Política da Universidade Central do Equador e da Escola Politécnica Nacional do Equador.

Alejandro Bendaña – fundador do Centro de Estudos Internacionais em Manágua, Nicarágua. Possui um Ph.D. em História pela Universidade de Harvard. Autor de vários livros sobre relações internacionais e reconstrução pós-guerra, atuou como consultor do Programa UNESCO de Cultura da Paz

Pablo Solón – diretor da Fundação Solón, o político boliviano é ex-diretor executivo do Focus on the Global South, grupo de pesquisa ativista, e ex-embaixador do Estado Plurinacional da Bolívia nas Nações Unidas (ONU). Lidera o Observatório Boliviano de Mudanças Climáticas e Desenvolvimento.

Edgardo Lander – professor e pesquisador venezuelano do Departamento de Estudos Latino-Americanos da Escola de Sociologia, é consultor da comissão venezuelana que negocia a Área de Livre Comércio das Américas. Trabalha na Faculdade de Ciências Econômicas e Sociais e é membro do Conselho Editorial da Revista Venezuelana de Economia e Ciências Sociais da Universidade Central da Venezuela.

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