Livro-reportagem sobre massacre de Corumbiara será debatido esta semana na USP

O autor de Corumbiara, caso enterrado, João Peres, o fotógrafo Gerardo Lazzari e o coordenador editorial da Editora Elefante, Tadeu Breda, conversam esta semana com alunos do curso de Jornalismo da Universidade de São Paulo. Na quinta-feira à noite, o livro-reportagem sobre o episódio conhecido como ‘massacre de Corumbiara’ será debatido na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, na zona oeste da capital paulista. O encontro é aberto ao público.

Este será o primeiro evento sobre o trabalho no âmbito acadêmico. Antes, em julho e agosto, lançamentos foram realizados em São Paulo, Osasco e Brasília, sempre com boa repercussão. Agora, os professores Luciano Maluly e Dennis Oliveira se dispuseram a organizar uma conversa entre os futuros jornalistas e os autores do trabalho.

João Peres se formou em 2007 na ECA. O trabalho de conclusão de curso foi sobre os trabalhadores bolivianos em São Paulo, tema que tem despertado cada vez mais atenção. De lá para cá, cobriu eleições, consultas populares e momentos de crise no Brasil, na Argentina, na Venezuela, na Colômbia e na Bolívia. No interior do país, fez reportagens sobre direitos humanos, agricultura, agrotóxicos e relações de trabalho.

Também o coordenador editorial é formado no curso de Jornalismo da USP. O primeiro trabalho no catálogo da Editora Elefante é O Equador é verde – Rafael Correa e os paradigmas do desenvolvimento, de Tadeu Breda, publicado em 2010.

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Corumbiara, caso enterrado é o primeiro livro-reportagem sobre o chamado ‘massacre de Corumbiara’, ocorrido em 9 de agosto de 1995 no sul de Rondônia. Durante operação de reintegração de posse na fazenda Santa Elina, ao menos doze pessoas morreram – nove policiais, dois sem-terra e um rapaz não identificado. O caso resultou em processos contra PMs e posseiros e, em 2000, cinco pessoas foram condenadas no júri popular realizado em Porto Velho, num desfecho até hoje contestado por várias organizações e pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

O lançamento da Editora Elefante entrevista sem-terra, policiais, políticos, advogados, integrantes de movimentos sociais, promotores e juiz. Revisa processos e documentos. Promove o cruzamento de dados para tentar oferecer ao leitor um conjunto que permita formar a própria opinião. Busca romper a dicotomia empobrecedora que tenta a tudo enquadrar: bons e maus, amigos e inimigos.

 

 Debate sobre Corumbiara, caso enterrado
Auditório Freitas Nobre – Departamento de Jornalismo e Editoração da ECA-USP
Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443 – Cidade Universitária – São Paulo Quinta-feira, 3 de setembro, 19h30

 

Corumbiara, caso enterrado
será debatido e lançado em Rondônia

O autor de Corumbiara, caso enterrado, João Peres, e o coordenador editorial da Editora Elefante, Tadeu Breda, vão a Rondônia em setembro para lançar e debater o livro-reportagem. Ao longo de quinze dias, o trabalho sobre o chamado “massacre de Corumbiara” será discutido com estudantes, professores, assentados, representantes de movimentos sociais e com o público em geral.

A visita ao estado onde se passou o caso, há vinte anos, será possível graças aos esforços de grupos do Instituto Federal de Rondônia (Ifro) e da Universidade Federal de Rondônia (Unir). A agenda de compromissos ainda está sendo fechada e será tornada pública em breve, aqui, no saite da Editora Elefante, e em espaços públicos das cidades nas quais os eventos serão realizados.

Já há lançamentos e debates programados em Vilhena, Colorado do Oeste, Rolim de Moura, Ji-Paraná e Porto Velho. Ainda estamos conversando sobre a possibilidade de organizar encontros em outras cidades. Por isso, se tiver interesse em nos ajudar na organização e na divulgação de eventos, entre em contato pelo e-mail editoraelefante@gmail.com. Além do livro-reportagem, estão previstas discussões sobre os desafios e a importância de se manter uma editora independente no Brasil.

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Para nós, voltar a Rondônia com Corumbiara, caso enterrado debaixo do braço é um imenso prazer. Estamos ansiosos e felizes por poder debater este trabalho com a população que melhor conhece os fatos ocorridos em 9 de agosto de 1995 na fazenda Santa Elina, no Cone Sul rondoniense. Durante operação de reintegração de posse, doze pessoas morreram – nove sem-terra, dois policiais militares e um rapaz não identificado. Na passagem pelo estado, esperamos ouvir sugestões sobre como melhorar este trabalho, que tem nos surpreendido com o interesse que despertou pelo resgate de um episódio esquecido da história do Brasil.

Personagem de Corumbiara, caso enterrado
é preso pela Polícia Federal em Rondônia

O advogado Carlos Eduardo Pietrobon está preso em Porto Velho sob acusação de participação em esquema de desvio de recursos da prefeitura de Vilhena, no sul de Rondônia. Pietrobon foi detido pela Polícia Federal no último dia 15 de agosto na esteira da Operação Stigma, que apura corrupção envolvendo verbas da União enviadas ao município.

Pietrobon, que não fazia parte da administração do prefeito Zé Rover, é suspeito de montar um “governo paralelo” em seu escritório de advocacia, segundo noticiou a imprensa local. O Ministério Público Federal diz que Zé Rover e alguns secretários chegavam a despachar diretamente no espaço. O advogado sempre fez questão de ressaltar publicamente as boas relações que mantinha com o prefeito.

O filho dele, Bruno Pietrobon, foi chefe de gabinete de Zé Rover e também está preso no Centro de Correição da Polícia Militar em Porto Velho, para onde os dois foram levados, já que em Vilhena não há celas de prisão especial — privilégio a que advogados têm direito. Ambos apresentaram pedido de habeas corpus à Justiça Federal para que possam responder ao processo em liberdade. Além deles, foi detido Gustavo Valmórbida, ex-secretário de Governo.

A Operação Stigma teve início em julho com a apreensão de documentos em uma empresa que presta serviços à prefeitura. Nas últimas semanas, foram descobertas conexões ilegais entre a administração pública e outras duas pessoas jurídicas. Antes da prisão dos Pietrobon e de Valmórbida, a Polícia Federal prendeu Nicolau Júnior de Souza, assessor de Zé Rover, visto como a conexão entre as várias pontas do esquema de desvio.

Histórico

Pietrobon foi advogado da maior parte dos policiais militares levados a julgamento pelo caso conhecido como “massacre de Corumbiara”. Ele dividiu a defesa com Cícero Dantas e Lídio Luís Chaves Barbosa, que também atuam na região. Em entrevista concedida em abril de 2014 a João Peres, autor de Corumbiara, caso enterrado, Pietrobon afirmou ser injusta a condenação dos soldados Airton Ramos de Morais e Daniel da Silva Furtado. A leitura é de que não havia provas da autoria dos crimes cometidos em 9 de agosto de 1995 durante reintegração de posse na fazenda Santa Elina, no sul de Rondônia, que resultou em doze mortes.

Pietrobon é integrante da velha guarda da advocacia rondoniense. Está entre os profissionais liberais que se mudaram ao estado nos anos 1970, com a explosão migratória provocada pela ditadura, que acabou por desembocar na emancipação territorial no começo da década de 1980. “Você vem de lá, vende tudo o que tem. Vem para cá e fica maravilhado. Se instala aqui. Você não vai mais embora. Os desafios são outros. Em São Paulo a concorrência é pesada, só sobrevive quem é rei. Aqui é diferente. Você tem relações mais próximas, é um troço pequeno. É melhor para trabalhar”, contou.

“Eu não defendo bandido. Eu defendo o direito à mais ampla defesa. Não defendo a criminalidade”, acrescentou. “Isso você vai observar em advogado antigo. Matou a mulher, é bandido. Não, espera aí. Por que você matou a mulher? Você tem que explorar o que aconteceu. Matou a mulher porque estava na cama com outro. Opa, aí é violenta emoção. Não estou defendendo o fato de você matar sua mulher, mas temos que ver o que aconteceu para saber se é inocente, se é culpado. Quem vai julgar é o juiz, é o jurado, não somos nós.”

Após lançamento em Brasília, Corumbiara, caso enterrado será debatido na USP

Corumbiara, caso enterrado cumpriu mais uma importante etapa: o lançamento em Brasília, na última terça-feira, 18 de agosto, foi o terceiro neste primeiro mês de vida do livro-reportagem que conta a história do chamado “massacre de Corumbiara”. O Balaio Café, na Asa Norte, recebeu pessoas de diferentes áreas de atuação interessadas em saber mais sobre o conflito agrário ocorrido há vinte anos no sul de Rondônia.

Exatamente 30 dias depois do evento de lançamento em São Paulo, já se pode dizer que o trabalho tem cumprido um papel importante no resgate histórico de um capítulo esquecido do Brasil pós-ditadura. Enquanto a maior parte da imprensa decidiu ignorar o “aniversário” de duas décadas do caso, no último 9 de agosto, o livro-reportagem foi um instrumento importante para quem não quis deixar a data passar em branco. Leitores de todo o país têm enviado mensagens de apreço por Corumbiara, caso enterrado, enaltecendo a tentativa de mostrar a complexidade das diferentes versões sobre o caso.

Em julho de 1995, famílias sem-terra ocuparam um pedaço da fazenda Santa Elina, de 18 mil hectares, localizada entre Corumbiara e Chupinguaia, em Rondônia. Durante operação de reintegração de posse iniciada na madrugada de 9 de agosto, doze pessoas morreram – nove posseiros, dois policiais e uma pessoa não identificada. Cinco anos mais tarde, foram condenados três PMs e dois líderes da ocupação. O resumo desta história em um parágrafo é insuficiente. Por entendermos que é preciso ir muito mais a fundo, lançamos Corumbiara, caso enterrado.

Agora, vamos à próxima etapa. O livro será debatido no dia 3 de setembro, às 19h30, na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). Os professores Dennis de Oliveira e Luciano Maluly, do Departamento de Jornalismo e Editoração, reunirão os alunos para uma conversa com o autor, João Peres, e com o coordenador editorial da Editora Elefante, Tadeu Breda. O evento é aberto ao público. Esperamos vocês!

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Na semana em que ignoramos o ‘massacre de Corumbiara’, outra tragédia nos bate à porta

Por João Peres*

Eis que a história se repete. Tal como se sabia, repete-se na forma de tragédia. Na semana em que a imprensa brasileira decidiu ignorar a memória sobre os vinte anos do chamado “massacre de Corumbiara”, outra matança bateu-nos à porta. Chacina, execuções em série, massacre: o nome, neste momento, não é o mais importante. Nevrálgico é reconhecer que ocorreu de novo. Sujamos nossas mãos com sangue. E tornaremos a sujá-las enquanto nos mantivermos nessa ignorância histórica.

O que um caso ocorrido na Grande São Paulo em 13 de agosto de 2015 tem a ver com um registrado em 9 de agosto de 1995 em Rondônia? Tudo. Mudam as formas, os lugares, as vítimas. Mantêm-se o modo de operação e a chancela social, quase uma tara, para episódios em que a morte se banaliza.
A hipótese mais provável para o caso de Osasco e Barueri, com 18 mortes, é o revide da Polícia Militar ao assassinato de um integrante da corporação.

Como de outras vezes, evoca-se o perfil das vítimas – cor de pele, histórico policial, região de moradia –, como se fosse esta a questão central. Não é preciso ganhar úlceras lendo comentários nos portais de notícias para saber que estão apinhados de defesas da execução de supostos bandidos. É a maneira que uma sociedade encontra para externar seu apreço pela barbárie. É como se tivéssemos um arcabouço legal que outorga à PM o poder de definir pela pena de morte dos cidadãos.

Impossível tratar o caso da última semana como um episódio isolado. Temos uma sociedade que todos os dias mata. Mata muito. Mata de forma desigual. O Mapa da Violência computa 880 mil vítimas de armas de fogo entre 1980 e 2012. A taxa anual de homicídios avançou 387% no período. Quase 25 mil jovens entre 15 e 29 anos são assassinados a cada 365 dias.

Os números mostram que não morremos por igual. Em alguns estados, a chance de um negro ser vitimado é 1.000% maior que a de um branco. De 2002 a 2012, a taxa de homicídios entre brancos passou de 14,5 para 11,8 por cem mil habitantes, enquanto a de negros avançou de 24,9 para 28,5. É a expressão estatística do aval que demos para a naturalização da violência. É a autorização que firmamos para que a história se repita.

Há vinte anos, em um agosto como esse, doze pessoas foram mortas na fazenda Santa Elina, em Corumbiara, Rondônia. Nove sem-terra, dois policiais e um rapaz não identificado são o saldo de se tratar um problema social com força bélica. Após o episódio, mobilizaram-se argumentos para dizer que os posseiros estavam errados por invadir uma propriedade privada, como se isso justificasse o resultado. O comandante da PM à época chegou a afirmar que aquela era uma lição que sua corporação havia dado à sociedade rondoniense. De outro lado, cada grupo tratou como especiais os seus mortos, ignorando os alheios, como se houvesse vidas mais e menos importantes.

Durante o julgamento, realizado em 2000, em Porto Velho, o promotor Tarcísio Leite Mattos fez história ao defender o direito dos policiais ao extermínio. “Ou o Brasil acaba com os sem-terra, ou os sem-terra acabam com o Brasil.” Mattos sintetiza a imperfeição de nossas instituições democráticas. Ao longo da carreira, defendeu inúmeras vezes o direito de uma corporação para atuar à margem da legalidade, sem que por isso fosse punido.

O ano de 2015, entendido como desdobramento dos anteriores, é farto em novos exemplos. Temos um presidente da Câmara capaz de controlar uma bancada suprapartidária indiferente a qualquer anseio social e totalmente subordinada aos interesses privados que defende. Temos um ministro da Justiça disposto a fazer aprovar uma legislação contrária a qualquer direito de reivindicação. Temos, a cada um ou dois meses, marchas como a de domingo 16, que contam com segmentos consideráveis que externam desapreço pela democracia.

O caso de Corumbiara evidencia outro traço desta incompletude democrática. O governador de Rondônia à época, o hoje senador Valdir Raupp (PMDB), não se vê obrigado a prestar contas à sociedade. Guarda para si informações que, em verdade, são públicas, avaliando que a preservação da imagem individual é mais importante que a construção da memória coletiva.

Não é diferente do atual governador paulista. Geraldo Alckmin é um notório defensor da chancela para que se faça da violência o principal instrumento de mediação social e, dentro disso, para que a PM mate muito. “Criamos uma força-tarefa com 50 policiais civis, 12 peritos e 8 médicos legistas para que as investigações sejam feitas o mais rápido possível. Não vamos descansar até que os responsáveis sejam presos. Nenhuma hipótese está sendo descartada pelas investigações”, afirmou após o caso da região metropolitana. É sua resposta-padrão. Uma resposta de quem sabe que não será cobrado mais adiante. Pelo contrário, recebeu no ano passado uma estrondosa aprovação eleitoral à política de mão dura seletiva.

A imprensa, é claro, tem imensa fatia da responsabilidade. Pelo óbvio: Datenas se multiplicaram pelo país à razão do crescimento do número de mortes, espraiando a sensação de medo tão central para a legitimação de respostas bárbaras e imediatistas a uma questão complexa e de longo prazo. Pelo não tão óbvio: ao forçar o esquecimento sobre episódios fundamentais, ajuda a criar uma sociedade com baixa capacidade para contextualizar, avaliar e evitar repetições.

Não é à toa que o caso de Corumbiara passou praticamente batido pela imprensa de alcance nacional. Primeiro, estamos falando de equipes jornalísticas que têm, as próprias, dificuldades severas de memória em meio aos cortes dos profissionais mais experientes. Depois, de uma mídia que perdeu de vista o interesse público em benefício do projeto de extermínio de um partido político que forneceu de lambuja todos os motivos para que esta finalidade se cumpra. Em terceiro lugar, e não menos importante, trata-se de um jornalismo declaradamente elitista. Pobres? Sem-terra? Rondônia? Deixa essa história pra lá. Assim como será relegada ao esquecimento a barbárie da Grande São Paulo. E a repetiremos. Muitas vezes.

* João Peres é autor de Corumbiara, caso enterrado, lançado pela Editora Elefante

Cabuloso suco gástrico começa a virar livro

A Elefante em Quadrinhos está trabalhando a todo vapor em seu segundo lançamento. Depois de Ignóbil, de Dáblio C., iremos publicar uma coletânea das tirinhas do Cabuloso Suco Gástrico, de Breno Ferreira. Não acredita? Então dá uma olhada na foto: na semana passada, fizemos a última seleção dos desenhos que farão parte do livro. Não foi fácil, mas caprichamos. Quem acompanha as cabulosas tiras do Breno Ferreira pela internet, no blogue que ele mantém desde 2013, não quererá perder os traços do suco gástrico em papel.

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Claro que o primeiro livro do Cabuloso Suco Gástrico terá novidades. Enquanto a Bianca Oliveira, nossa designer, trabalha duro no projeto gráfico, Breno já está debruçado sobre a prancheta derramando nanquim em desenhos inéditos para nosso novo livro.

Eis aqui a ilustração-anúncio oficial que ele acaba de fazer no Facebook. Preparem-se para azia, porque acidez não vai faltar nesses quadrinhos estomacais:

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Corumbiara, caso enterrado será lançado em Brasília

O livro-reportagem sobre o chamado ‘massacre de Corumbiara’ chega à capital federal na próxima semana. O Balaio Café, na Asa Norte, famoso por organizar eventos que apresentam importantes questões do país, receberá o autor de Corumbiara, caso enterrado, João Peres, no próximo dia 18, a partir de 20h. Este é o terceiro evento organizado para divulgar o caso ocorrido há exatos vinte anos, em 9 de agosto de 1995 – antes, São Paulo e Osasco tiveram noites de encontros e debates.

Brasília ocupa papel importante no episódio narrado no livro-reportagem. Quando doze pessoas morreram durante operação de reintegração de posse na fazenda Santa Elina, em Rondônia, o então governador, Valdir Raupp (PMDB), não foi ao local dos fatos. Preferiu tomar um avião rumo à capital para demover o ministro da Justiça, Nelson Jobim, da ideia de que a Polícia Federal realizasse um inquérito paralelo ao dos órgãos estaduais. Um pedido exitoso, que, porém, desembocou em investigações mais tarde contestadas pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Nove anos depois do caso, em 2004, o Superior Tribunal de Justiça manteve decisão do Judiciário de Rondônia. Com isso, esgotaram-se os recursos para os sem-terra Claudemir Gilberto Ramos e Cícero Pereira Leite Neto, condenados pela morte de dois policiais militares. No mesmo ano, chegou ao fim a contestação judicial aberta pelos advogados dos soldados Daniel da Silva Furtado e Airton Ramos de Morais e do capitão Vitório Régis Mena Mendes, todos sentenciados pelo episódio.

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Também na capital, em 2007, sem-terra de diferentes grupos e visões ideológicas acamparam na Esplanada dos Ministérios. Audiência na Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República resultou na assinatura de um convênio que liberou R$ 98 mil para a assistência jurídica das famílias de posseiros atingidas pela operação de reintegração. A Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Rondônia (Fetagro) ingressou com ação solicitando indenização para todos os que acamparam na Santa Elina. O pedido acabou rejeitado no final de 2014 pelo Tribunal de Justiça estadual, que avalia que os crimes cometidos pelo Estado já estão prescritos.

O Congresso Nacional também foi palco de debates acirrados sobre os fatos ocorridos em Rondônia. Em 1995, o deputado Nilmário Miranda (PT-MG), fundador da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, foi ao local dos fatos e redigiu um relatório em que alertou para a possibilidade de que o caso resultasse em impunidade. Dezesseis anos mais tarde, o também petista João Paulo Cunha (SP) protocolou o Projeto de Lei 2.000, de 2011, que propõe anistia aos condenados. Aprovado na Comissão de Constituição e Justiça após resistência da bancada ruralista, o texto não chegou a ser apreciado em plenário.

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Lançamento de Corumbiara, caso enterrado em Brasília
Balaio Café CLN 201, Bloco B, Loja 19/31
Telefone: (61) 3327-0732
Data: 18 de agosto, 20h

Corumbiara: Raupp quebra silêncio,
mas não responde a questões-chave

Por João Peres*

O ex-governador de Rondônia, Valdir Raupp (PMDB), finalmente quebrou o silêncio sobre o episódio conhecido como “massacre de Corumbiara”. Em nota enviada ao saite G1, porém, ele se exime de responsabilidade pelas doze mortes ocorridas há exatos vinte anos, durante reintegração de posse na fazenda Santa Elina, no sul do estado, e deixa para a Polícia Militar a culpa pelo fato de a situação haver fugido ao controle.

Raupp não aceitou conceder entrevistas ao portal da Globo. Nos últimos vinte anos, o hoje senador tem evitado ao máximo ter contato com o assunto. Poucas vezes foi à região dos fatos, no Cone Sul rondoniense, e jamais visitou a Santa Elina. Quando o caso estourou, entre a madrugada e a manhã de 9 de agosto de 1995, enviou como seu representante o vice-governador, Aparício de Carvalho, e tomou um avião a Brasília, onde conseguiu demover o ministro da Justiça, Nelson Jobim, da ideia de que a Polícia Federal realizasse um trabalho de investigação paralelo ao dos órgãos estaduais.

Nos últimos três anos, procurei Raupp diversas vezes para uma entrevista. O assessor de imprensa sempre respondeu que seu cliente se reserva o direito de falar apenas sobre questões que lhe sejam favoráveis à imagem. Por isso, Corumbiara, caso enterrado foi impresso sem que se conhecesse sua versão a respeito.

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Agora, talvez por temor às organizações da família Marinho, talvez por estar numa posição de fragilidade política, já que é um dos investigados pela Operação Lava Jato, Raupp quebra o silêncio. Mas de forma incompleta. Não se abriu ao exercício do contraditório, tão importante para o jornalismo e, neste caso, para que se fechem as explicações em torno de um dos piores conflitos agrários do Brasil pós-ditadura. A nota emitida por sua equipe não preenche lacunas fundamentais. Vamos analisá-la parte por parte.

“A situação era tratada como um ato normal de reintegração de posse e que com bastante antecedência, havia encaminhado uma equipe de técnicos do governo do estado para buscar uma solução negociada. Tive a informação que a situação estava sob controle. A ida de técnicos do governo ao local foi uma das medidas para evitar o conflito.”

De fato, Raupp mandou uma equipe de negociadores à ocupação. Seu então secretário-executivo, Édio Antônio de Carvalho, dirigiu-se ao acampamento na Santa Elina em 1º de agosto de 1995, acompanhado por representantes do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Instituto de Terras de Rondônia (Iteron), além do deputado estadual Daniel Pereira, hoje vice-governador. A reunião com os líderes dos posseiros terminou com a promessa de que se encontraria uma área para o assentamento provisório das famílias. Foi a primeira e única rodada de conversas.

“Após o conflito, além das medidas para manter a segurança na região afetada pelo conflito, exonerei o então comandante da PM do estado, logo após o lamentável episódio.”

É verdade. O coronel Wellington Luiz de Barros Silva foi exonerado menos de uma semana após o caso. Mas, nesse ínterim, Raupp fez eco às explicações dadas pelo então comandante, que presumiu a inocência dos policiais e a culpa dos sem-terra pelas mortes. O então governador chegou a afirmar que entre os posseiros havia “atiradores de elite”, uma ideia que prevalece até hoje entre os policiais envolvidos no caso.

Além disso, o coronel foi demitido não pelo saldo sangrento da operação, mas pelos excessos retóricos – é um caso de peixe que morreu pela boca. “Taí uma resposta da nossa Polícia Militar para que pessoas não participem mais desses eventos. Os organismos do Estado e da União estão mobilizados para ajudar as pessoas que realmente precisam. Sem dúvida que a invasão deve acabar em nosso país”, afirmou Wellington, então, admitindo que não tinha provas sobre o suposto poder de fogo dos sem-terra.

“Não houve falhas no âmbito do governo do estado. Havia uma negociação em andamento entre as partes envolvidas coordenada por uma comissão governamental. O que ocorreu é que a situação fugiu do controle do aparato policial.”

Verdade: a situação fugiu de controle. Mas quem comanda o aparato policial? Constitucionalmente, o governador. Os sem-terra encaminharam a Raupp, no começo de agosto, uma carta alertando sobre a tensão crescente na Santa Elina e a possibilidade de uma tragédia. O deputado estadual Daniel Pereira também o havia alertado diversas vezes antes do início da operação.

Como Raupp não se abriu ao exercício da entrevista, privatizando uma narrativa pública, permanece sem resposta a grande questão em aberto do caso de Corumbiara: O que ocorreu na noite de 8 de agosto?

Após negociar com os sem-terra, o comandante da reintegração de pose, o então major José Ventura Pereira, disse à imprensa que ainda tentaria mais duas rodadas de conversas antes de proceder ao uso da força para retirar os sem-terra da área. Na madrugada seguinte, porém, deu início ao deslocamento das tropas em direção ao acampamento. A troca de tiros em campo aberto, primeiro, e uma série de abusos cometidos pelos policiais, depois, culminam nas doze mortes.

Raupp recebeu informações naquela noite? Foi ele quem tomou a decisão de que se desse cumprimento ao mandado de reintegração na madrugada seguinte? Ou foi uma medida que coube unicamente à corporação militar? Se a ordem coube ao governador, estaria ele devidamente informado sobre os perigos acarretados pela incursão no acampamento durante a noite? E as pressões dos fazendeiros locais? E a carta que o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Roberto Rodrigues, enviara ao governador, pressionando pela expulsão dos ocupantes da Santa Elina?

São questões que só serão respondidas no dia em que o ex-governador, hoje senador, resolver conversar. Não importa que o tema lhe seja prejudicial à imagem: alguém que se mantém há tantos anos com mandatos garantidos pelo voto popular deve explicações à sociedade.

Reforço meu pedido por uma entrevista. O livro já está publicado, mas a história não está fechada. A Editora Elefante e eu nos comprometemos a divulgar na internet um novo capítulo que trate apenas da versão de Raupp sobre os fatos na Santa Elina, a exemplo do que fizemos com sem-terra e policiais.

* João Peres é autor de Corumbiara, caso enterrado

Mídia brasileira ignora
20 anos do ‘massacre de Corumbiara’

capa-corumbiaraUm caso com pelo menos doze mortos é digno de recordação? Depende. Se você é editor de um veículo da mídia, terá de se colocar frente a algumas ponderações. As vítimas eram ricas? No caso, não – então, as chances de publicação caem 50%. Há alguma maneira de dizer que Lula e José Dirceu têm culpa pelo caso? Hum, a gente poderia inventar mais essa, chefe, mas não será fácil – pois então as probabilidades são reduzidas em mais 25%. O caso se passou nos bairros nobres de São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília? Não? Sinto muito, é melhor procurar outro veículo. E terá sorte se encontrar.

As doze pessoas mortas há exatos vinte anos na fazenda Santa Elina, em Corumbiara, não conseguiram preencher os requisitos necessários para que fossem aceitas nas páginas, nos áudios e nos vídeos de boa parte da mídia brasileira. São pobres: dois policiais, um rapaz não identificado e nove sem-terra, entre os quais havia uma criança, Vanessa, assassinada com tiro na barriga. Morreram em Rondônia, estado que não diz nada para gente — e muitos jornalistas. E pertencem a um grupo político capaz de despertar náuseas nos donos e nos principais anunciantes. “Morte de sem-terra? Em Roraima? Qual é?”, terá dito um editor. “É Rondônia, na verdade”, responderia o repórter. “Qual a diferença?”

Ao decidir ignorar o caso conhecido como “massacre de Corumbiara”, os meios de comunicação tradicionais — e também a chamada mídia alternativa — dão mais uma demonstração de descolamento entre a defesa do interesse público e sua realidade pré-fabricada. Algum grande jornal preferiu, neste 9 de agosto, relembrar os 30 anos do lançamento de Rambo II, com Sylvester Stallone matando vietnamitas, a recordar um dos casos mais significativos da transição incompleta do Brasil à democracia.

O curioso é que, à época, veículos de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília enviaram correspondentes aos locais dos fatos. Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo e Veja debateram a fundo o tema, em vários momentos dando razão à visão dos sem-terra. Em 1995, cumpriram um papel importante à memória do episódio. Depois de duas décadas, é impensável que tornem a fazê-lo.

As redações estão mais desinformadas e muito menores: toda a memória oral garantida por jornalistas da velha guarda foi perdida pelas levas de demissões dos últimos anos. Estão menos interessadas no Brasil como um todo: o que importa é aquilo que pode ser usado contra um partido, uma figura pública, um grupo. E aprofundaram uma trajetória de preconceito que resulta na escolha do assunto de acordo com a renda do envolvido ou o interesse do anunciante em determinada questão.

Deixa-se passar em cinzentas nuvens um episódio central para discutir o presente. Olhando apenas para a questão agrária, o caso de Corumbiara é rico em desdobramentos. O país não avançou nada em termos de desigualdade rural e ainda há muitas mortes de líderes populares: apenas entre janeiro e junho de 2015, foram 23, nos cálculos da Comissão Pastoral da Terra.

Visto de modo mais amplo, o episódio leva a reflexões sobre a privatização de uma narrativa que deveria ser pública e sobre o desinteresse estatal em trabalhar pela construção da memória. O momento que o país vive, farto em exemplos de como a falta de conhecimento histórico provoca a repetição de erros, mais do que justifica que se recorde esta passagem do Brasil pós-ditadura.

Ao mesmo tempo, a indiferença da mídia tradicional faz crescer a importância de iniciativas como a Editora Elefante, que colocam a relevância social, política e cultural de um tema à frente das possibilidades de lucro. A frenética mudança no cenário da comunicação e do jornalismo nos coloca diante da necessidade de incentivar projetos capazes de contar histórias sem se preocupar em proteger privilégios de uns poucos ou interesses dos mais inconfessáveis.

O silêncio da imprensa brasileira em relação ao “massacre de Corumbiara” só não foi mais ensurdecedor porque lançamos Corumbiara, caso enterrado, um grande trabalho de investigação jornalística do repórter João Peres, com fotos de Gerardo Lazzari. Nos seus primeiros vinte dias de existência, o livro vem cumprindo seu papel: dar a conhecer, da maneira mais ampla possível, a história e os desdobramentos do conflito agrário ocorrido em Rondônia há vinte anos.

Se o massacre, em si, não despertou interesse dos jornais e jornalistas do país, o lançamento de Corumbiara, caso enterrado chamou a atenção de muitas pessoas – e garantiu que vários veículos registrassem, embora lateralmente, essa tragédia brasileira: Pública, Outras Palavras, Fórum, Amazônia Real, Carta Capital, Le Monde Diplomatique, entre outros, dedicaram resenhas e entrevistas à aparição do livro. Na mídia tradicional, CBN e El País abordaram o assunto com competência na semana do lançamento. Além, é claro, da imprensa de Rondônia, que todos os anos recorda o episódio.

O trabalho da Editora Elefante rapidamente se transformou em instrumento para os que desejam abordar o assunto. Foi importante para que muitas pessoas se lembrassem do caso, e para que outras tantas o conhecessem. Já fomos convidados para debates em universidades de Rondônia, São Paulo e Minas Gerais. Vamos, assim, somando uma rede movida por bons interesses, disposta a unir forças contra o esquecimento — e contra as injustiças e desigualdades que provoca Brasil afora.

Aos vinte anos,
‘massacre de Corumbiara’ não é passado

Por João Peres*

 

Por que um episódio ocorrido há vinte anos num confim do Brasil permanece interessante?

Por muitos motivos. Primeiro, porque o caso conhecido como “massacre de Corumbiara”, que completa duas décadas no próximo domingo, 9 de agosto, é um reflexo da sociedade brasileira: violência, luta de classes, proteção estatal a interesses privados. E, depois, porque esta história, a exemplos de tantas outras, está longe de ser resolvida.

Em julho de 1995, famílias sem-terra ocuparam um pedaço da fazenda Santa Elina, de 18 mil hectares, localizada entre Corumbiara e Chupinguaia, no sul do sul de Rondônia. Durante operação de reintegração de posse, iniciada na madrugada de 9 de agosto, pelo menos doze pessoas morreram – nove posseiros, dois policiais e um homem não identificado. Cinco anos mais tarde, foram condenados três PMs e dois líderes da ocupação.

Para além deste resumo simplório, Corumbiara, caso enterrado, recentemente lançado pela Editora Elefante, vai a fundo no debate sobre as pontas soltas deste caso. Também procura compreender de que maneira a história do “massacre” e seus desdobramentos se conectam com nosso presente. Os ensinamentos são muitos.

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A seguir, listamos sete razões para jogar na vala do pretérito esquecimento os fatos ocorridos em Corumbiara há vinte anos:

  1. Sangue. Muitas pessoas são assassinadas todos os anos em conflitos agrários. Casos da proporção dos registrados em Corumbiara, em 1995, e em Eldorado do Carajás, em 1996, jamais se repetiram. Porém, líderes rurais continuam a ser perseguidos. Apenas nos últimos dez anos, foram 308 homicídios, nos cálculos da Comissão Pastoral da Terra. No primeiro semestre de 2015, foram 23 mortes – 22 delas na Amazônia. Rondônia segue entre os estados que mais registram crimes no campo – neste ano, novamente “rivaliza” com o Pará, com dez assassinatos de um, onze do outro.

  1. Bundão. Todos os governos pós-ditadura puxaram o freio de mão da reforma agrária. Dentro de um cenário ruim, o mandato de Dilma Rousseff supera todas as expectativas negativas, a ponto de ser tachado de bundão por João Pedro Stédile, um dos principais quadros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Na primeira gestão da presidenta, foram 107 mil famílias, frente a um pico de 381 mil no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que assentou 614 mil no total, e bem abaixo das 539 mil famílias beneficiadas nas duas gestões de Fernando Henrique Cardoso. A promessa de dar mais qualidade ao processo de assentamento ficou no papel.

  2. Indenização. No final do ano passado, a Justiça de Rondônia decidiu rejeitar o pedido de ressarcimento econômico às famílias de sem-terra envolvidos no caso de Corumbiara. A interpretação foi de que os crimes cometidos pelo Estado contra os trabalhadores já estavam prescritos. Agora, avalia-se a concessão de indenização apenas aos que eram menores de idade à época. A visão é contestada pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Rondônia (Fetagro), que se ampara na visão internacional de que violações de direitos humanos nunca prescrevem.

  3. Foragido. Um dos dois sem-terra condenados pelo caso está foragido. Claudemir Gilberto Ramos considera injusta a pena de oito anos e seis meses que lhe foi imputada por júri popular em agosto de 2000. Na visão do Ministério Público de Rondônia, ele e outro líder dos posseiros, Cícero Pereira Leite Neto, assumiram o risco das mortes por supostamente não permitir que as famílias acampadas deixassem o local a tempo. Além disso, dizem os promotores, Claudemir e Cícero são responsáveis pelos assassinatos dos policiais por terem incentivado o confronto armado.

  4. Pendência “gringa”. O Brasil nunca atendeu a uma recomendação apresentada em 2004 pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos. A entidade, integrante da Organização dos Estados Americanos, pediu que se realizasse uma “investigação completa, imparcial e efetiva dos fatos”, que deveria culminar em um novo julgamento. Nada disso foi realizado. Em 2011, com base nessa situação, o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) apresentou um projeto de lei pedindo a anistia dos condenados. A proposta não chegou a ser colocada em votação no plenário da Câmara.

  5. Boca fechada. O governador de Rondônia à época dos fatos na Santa Elina, Valdir Raupp, é senador pelo PMDB. Ele nunca prestou esclarecimentos aprofundados sobre o caso. Não se sabe qual o grau de conhecimento com que contava na noite que antecedeu as doze mortes. Se foi alertado sobre os perigos ou não. Sabe-se, porém, que Raupp foi pressionado por fazendeiros a dar cumprimento rápido ao mandado de reintegração – outra questão sobre a qual ele se recusa a falar.

  6. Rachas. Grupos que atuam na questão agrária se digladiam pela versão final do episódio. Uma questão que já era grave piorou nos últimos anos: por decisão do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), movimentos inimigos passaram a dividir o assentamento criado muitos anos depois no espaço em que ficava a Santa Elina. O clima é tenso, as acusações são mútuas, tragédias podem ocorrer.

(*) João Peres é autor de Corumbiara, caso enterrado.

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