Junho de 2013, nossa memória diária

Por Tadeu Breda

Texto originalmente publicado no El País Brasil

Quando ouviu dezenas de soviéticos afetados pelo acidente nuclear de Tchernóbil, vinte anos após a explosão do reator, a escritora bielorrussa Svetlana Aleksiévitch questionou-se: “Sou testemunha do quê, do passado ou do futuro?” Ao olhar para as vítimas do Estado brasileiro, eu me faço cada vez mais a mesma pergunta. Suas histórias ficaram para trás? Ou continuarão ecoando?

Não saberia explicar com argumentos precisos o que me fez e me faz escrever sobre Sérgio Silva, fotógrafo que perdeu o olho esquerdo depois de receber o impacto de uma bala de borracha disparada pela Polícia Militar de São Paulo em 13 de junho de 2013. Faz três anos – e eu continuo tentando descobrir. Ele também.

Escrevi Memória Ocular, lançado pela Editora Elefante nesta semana, para narrar a história de Sérgio Silva em três momentos: 2013, poucos meses após o ferimento; 2015, quando a mutilação completou dois anos; e 2016, às vésperas do terceiro aniversário. Ao ouvir seu testemunho – e de familiares, manifestantes, advogados, autoridades – tentei compreender o que significa ser uma vítima do Estado. Não consegui: não completamente.

É claro que Sérgio Silva não é o único cidadão que sofre graças à ação do aparato estatal brasileiro. Há uma infinidade de outras pessoas que padeceram – e continuam padecendo – violências ainda mais monstruosas que a extirpação de um olho. Qualquer defensor público poderia passar horas recitando casos de agressão, prisão, condenação e morte rotineiros nas periferias das grandes cidades.

Qualquer um de nós relaciona o número cento e onze com as mortes do presídio de Carandiru, em 1992. Qualquer um sabe dos quase seiscentos assassinatos perpetrados pela polícia em resposta aos ataques da facção criminosa, em 2006. Sem contar os incontáveis – porque escondidos – casos de tortura e desaparecimento durante a ditadura. Há ainda o martírio dos índios e camponeses, há as marcas da escravidão.

Mas não é possível classificá-los por alguma espécie de escala. Qual caso é mais grave? A extensão da violência se instala profundamente em quem sentiu o golpe do Estado – não importa com que arma tenha sido desferido ou qual sua extensão. Dores indizíveis proliferam ao som das viaturas, dos disparos das armas de chumbo ou de borracha, dos despachos assinados por juízes e desembargadores, dos pronunciamentos de governantes, secretários e ministros. Mas dificilmente chegam às manchetes.

Costumamos ater-nos às estatísticas, privilegiando as taxas mais impactantes e ignorando que a condição da vítima – seu sofrimento – transcende os números. Sérgio Silva é a vítima mais visível da repressão às jornadas de junho de 2013 em São Paulo, mas, tivesse a polícia matado alguém, poderia não ter sido. Ainda assim, teria perdido o olho. Em outras capitais, histórias parecidas se repetiram durante aquela onda de rebeldia popular. No Rio de Janeiro, Rafael Braga foi preso e condenado por porte de produtos de limpeza. Em Belo Horizonte, dois jovens morreram após despencarem de um viaduto. Em Belém, uma mulher também morreu, asfixiada pelo gás lacrimogêneo lançado pelas forças de segurança.

Eu escolhi escrever sobre Sérgio, talvez, pela proximidade. Não nos conhecíamos, mas como eu, ele é jornalista. Como eu, estava trabalhando na cobertura da manifestação que tomou o centro de São Paulo no quarto dia de protestos convocados pelo Movimento Passe Livre para exigir a revogação do aumento da tarifa de transporte público. Poderia ter sido eu, poderia ter sido qualquer um de nós que lá estávamos – manifestantes, transeuntes, repórteres – a pessoa a levar um tiro de bala de borracha no olho. A aleatoriedade da violência estatal é tão chocante quanto sua seletividade.

Sérgio não portava armas nem estava colocando a vida de ninguém em risco. Tinha uma câmera nas mãos. Eu tinha um caderno. Havia quem tivesse flores. As pessoas queriam apenas marchar até a Avenida Paulista. Mas o Estado preferiu atender o pedido dos grandes jornais da cidade, dos canais de rádio e televisão, que exigiam um basta: chega de fechar nosso “cartão postal” com reivindicações absurdas. Então, a polícia interditou a Paulista para evitar que os manifestantes interditassem a Paulista. Lançou pelo menos 938 bombas de gás lacrimogêneo e disparou 506 balas de borracha. Uma delas, bem…

O dia 13 de junho de 2013 foi repleto de pequenos grandes absurdos, que, caso a democracia pudesse ser medida pelo tamanho do desrespeito às suas regras, não se comparariam aos escândalos registrados diariamente nas periferias de São Paulo, mas que, talvez pela primeira vez em anos, trouxeram para o centro da cidade uma pequena mostra do funcionamento da corporação.

Então, houve clamor, houve uma profunda crítica aos desmandos policiais. Pouco tempo depois, as “jornadas de junho” seriam alvo de uma intensa disputa simbólica. Por enquanto, as forças mais conservadoras estão vencendo a peleja por seu legado. As grandes manifestações têm sido usadas para impor retrocessos, como se os protestos ocorridos em 2013 já tivessem começado com as cores da bandeira nacional…

Quem estava lá sabe que não foi assim. E Sérgio Silva traz no rosto o que todos nós trazemos na lembrança. Somos milhares de memórias oculares. Sérgio é uma única evidência ambulante. O olho que não tem grita ruidosa e claramente. Basta querer ouvir.

Depois de junho, ao contrário do que queríamos, o Estado continuou reprimindo. Fomos tolos ao acreditar que, após o espetáculo de violência policial daquele dia 13, com cerca de cento e cinquenta feridos e mais de duzentos presos, a Polícia Militar finalmente revisaria seus métodos de ação em manifestações. Fomos ingênuos ao pensar que uma das heranças da ditadura incrustada na corporação seria finalmente eliminada.

Os protestos contra a tarifa terminaram vitoriosos: os governantes obrigaram-se a reduzir o valor bilhete de R$ 3,20 para o preço anterior: R$ 3. Hoje, porém, paga-se R$ 3,80 para tomar ônibus, trem ou metrô em São Paulo. A polícia aprendeu a respeitar a liberdade de expressão e manifestação da cidadania paulistana, mas resolveu aplicar esse aprendizado apenas parcialmente. Alguns movimentos podem ocupar a avenida que bem entenderem, no momento que quiserem, sem pedir autorização ao poder público. Outros, não. Brasileiros indignados, em verde-amarelo, podem montar barracas na rua para pedir impeachment. Estudantes secundaristas não podem colocar carteiras em cruzamentos para protestar contra o fechamento de noventa escolas.

Desde aquele junho, multiplicam-se os exemplos da politização explícita da Polícia Militar. Multiplicam-se também as vítimas. Em janeiro, durante nova mobilização do Passe Livre, um professor recebeu um tiro de bala de borracha na testa: por apenas dois centímetros, salvou-se da escuridão que se abateu sobre o olho esquerdo de Sérgio Silva. O fotógrafo, que, num esforço de superação, estava lá para cobrir o novo protesto, não hesita ao dizer: “A repressão de janeiro foi mais violenta que a que me cegou.”

Ao mergulhar em sua história, Memória Ocular também conta a história das novas vítimas do Estado. O lançamento do livro ocorreu na esquina da Rua da Consolação com a Rua Maria Antonia, encruzilhada em que o fotógrafo foi atingido. Três anos depois, rodeado de solidariedade, Sérgio recebeu duas visitas repletas de simbologia: a dos secundaristas, entre eles sua filha, vieram em marcha para fazer parte da celebração. E a de Douglas Santana, menino de doze anos que perdeu o olho em abril passado, também vítima de bala de borracha durante repressão da PM a um baile funk na rua. Douglas chegou acompanhado pela mãe, Vanessa, que não quer ver a história do filho entrando para o quilométrico o rol das injustiças esquecidas.

Passado e presente se juntaram em lágrimas e promessas de superação. O futuro, porém, não guarda tantas esperanças. Infelizmente, essa história ainda não tem ponto final. Oxalá eu pudesse responder à pergunta de Svetlana Aleksiévitch e afirmar que sou uma testemunha do passado – e só do passado. Mas, como, se o passado teima em se repetir, não pela memória, e sim pela violência? Como esquecer o que acontece todos os dias?

Tadeu Breda, jornalista, é autor de Memória Ocular (Editora Elefante, 2016) e O Equador é verde: Rafael Correa e os paradigmas do desenvolvimento (Editora Elefante, 2011)

Corumbiara, caso enterrado será vendido com descontão em Rondônia

Amigas e amigos de Rondônia, vocês têm sido tão gente boa conosco que resolvemos dar uma boiada. Esta semana, pousamos no estado para uma série de debates, entrevistas, palestras. Durante estes eventos, Corumbiara, caso enterrado será vendido sem o preço de frete. Nós, da Editora Elefante, decidimos retirar o custo do transporte dos livros de São Paulo a Vilhena para garantir que o trabalho seja acessível a ainda mais gente. Com isso, o valor cai de R$ 37 para R$ 30 – e com direito a uma dedicatória do autor.

Esta é uma das maneiras que encontramos para retribuir o imenso carinho, interesse e engajamento que muitas pessoas vêm demonstrando nas redes sociais, nos e-mails, nas conversas por telefone. Há um tantão de gente mobilizada para garantir belos momentos em nossa passagem pelo estado – e para difundir o livro entre os leitores e as leitoras rondonienses.

Não faltarão oportunidades para adquirir um exemplar economizando uns caraminguás. Ao longo dos próximos quinze dias, serão 15 eventos espalhados por oito cidades: Vilhena, Colorado do Oeste, Cacoal, Rolim de Moura, Ji-Paraná, Ouro Preto do Oeste, Ariquemes e Porto Velho. Debateremos o livro-reportagem sobre o chamado “massacre de Corumbiara” com professores, estudantes, advogados, historiadores, jornalistas e quem mais se interesse por esse trabalho: o mais completo já publicado sobre o conflito agrário que entristeceu o Cone Sul de Rondônia em agosto de 1995.

Sempre haverá quem diga que R$ 30 ainda é muito caro. Se dependesse apenas de nós, presentearíamos com este livro todo mundo que quisesse. Mas, infelizmente, há prejuízos a saldar. Como calculamos o preço de Corumbiara, caso enterrado? Somamos o valor da impressão aos gastos que tivemos até o primeiro lançamento, em 20 de julho, em São Paulo. Desconsideramos totalmente aquilo que investimos no processo de apuração porque isso deixaria o preço muito mais alto. E chegamos à conclusão de que R$ 30 seria razoável para equilibrar a necessidade de pagar os custos da tiragem de mil exemplares e as possibilidades econômicas dos leitores.

Comprar nosso livro-reportagem não é apenas um ato individual de quem tem interesse em saber mais sobre o chamado “massacre de Corumbiara”. Trata-se também de ajudar a sustentar coletivamente uma iniciativa voltada ao fortalecimento do mercado editorial independente brasileiro. Se cada um coloca R$ 30 nessa história, não fica pesado pra ninguém e garantimos o lançamento de outros títulos sobre temas tão relevantes e tão esquecidos quanto este. E a Editora Elefante já está trabalhando em novos livros.

É certo que nossas iniciativas não têm o apelo comercial de um Paulo Coelho, de um Harry Potter, de um 50 tons de cinza. Ainda bem que é assim. Mas tudo o que publicamos tem um inegável valor cultural, artístico, jornalístico e de defesa do interesse público. Vender um livro-reportagem deste tipo a R$ 60 seria, portanto, contraditório com nosso objetivo de fazer com que as ideias voem longe, com que nosso trabalho seja usado, abusado e reproduzido, com que cada vez mais gente desperte para o desapegar de estruturas envelhecidas, que já não dizem nada sobre nossas verdadeiras necessidades.

Aproveite que estamos bonzim demais. Esta semana, encontramos vocês em Vilhena e em Colorado do Oeste. Bora lá!

Corumbiara: Raupp quebra silêncio,
mas não responde a questões-chave

Por João Peres*

O ex-governador de Rondônia, Valdir Raupp (PMDB), finalmente quebrou o silêncio sobre o episódio conhecido como “massacre de Corumbiara”. Em nota enviada ao saite G1, porém, ele se exime de responsabilidade pelas doze mortes ocorridas há exatos vinte anos, durante reintegração de posse na fazenda Santa Elina, no sul do estado, e deixa para a Polícia Militar a culpa pelo fato de a situação haver fugido ao controle.

Raupp não aceitou conceder entrevistas ao portal da Globo. Nos últimos vinte anos, o hoje senador tem evitado ao máximo ter contato com o assunto. Poucas vezes foi à região dos fatos, no Cone Sul rondoniense, e jamais visitou a Santa Elina. Quando o caso estourou, entre a madrugada e a manhã de 9 de agosto de 1995, enviou como seu representante o vice-governador, Aparício de Carvalho, e tomou um avião a Brasília, onde conseguiu demover o ministro da Justiça, Nelson Jobim, da ideia de que a Polícia Federal realizasse um trabalho de investigação paralelo ao dos órgãos estaduais.

Nos últimos três anos, procurei Raupp diversas vezes para uma entrevista. O assessor de imprensa sempre respondeu que seu cliente se reserva o direito de falar apenas sobre questões que lhe sejam favoráveis à imagem. Por isso, Corumbiara, caso enterrado foi impresso sem que se conhecesse sua versão a respeito.

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Agora, talvez por temor às organizações da família Marinho, talvez por estar numa posição de fragilidade política, já que é um dos investigados pela Operação Lava Jato, Raupp quebra o silêncio. Mas de forma incompleta. Não se abriu ao exercício do contraditório, tão importante para o jornalismo e, neste caso, para que se fechem as explicações em torno de um dos piores conflitos agrários do Brasil pós-ditadura. A nota emitida por sua equipe não preenche lacunas fundamentais. Vamos analisá-la parte por parte.

“A situação era tratada como um ato normal de reintegração de posse e que com bastante antecedência, havia encaminhado uma equipe de técnicos do governo do estado para buscar uma solução negociada. Tive a informação que a situação estava sob controle. A ida de técnicos do governo ao local foi uma das medidas para evitar o conflito.”

De fato, Raupp mandou uma equipe de negociadores à ocupação. Seu então secretário-executivo, Édio Antônio de Carvalho, dirigiu-se ao acampamento na Santa Elina em 1º de agosto de 1995, acompanhado por representantes do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Instituto de Terras de Rondônia (Iteron), além do deputado estadual Daniel Pereira, hoje vice-governador. A reunião com os líderes dos posseiros terminou com a promessa de que se encontraria uma área para o assentamento provisório das famílias. Foi a primeira e única rodada de conversas.

“Após o conflito, além das medidas para manter a segurança na região afetada pelo conflito, exonerei o então comandante da PM do estado, logo após o lamentável episódio.”

É verdade. O coronel Wellington Luiz de Barros Silva foi exonerado menos de uma semana após o caso. Mas, nesse ínterim, Raupp fez eco às explicações dadas pelo então comandante, que presumiu a inocência dos policiais e a culpa dos sem-terra pelas mortes. O então governador chegou a afirmar que entre os posseiros havia “atiradores de elite”, uma ideia que prevalece até hoje entre os policiais envolvidos no caso.

Além disso, o coronel foi demitido não pelo saldo sangrento da operação, mas pelos excessos retóricos – é um caso de peixe que morreu pela boca. “Taí uma resposta da nossa Polícia Militar para que pessoas não participem mais desses eventos. Os organismos do Estado e da União estão mobilizados para ajudar as pessoas que realmente precisam. Sem dúvida que a invasão deve acabar em nosso país”, afirmou Wellington, então, admitindo que não tinha provas sobre o suposto poder de fogo dos sem-terra.

“Não houve falhas no âmbito do governo do estado. Havia uma negociação em andamento entre as partes envolvidas coordenada por uma comissão governamental. O que ocorreu é que a situação fugiu do controle do aparato policial.”

Verdade: a situação fugiu de controle. Mas quem comanda o aparato policial? Constitucionalmente, o governador. Os sem-terra encaminharam a Raupp, no começo de agosto, uma carta alertando sobre a tensão crescente na Santa Elina e a possibilidade de uma tragédia. O deputado estadual Daniel Pereira também o havia alertado diversas vezes antes do início da operação.

Como Raupp não se abriu ao exercício da entrevista, privatizando uma narrativa pública, permanece sem resposta a grande questão em aberto do caso de Corumbiara: O que ocorreu na noite de 8 de agosto?

Após negociar com os sem-terra, o comandante da reintegração de pose, o então major José Ventura Pereira, disse à imprensa que ainda tentaria mais duas rodadas de conversas antes de proceder ao uso da força para retirar os sem-terra da área. Na madrugada seguinte, porém, deu início ao deslocamento das tropas em direção ao acampamento. A troca de tiros em campo aberto, primeiro, e uma série de abusos cometidos pelos policiais, depois, culminam nas doze mortes.

Raupp recebeu informações naquela noite? Foi ele quem tomou a decisão de que se desse cumprimento ao mandado de reintegração na madrugada seguinte? Ou foi uma medida que coube unicamente à corporação militar? Se a ordem coube ao governador, estaria ele devidamente informado sobre os perigos acarretados pela incursão no acampamento durante a noite? E as pressões dos fazendeiros locais? E a carta que o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Roberto Rodrigues, enviara ao governador, pressionando pela expulsão dos ocupantes da Santa Elina?

São questões que só serão respondidas no dia em que o ex-governador, hoje senador, resolver conversar. Não importa que o tema lhe seja prejudicial à imagem: alguém que se mantém há tantos anos com mandatos garantidos pelo voto popular deve explicações à sociedade.

Reforço meu pedido por uma entrevista. O livro já está publicado, mas a história não está fechada. A Editora Elefante e eu nos comprometemos a divulgar na internet um novo capítulo que trate apenas da versão de Raupp sobre os fatos na Santa Elina, a exemplo do que fizemos com sem-terra e policiais.

* João Peres é autor de Corumbiara, caso enterrado

Mídia brasileira ignora
20 anos do ‘massacre de Corumbiara’

capa-corumbiaraUm caso com pelo menos doze mortos é digno de recordação? Depende. Se você é editor de um veículo da mídia, terá de se colocar frente a algumas ponderações. As vítimas eram ricas? No caso, não – então, as chances de publicação caem 50%. Há alguma maneira de dizer que Lula e José Dirceu têm culpa pelo caso? Hum, a gente poderia inventar mais essa, chefe, mas não será fácil – pois então as probabilidades são reduzidas em mais 25%. O caso se passou nos bairros nobres de São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília? Não? Sinto muito, é melhor procurar outro veículo. E terá sorte se encontrar.

As doze pessoas mortas há exatos vinte anos na fazenda Santa Elina, em Corumbiara, não conseguiram preencher os requisitos necessários para que fossem aceitas nas páginas, nos áudios e nos vídeos de boa parte da mídia brasileira. São pobres: dois policiais, um rapaz não identificado e nove sem-terra, entre os quais havia uma criança, Vanessa, assassinada com tiro na barriga. Morreram em Rondônia, estado que não diz nada para gente — e muitos jornalistas. E pertencem a um grupo político capaz de despertar náuseas nos donos e nos principais anunciantes. “Morte de sem-terra? Em Roraima? Qual é?”, terá dito um editor. “É Rondônia, na verdade”, responderia o repórter. “Qual a diferença?”

Ao decidir ignorar o caso conhecido como “massacre de Corumbiara”, os meios de comunicação tradicionais — e também a chamada mídia alternativa — dão mais uma demonstração de descolamento entre a defesa do interesse público e sua realidade pré-fabricada. Algum grande jornal preferiu, neste 9 de agosto, relembrar os 30 anos do lançamento de Rambo II, com Sylvester Stallone matando vietnamitas, a recordar um dos casos mais significativos da transição incompleta do Brasil à democracia.

O curioso é que, à época, veículos de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília enviaram correspondentes aos locais dos fatos. Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e Veja debateram a fundo o tema, em vários momentos dando razão à visão dos sem-terra. Em 1995, cumpriram um papel importante à memória do episódio. Depois de duas décadas, é impensável que tornem a fazê-lo.

As redações estão mais desinformadas e muito menores: toda a memória oral garantida por jornalistas da velha guarda foi perdida pelas levas de demissões dos últimos anos. Estão menos interessadas no Brasil como um todo: o que importa é aquilo que pode ser usado contra um partido, uma figura pública, um grupo. E aprofundaram uma trajetória de preconceito que resulta na escolha do assunto de acordo com a renda do envolvido ou o interesse do anunciante em determinada questão.

Deixa-se passar em cinzentas nuvens um episódio central para discutir o presente. Olhando apenas para a questão agrária, o caso de Corumbiara é rico em desdobramentos. O país não avançou nada em termos de desigualdade rural e ainda há muitas mortes de líderes populares: apenas entre janeiro e junho de 2015, foram 23, nos cálculos da Comissão Pastoral da Terra.

Visto de modo mais amplo, o episódio leva a reflexões sobre a privatização de uma narrativa que deveria ser pública e sobre o desinteresse estatal em trabalhar pela construção da memória. O momento que o país vive, farto em exemplos de como a falta de conhecimento histórico provoca a repetição de erros, mais do que justifica que se recorde esta passagem do Brasil pós-ditadura.

Ao mesmo tempo, a indiferença da mídia tradicional faz crescer a importância de iniciativas como a Editora Elefante, que colocam a relevância social, política e cultural de um tema à frente das possibilidades de lucro. A frenética mudança no cenário da comunicação e do jornalismo nos coloca diante da necessidade de incentivar projetos capazes de contar histórias sem se preocupar em proteger privilégios de uns poucos ou interesses dos mais inconfessáveis.

O silêncio da imprensa brasileira em relação ao “massacre de Corumbiara” só não foi mais ensurdecedor porque lançamos Corumbiara, caso enterrado, um grande trabalho de investigação jornalística do repórter João Peres, com fotos de Gerardo Lazzari. Nos seus primeiros vinte dias de existência, o livro vem cumprindo seu papel: dar a conhecer, da maneira mais ampla possível, a história e os desdobramentos do conflito agrário ocorrido em Rondônia há vinte anos.

Se o massacre, em si, não despertou interesse dos jornais e jornalistas do país, o lançamento de Corumbiara, caso enterrado chamou a atenção de muitas pessoas – e garantiu que vários veículos registrassem, embora lateralmente, essa tragédia brasileira: Pública, Outras Palavras, Fórum, Amazônia Real, Carta Capital, Le Monde Diplomatique, entre outros, dedicaram resenhas e entrevistas à aparição do livro. Na mídia tradicional, CBN e El País abordaram o assunto com competência na semana do lançamento. Além, é claro, da imprensa de Rondônia, que todos os anos recorda o episódio.

O trabalho da Editora Elefante rapidamente se transformou em instrumento para os que desejam abordar o assunto. Foi importante para que muitas pessoas se lembrassem do caso, e para que outras tantas o conhecessem. Já fomos convidados para debates em universidades de Rondônia, São Paulo e Minas Gerais. Vamos, assim, somando uma rede movida por bons interesses, disposta a unir forças contra o esquecimento — e contra as injustiças e desigualdades que provoca Brasil afora.

Aos vinte anos,
‘massacre de Corumbiara’ não é passado

Por João Peres*

 

Por que um episódio ocorrido há vinte anos num confim do Brasil permanece interessante?

Por muitos motivos. Primeiro, porque o caso conhecido como “massacre de Corumbiara”, que completa duas décadas no próximo domingo, 9 de agosto, é um reflexo da sociedade brasileira: violência, luta de classes, proteção estatal a interesses privados. E, depois, porque esta história, a exemplos de tantas outras, está longe de ser resolvida.

Em julho de 1995, famílias sem-terra ocuparam um pedaço da fazenda Santa Elina, de 18 mil hectares, localizada entre Corumbiara e Chupinguaia, no sul do sul de Rondônia. Durante operação de reintegração de posse, iniciada na madrugada de 9 de agosto, pelo menos doze pessoas morreram – nove posseiros, dois policiais e um homem não identificado. Cinco anos mais tarde, foram condenados três PMs e dois líderes da ocupação.

Para além deste resumo simplório, Corumbiara, caso enterrado, recentemente lançado pela Editora Elefante, vai a fundo no debate sobre as pontas soltas deste caso. Também procura compreender de que maneira a história do “massacre” e seus desdobramentos se conectam com nosso presente. Os ensinamentos são muitos.

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A seguir, listamos sete razões para jogar na vala do pretérito esquecimento os fatos ocorridos em Corumbiara há vinte anos:

  1. Sangue. Muitas pessoas são assassinadas todos os anos em conflitos agrários. Casos da proporção dos registrados em Corumbiara, em 1995, e em Eldorado do Carajás, em 1996, jamais se repetiram. Porém, líderes rurais continuam a ser perseguidos. Apenas nos últimos dez anos, foram 308 homicídios, nos cálculos da Comissão Pastoral da Terra. No primeiro semestre de 2015, foram 23 mortes – 22 delas na Amazônia. Rondônia segue entre os estados que mais registram crimes no campo – neste ano, novamente “rivaliza” com o Pará, com dez assassinatos de um, onze do outro.

  1. Bundão. Todos os governos pós-ditadura puxaram o freio de mão da reforma agrária. Dentro de um cenário ruim, o mandato de Dilma Rousseff supera todas as expectativas negativas, a ponto de ser tachado de bundão por João Pedro Stédile, um dos principais quadros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Na primeira gestão da presidenta, foram 107 mil famílias, frente a um pico de 381 mil no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que assentou 614 mil no total, e bem abaixo das 539 mil famílias beneficiadas nas duas gestões de Fernando Henrique Cardoso. A promessa de dar mais qualidade ao processo de assentamento ficou no papel.

  2. Indenização. No final do ano passado, a Justiça de Rondônia decidiu rejeitar o pedido de ressarcimento econômico às famílias de sem-terra envolvidos no caso de Corumbiara. A interpretação foi de que os crimes cometidos pelo Estado contra os trabalhadores já estavam prescritos. Agora, avalia-se a concessão de indenização apenas aos que eram menores de idade à época. A visão é contestada pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Rondônia (Fetagro), que se ampara na visão internacional de que violações de direitos humanos nunca prescrevem.

  3. Foragido. Um dos dois sem-terra condenados pelo caso está foragido. Claudemir Gilberto Ramos considera injusta a pena de oito anos e seis meses que lhe foi imputada por júri popular em agosto de 2000. Na visão do Ministério Público de Rondônia, ele e outro líder dos posseiros, Cícero Pereira Leite Neto, assumiram o risco das mortes por supostamente não permitir que as famílias acampadas deixassem o local a tempo. Além disso, dizem os promotores, Claudemir e Cícero são responsáveis pelos assassinatos dos policiais por terem incentivado o confronto armado.

  4. Pendência “gringa”. O Brasil nunca atendeu a uma recomendação apresentada em 2004 pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos. A entidade, integrante da Organização dos Estados Americanos, pediu que se realizasse uma “investigação completa, imparcial e efetiva dos fatos”, que deveria culminar em um novo julgamento. Nada disso foi realizado. Em 2011, com base nessa situação, o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) apresentou um projeto de lei pedindo a anistia dos condenados. A proposta não chegou a ser colocada em votação no plenário da Câmara.

  5. Boca fechada. O governador de Rondônia à época dos fatos na Santa Elina, Valdir Raupp, é senador pelo PMDB. Ele nunca prestou esclarecimentos aprofundados sobre o caso. Não se sabe qual o grau de conhecimento com que contava na noite que antecedeu as doze mortes. Se foi alertado sobre os perigos ou não. Sabe-se, porém, que Raupp foi pressionado por fazendeiros a dar cumprimento rápido ao mandado de reintegração – outra questão sobre a qual ele se recusa a falar.

  6. Rachas. Grupos que atuam na questão agrária se digladiam pela versão final do episódio. Uma questão que já era grave piorou nos últimos anos: por decisão do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), movimentos inimigos passaram a dividir o assentamento criado muitos anos depois no espaço em que ficava a Santa Elina. O clima é tenso, as acusações são mútuas, tragédias podem ocorrer.

(*) João Peres é autor de Corumbiara, caso enterrado.

Livro sobre ‘massacre de Corumbiara’ chega a Vilhena na semana em que o caso completa vinte anos

Corumbiara, caso enterrado chegou ao local onde tudo começou. A livraria Café e Letras, em Vilhena, é a primeira no Cone Sul de Rondônia a oferecer o lançamento da Editora Elefante. Uma das responsáveis pelo espaço, Ana Winter, prontificou-se desde o começo a atuar na difusão do trabalho na região em que ocorreram os fatos conhecidos como “massacre de Corumbiara”.

O livro-reportagem começa a chegar aos leitores justamente na semana em que o caso completa vinte anos. Os exemplares podem ser adquiridos na loja da Café e Letras no centro da cidade. Considerada uma capital informal do Cone Sul, Vilhena é ou foi residência de muitos personagens centrais no episódio. Do 3º Batalhão da Polícia Militar de Rondônia, sediado no município, partiu a maioria dos soldados e oficiais que participaram da reintegração de posse na fazenda Santa Elina, em Corumbiara, em 9 de agosto de 1995. Advogados que atuaram no caso vivem até hoje em Vilhena e são alguns dos mais de setenta entrevistados de Corumbiara, caso enterrado

O livro cumpre, ao chegar a Vilhena, mais uma etapa fundamental para alcançar o objetivo do trabalho: ajudar a resgatar uma história importante para todo o país — e, em especial, para a população rondoniense.

Em julho de 1995, famílias sem-terra ocuparam um pedaço da fazenda Santa Elina, de 18 mil hectares, localizada entre Corumbiara e Chupinguaia, em Rondônia. Durante operação de reintegração de posse iniciada na madrugada de 9 de agosto, doze pessoas morreram – nove posseiros, dois policiais e uma pessoa não identificada. Cinco anos mais tarde, foram condenados três PMs e dois líderes da ocupação.

Esse resumo pode ser encontrado em qualquer reportagem sobre os fatos. O essencial de Corumbiara, caso enterrado é cavocar além das aparências, dos números, da superfície. O jornalista João Peres, autor do livro, entrevista sem-terra, policiais, políticos, advogados, integrantes de movimentos sociais, promotores e juiz. Revisa processos e documentos. Promove o cruzamento de dados para tentar oferecer ao leitor um conjunto que permita formar a própria opinião. Busca romper a dicotomia empobrecedora que tenta a tudo enquadrar: bons e maus, amigos e inimigos.

Se você está em outros locais de Rondônia e do país, pode comprar seu exemplar pela internet, com valor de R$ 30 mais frete fixo de R$ 7. As vendas são realizadas no site da Editora Elefante e no Outros Livros.

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Ao comprar Corumbiara, caso enterrado, você ajuda a manter uma editora independente e sem fins lucrativos, que se propõe a oferecer livros que talvez não tenham grande interesse comercial, mas cuja importância social, política e cultural é indiscutível. A Editora Elefante é uma iniciativa verdadeiramente livre de amarras econômicas e partidárias, capaz de contar histórias sem se preocupar em proteger privilégios de uns poucos ou interesses dos mais inconfessáveis.

Estivemos em Osasco para apresentar Corumbiara, caso enterrado

O salão da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Osasco, na Grande São Paulo, recebeu bom público na noite de sábado (1º) para debater os vinte anos do massacre de Corumbiara. O evento, organizado pela CUT São Paulo e pelo Instituto Adelino Ramos, marcou o lançamento de Corumbiara, caso enterrado, livro-reportagem da Editora Elefante que narra de maneira inédita os fatos ocorridos em 9 de agosto de 1995 na fazenda Santa Elina, no sul de Rondônia.

O debate teve a mediação de Valdir Fernandes, o Tafarel, dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, e contou com a presença do deputado federal Valdir Prascideli (PT-SP), do deputado estadual Marcos Martins, da vereadora local Mazé Favarão, de Célia Ramos, do Instituto Adelino Ramos, e de Gilmar Mauro, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Na conversa, o autor de Corumbiara, caso enterrado, João Peres, apresentou um resumo da história ocorrida há vinte anos. Em julho de 1995, famílias sem-terra de todo o Cone Sul de Rondônia ocuparam um pedaço da fazenda Santa Elina, de 18 mil hectares. Durante operação de reintegração de posse iniciada na madrugada de 9 de agosto, doze pessoas morreram – nove posseiros, dois policiais e um homem não identificada. Cinco anos mais tarde, foram condenados três PMs e dois líderes da ocupação.

“Busquei construir essa história sem mitos, sem heróis. Este é um passo importante para que se respeite a inteligência, a autonomia do leitor para decidir o que ocorreu na Santa Elina”, disse o autor. “Os humanos erram, acertam. É preciso retratar a complexidade das relações humanas sem apelar a uma oposição entre bons e maus que não ajuda em nada a refletir sobre o que ocorreu.”

Antes do debate, uma missa foi celebrada pelo padre Bernard Leo Dolan em homenagem às vítimas do conflito. Durante o ato, o deputado Valdir Prascideli comprometeu-se a buscar a aprovação do Projeto de Lei 2.000, de 2011. O texto, de autoria do ex-parlamentar João Paulo Cunha (PT-SP), propõe a anistia dos sem-terra condenados pelo caso – Claudemir Gilberto Ramos, oito anos e meio de prisão, e Cícero Pereira Leite Neto, seis anos e dois meses.

Na tramitação pela Casa, o deputado Vieira da Cunha (PDT-RS) acolheu sugestão para que também os policiais fossem incluídos no rol de beneficiados. O projeto chegou a ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, mas nunca chegou a ser pautado para votação em plenário. Após passar pelo crivo dos depitados, o texto ainda tem de ser apreciado pelo Senado antes de seguir a sanção presidencial.

Seis motivos para ler Corumbiara, caso enterrado

Lançado recentemente, o livro-reportagem Corumbiara, caso enterrado despertou atenção e interesse em muita gente de Rondônia, São Paulo e várias partes do país. O trabalho de João Peres, com fotos de Gerardo Lazzari, passa a limpo o episódio conhecido como “massacre de Corumbiara”, um conflito agrário que deixou doze mortes, segundo os números oficiais, há vinte anos.

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Os dados gerais são fáceis de conhecer: três policiais e dois sem-terra foram condenados pela tragédia ocorrida durante a reintegração de posse na fazenda Santa Elina, em 9 de agosto de 1995. Mas, é claro, ninguém deve se contentar com informações tão breves. O importante é ir a fundo, entender os detalhes, vasculhar os cantos obscuros deste episódio tão importante – e, como outros, tão esquecido.

Por isso, listamos seis motivos pelos quais você deve ler Corumbiara, caso enterrado:

1. É inédito. Este é o primeiro livro-reportagem sobre o caso. É uma chance única de conhecer a fundo um dos piores conflitos agrários do Brasil pós-ditadura, de maneira sistematizada, com a apresentação das informações centrais e das diferentes versões sobre o que ocorreu em 9 de agosto de 1995 na fazenda Santa Elina, em Corumbiara, Rondônia.

2. Não tem Fla-Flu. Um dos grandes esforços de Corumbiara, caso enterrado é afastar-se da polarização que nos empobrece intelectualmente a cada dia. Logo de início, o livro convida o leitor a deixar para trás os conceitos pré-fabricados que tentam a tudo e a todos enquadrar. A ideia é retratar fielmente as diferentes visões em torno deste episódio, respeitando a autonomia de quem lê para formar a própria opinião.

3. Inquietações. Trazer à tona os incômodos dos acomodados é um dos papeis deste livro. Por que algumas pessoas se recusam a comentar o episódio? A população de Rondônia tem uma nova oportunidade de questionar Valdir Raupp (PMDB), à época governador. O hoje senador tem se negado a falar sobre o caso, que claramente não figura em suas melhores lembranças.

4. Este não é um caso isolado. O debate sobre o caso Corumbiara não diz respeito ao nosso passado. Temos um país que continua sem debater a fundo a questão da reforma agrária, empurrada com a barriga durante sucessivos governos. O Brasil registra muitas mortes em conflitos agrários todos os anos – são pelo menos 328 em uma década – e Rondônia está sempre entre os líderes da desonrosa lista elaborada pela Comissão Pastoral da Terra. O papel da ditadura na situação atual da Amazônia e na distribuição territorial brasileira é outra questão discutida pelo livro.

5. Repercussão. O livro-reportagem foi tema de vários veículos de alcance nacional e de destaque em Rondônia. “No livro ninguém é santo”, escreveu o El País Brasil. O jornalista Mário Magalhães, autor da premiada biografia sobre Carlos Marighella, considera fundamental o trabalho lançado pela Editora Elefante. “Das desgraças de uma nação, poucas são tão nefastas como memória embaçada. Contra a maldição do esquecimento, há uma novidade a comemorar: o livro Corumbiara: Caso Enterrado”, publicou em seu blog. No site da Editora Elefante, é possível ler reportagens, ouvir e assistir a entrevistas.

6. Cultura sem amarras. Ao comprar Corumbiara, caso enterrado, você ajuda a manter uma editora independente e sem fins lucrativos, que se propõe a oferecer livros que talvez não tenham grande interesse comercial, mas cuja importância social, política e cultural é indiscutível. A Editora Elefante é uma iniciativa verdadeiramente livre de amarras econômicas e partidárias, capaz de contar histórias sem se preocupar em proteger privilégios de uns poucos ou interesses dos mais inconfessáveis.